O setor de aviação civil no Brasil enfrenta um cenário de incertezas após o recente reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa as principais companhias do país, expressou profunda preocupação com as “consequências severas” que essa medida poderá acarretar, especialmente no que tange à expansão de novas rotas e à oferta de serviços aéreos.
Este aumento, somado a um reajuste anterior de 9,4% em vigor desde o início de março, eleva o custo do combustível a um patamar crítico, impactando diretamente a viabilidade operacional das empresas. A entidade ressalta que a precificação do QAV, mesmo sendo majoritariamente produzido internamente, acompanha a paridade internacional, intensificando os efeitos das flutuações do barril de petróleo sobre o mercado doméstico.
Escalada de Custos Operacionais Ameaça Setor Aéreo
Com o mais recente reajuste, o querosene de aviação passa a representar cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, segundo a Abear. Este percentual é significativamente maior do que a média histórica e o patamar de aproximadamente 30% dos custos totais que os combustíveis representavam, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A elevação drástica dos custos do combustível coloca uma pressão sem precedentes sobre as finanças das empresas, que já operam em um ambiente competitivo e com margens apertadas. A Abear, que congrega companhias como Azul, Boeing, Gol, Gol Log, Latam, Latam Cargo, Rima, Sideral e Total Express, tem sido vocal em suas advertências sobre o impacto direto na capacidade de investimento e expansão.
Preocupações com a Conectividade e Democratização do Transporte
A principal preocupação manifestada pela Abear é a restrição da conectividade do país e a desaceleração do processo de democratização do transporte aéreo. A abertura de novas rotas, especialmente para cidades menores ou regiões com menor demanda, torna-se economicamente inviável diante de custos tão elevados.
A entidade argumenta que a capacidade das companhias de oferecer novos serviços e expandir sua malha aérea é diretamente proporcional à estabilidade e previsibilidade dos custos operacionais. A instabilidade gerada pelos reajustes do QAV pode, portanto, limitar o acesso da população ao transporte aéreo, impactando o desenvolvimento regional e o turismo.
Estratégia de Parcelamento da Petrobras e Cenário Global
Em resposta às preocupações do setor, a Petrobras anunciou uma medida para mitigar os impactos imediatos do reajuste. Distribuidoras que atendem à aviação comercial terão a opção de pagar apenas 18% do aumento de forma imediata, parcelando a diferença em até seis vezes, com início a partir de julho. Essa estratégia busca oferecer um fôlego financeiro às empresas em um momento de alta pressão.
O preço do QAV é definido mensalmente pela Petrobras, sempre no primeiro dia do mês. O reajuste atual ocorre em um contexto de escalada global no preço do barril de petróleo, atribuída à guerra no Irã. Em meses anteriores, o QAV registrou um aumento médio de 9% em março e uma redução de 1% em fevereiro, demonstrando a volatilidade do mercado.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
