CPI do Crime Organizado desvenda braço financeiro do PCC na Faria Lima e “A Turma” de dono do Banco Master

BeeNews 12/03/2026 | 06:04 | Brasília
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CPI do Crime Organizado avança sobre finanças do PCC na Faria Lima e grupo “A Turma” de Daniel Vorcaro

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Crime Organizado no Senado deu um passo significativo em suas apurações nesta quarta-feira (11), com a aprovação de mais de 20 requerimentos cruciais. As decisões visam desmantelar o braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) atuante na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, e aprofundar a investigação sobre o grupo conhecido como “A Turma”, ligado a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

As medidas aprovadas incluem quebras de sigilos fiscal, bancário e telefônico, além de pedidos de informações e convocações de diversos envolvidos. A operação busca lançar luz sobre esquemas de lavagem de dinheiro que movimentaram cifras bilionárias e práticas de intimidação contra adversários.

As investigações, que contam com elementos da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal, apontam para conexões entre instituições financeiras e o PCC, com indícios de atuação de ex-gestores do Banco Central no favorecimento de operações.

Quebras de sigilo e convocações miram aliados e braços financeiros do PCC

Um dos alvos centrais das investigações é Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, aliado de Vorcaro. A CPI quebrou seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. Mourão foi preso pela Polícia Federal na semana passada e tentou suicídio após a detenção. A comissão também solicitou informações sobre o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, foi convocado pela CPI. Segundo o senador Humberto Costa (PT-PE), as investigações da Operação Carbono Oculto indicam que Zettel possui conexões financeiras diretas com a Reag Investimentos e o Banco Master, apontados como braços financeiros do PCC na Faria Lima.

Empresários e investigados suspeitos de associação com a lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima também tiveram seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos quebrados. Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, considerado responsável pela gestão de distribuidoras de combustíveis usadas para lavar dinheiro do PCC, é um deles. O esquema, que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizava postos de combustíveis e fundos de investimento.

Mohamad Hussein Mourad, apontado como um dos principais operadores da lavagem de dinheiro do PCC e com conexões no Banco Master, também teve seus sigilos quebrados. Além deles, Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, seu sócio oculto, foram alvos de quebra de sigilo. A empresa de Maximiano foi usada para lavar dinheiro do PCC e realizar fraudes bilionárias.

Ex-diretores do Banco Central e consultoria ligada a Vorcaro sob escrutínio

A CPI aprovou a convocação de ex-dirigentes do Banco Central (BC): Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Segundo o senador Humberto Costa, um relatório da PF sugere que ambos atuaram como consultores informais de Daniel Vorcaro.

A atuação teria facilitado a compra do Banco Máxima (posteriormente Banco Master) e o vazamento de informações sigilosas do BC para o banqueiro. A CPI também quebrou os sigilos da Varajo Consultoria, ligada a Vorcaro, e convocou seu chefe, Leonardo Augusto Furtado Palhares. A consultoria teria proposto pagamento a um servidor do BC.

“A Turma” de Daniel Vorcaro e o esquema de intimidação são investigados

O grupo “A Turma”, utilizado para monitorar e intimidar adversários de Daniel Vorcaro, também está sob investigação. O grupo teria discutido simular um assalto para agredir um jornalista de O Globo. A CPI convocou Ana Cláudia Queiroz de Paiva, que supostamente participava dos pagamentos para as atividades do grupo.

Os sigilos de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da PF e operador do grupo “A Turma”, foram quebrados. Além disso, a CPI quebrou os sigilos de empresas ligadas ao Banco Master, como King Participações Imobiliárias e King Motors Locação de Veículos. Foram solicitadas informações sobre o proprietário de um avião usado para transportar aliados de Vorcaro e a lista de passageiros.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou que a investigação sugere que altas autoridades da República podem ter utilizado aeronaves particulares, com base em informações da Operação Compliance Zero. O empresário Vladimir Timerman, que denunciava fraudes no Master há anos, foi convidado para depor.

Conteúdo via: g1

Palavras-chave: Política | BeeNews, vorcaro, banco, sigilos, grupo, daniel, master, turma, informações, dinheiro, faria
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