Dr. Furlan renuncia à prefeitura de Macapá após afastamento determinado pelo STF e para disputar governo do estado
O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), apresentou formalmente seu pedido de renúncia ao cargo de prefeito nesta quinta-feira (5). A decisão ocorre logo após seu afastamento das funções públicas, determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
A renúncia atende a um requisito legal para que Furlan possa concorrer ao cargo de governador do estado nas eleições deste ano, conforme estabelece a Constituição Federal. A medida visa, ainda, desvincular sua imagem das investigações em curso.
A Polícia Federal (PF) investiga Dr. Furlan e o vice-prefeito, Mario Neto, por suspeitas de desvio de recursos federais. Os valores teriam sido destinados à construção do Hospital Geral Municipal, alvo de uma operação que apura um possível esquema de fraude em licitações.
Operação Paroxismo investiga esquema de fraude em licitação de hospital
Dr. Furlan é alvo da Operação Paroxismo, que investiga um possível esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários. O foco é uma suposta fraude em licitação para a construção do Hospital Geral Municipal, com um contrato firmado no valor de cerca de R$ 70 milhões com a empresa Santa Rita Engenharia Ltda.
De acordo com a PF, há indícios de direcionamento da licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Um dos pontos levantados é que a proposta da empresa vencedora era praticamente idêntica ao orçamento de mercado feito pela própria prefeitura, sugerindo acesso prévio a informações privilegiadas.
Movimentações financeiras suspeitas e envolvimento do prefeito
Após a assinatura do contrato, a PF identificou movimentações financeiras anômalas. Sócios da empresa Santa Rita Engenharia realizaram saques vultuosos em espécie, totalizando mais de R$ 9,8 milhões. A análise da cronologia indica que esses saques ocorreram logo após os repasses feitos pela prefeitura.
A investigação aponta que parte desses recursos em espécie pode ter sido transportada em veículos de propriedade de Dr. Furlan. Além disso, foram identificadas transferências da empresa para contas ligadas à ex-esposa e à atual companheira do prefeito.
Afastamento como medida para garantir a investigação
Na decisão que determinou o afastamento de Dr. Furlan e do vice-prefeito, o ministro Flávio Dino, do STF, ressaltou a necessidade de impedir a interferência na investigação. Ele argumentou que a permanência nos cargos poderia facilitar a supressão, manipulação ou ocultação de provas.
O ministro também alertou para o risco de que os investigados pudessem voltar a cometer crimes caso permanecessem à frente dos processos licitatórios da prefeitura. A decisão visa garantir a lisura e a eficácia das apurações.
Posse interina e nova presidência na Câmara Municipal
Com o afastamento de Dr. Furlan e Mario Neto, o presidente da Câmara de Vereadores de Macapá, Pedro dos Santos Martins (Pedro DaLua), assumiu interinamente a prefeitura. Simultaneamente, a vereadora Margleide Alfaia tornou-se a presidente interina da Câmara Municipal.
A renúncia de Dr. Furlan encerra seu mandato como prefeito, mas as investigações sobre o suposto esquema de desvio de verbas e fraude em licitação prosseguem. O caso deve gerar desdobramentos políticos e jurídicos nos próximos meses.
Conteúdo via: G1
