São Paulo: 12.671 Ambulantes Lutam por Sobrevivência com Renda Baixa e Longas Jornadas; Descubra os Desafios

BeeNews 07/03/2026 | 08:15 | Brasília
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A vida dura dos trabalhadores ambulantes em São Paulo: desafios e persistência

A cidade de São Paulo abriga uma força de trabalho significativa e muitas vezes invisível: os trabalhadores ambulantes. Uma pesquisa recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) lançou luz sobre a realidade desses profissionais, revelando que mais de 12,6 mil pessoas se dedicam a essa atividade na capital.

Esses trabalhadores, que operam em cerca de 12,3 mil bancas, enfrentam uma série de obstáculos diários. Longas jornadas, informalidade e remunerações abaixo da média da cidade são apenas alguns dos desafios que marcam o cotidiano de quem vive do comércio de rua. A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (6), traz dados cruciais sobre essa parcela essencial da economia paulistana.

Apesar das adversidades, a maioria dos ambulantes demonstra uma forte resiliência e apego à profissão. Sete em cada dez trabalhadores afirmam que não desejam mudar de atividade, o que indica que o comércio de rua, para muitos, representa não apenas um meio de subsistência, mas um ofício consolidado. Conforme informação divulgada pelo Dieese, 73% dos ambulantes declararam não querer mudar de profissão.

Quem são os trabalhadores ambulantes de São Paulo?

A pesquisa do Dieese revela um perfil demográfico diversificado entre os trabalhadores ambulantes. A maioria é composta por homens, representando 63% do total, e a faixa etária predominante está entre 31 e 50 anos, correspondendo a 40% dos entrevistados. A diversidade racial também é notável, com mais da metade (53%) se autodeclarando pretos ou pardos.

Um dado de extrema relevância é a presença expressiva de imigrantes nesta categoria. Cerca de um terço dos trabalhadores ambulantes em São Paulo são estrangeiros, vindos de aproximadamente 30 nacionalidades distintas, a maioria da América do Sul. Essa população imigrante, segundo o estudo, encontra-se em uma situação ainda mais precária de trabalho.

O levantamento, intitulado “Mapeamento das Trabalhadoras e dos Trabalhadores Ambulantes da Cidade de São Paulo”, também aponta que 76% dos ambulantes são donos de suas bancas. No entanto, uma parcela significativa, 15%, trabalha sem carteira assinada, e apenas 2% possuem vínculo formal com a prefeitura.

Condições de trabalho e a busca por legalidade

A pesquisa desmistifica a ideia de que o trabalho ambulante é uma atividade passageira. Metade dos entrevistados exerce a função há menos de cinco anos, mas quase a mesma proporção (47,8%) ultrapassa esse tempo, com 15% atuando na profissão há mais de duas décadas. Isso demonstra que o comércio de rua é, para muitos, uma carreira de médio e longo prazo.

Um dos maiores gargalos para os trabalhadores ambulantes é a autorização para atuar em via pública. Apenas 39% dos entrevistados possuem permissão da prefeitura. A grande maioria, 56%, trabalha sem a devida autorização, e 80% deles expressam o desejo de regularizar sua situação, mas enfrentam barreiras como altos custos, burocracia e a dificuldade em conseguir pontos de venda adequados.

Jornadas extensas e remuneração desfavorável

As jornadas de trabalho dos ambulantes em São Paulo são, em geral, mais longas do que as de outros trabalhadores da capital. Enquanto 74% dos ocupados na cidade trabalham até 44 horas semanais, entre os ambulantes, essa porcentagem é de 56,5%. Quase metade (44%) dos trabalhadores de rua ultrapassam as 44 horas semanais, com cerca de 30% superando as 51 horas de trabalho.

A remuneração também é um ponto crítico. A renda média de um trabalhador ambulante em São Paulo é de R$ 3 mil. Esse valor representa pouco mais da metade (56%) do rendimento médio de outros ocupados na capital paulista, que é de R$ 5.323,04. Essa disparidade evidencia a precariedade financeira enfrentada por essa categoria.

O que mais vendem os ambulantes?

A variedade de produtos comercializados pelos ambulantes é vasta, refletindo a diversidade de demandas da população. As roupas lideram a lista de mercadorias, representando 55% das vendas. Em seguida, aparecem alimentos preparados para consumo imediato (14%), eletrônicos (5,4%) e bebidas (4,8%).

Outros itens com presença significativa no comércio de rua incluem alimentos industrializados (4,5%), livros, jornais e revistas (4,5%), bolsas e carteiras (4,4%) e miudezas, como bijuterias (4%). A pesquisa foi realizada em julho e agosto do ano passado, abrangendo 70 áreas de grande concentração de ambulantes na capital, com a participação de 2.772 trabalhadores.

Conteúdo via: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

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