CPI do Crime Organizado avança e convoca figuras chave em investigação de fraudes financeiras
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado deu um passo significativo em suas investigações nesta quarta-feira (25), aprovando dezenas de requerimentos que incluem a convocação de nomes de peso no cenário financeiro e político brasileiro. Entre os convocados, destacam-se o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da Fazenda do governo Bolsonaro, Paulo Guedes.
A convocação, diferente de um convite, torna a presença desses indivíduos obrigatória na CPI. Em caso de ausência, a Comissão tem o poder de solicitar a condução coercitiva, ou seja, forçar a presença da testemunha ou investigado. Essa medida sublinha a seriedade com que a CPI está tratando as suspeitas de fraudes que podem ter movimentado entre R$ 17 e R$ 50 bilhões.
As decisões foram tomadas após a quebra dos sigilos fiscal e bancário do Banco Master e de seus sócios, além da Reag Investimentos, empresa liquidada pelo Banco Central por suspeitas de envolvimento nas fraudes. Conforme informações divulgadas pela imprensa, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), ressaltou que a comissão busca agora investigar os “esquemas do andar de cima”, ampliando o foco para além das ações pontuais nas periferias.
Daniel Vorcaro e o Banco Master no centro das investigações
O Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, estão no epicentro das investigações da CPI. Além da convocação de Vorcaro, os sigilos fiscal e bancário da instituição e de seus sócios foram quebrados. A CPI também aprovou a quebra de sigilo da Reag Investimentos, ligada às supostas fraudes. A atuação de Vorcaro em busca de autorização para operar no sistema financeiro é um dos pontos de atenção, com a liberação tendo ocorrido apenas em outubro de 2019, durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, conforme apontou a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).
Campos Neto e Paulo Guedes sob escrutínio por desregulação
A convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes, visa apurar a relação entre a desregulação do mercado financeiro promovida durante o governo Bolsonaro e a expansão de fraudes como a do Banco Master. O senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou um requerimento que cita resoluções aprovadas sob a gestão de Campos Neto, que teriam promovido a desregulação. A oposição, por outro lado, criticou as convocações, alegando motivação político-eleitoral, como argumentou o senador Marco Rogério (PL-RO).
Outras convocações e convites na CPI
Além das convocações principais, a CPI aprovou convites, que são opcionais, para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Também foram convidados o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A CPI também chamou os ex-ministros da Cidadania de Bolsonaro, João Roma e Ronaldo Vieira Remo, devido a supostos indícios de ligação com Daniel Vorcaro, conforme argumentou o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Requerimentos rejeitados pela Comissão
Nem todos os pedidos de convocação foram aprovados. A CPI rejeitou a convocação da administradora Letícia Caetano dos Reis, apontada como ex-funcionária de Flávio Bolsonaro e irmã de um sócio de um acusado de operar esquema de desvio de aposentados. O pedido de convocação do ex-ministro do Trabalho e Previdência Social, José Carlos Oliveira, também foi rejeitado.
Conteúdo via: Repórter Brasil Tarde, TV Brasil
