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Trump condiciona ajuda à Ucrânia à reabertura do Estreito de Ormuz por aliados

BeeNews 02/04/2026 | 09:06 | Brasília
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria ameaçado interromper o fornecimento de armas à Ucrânia caso os aliados europeus não auxiliem Washington na reabertura do estratégico Estreito de Ormuz. A informação, divulgada na quarta-feira, 1º de abril, pelo jornal britânico Financial Times, baseia-se em relatos de três autoridades de governos ocidentais familiarizadas com as discussões, revelando uma complexa teia de pressões geopolíticas que conecta o conflito na Ucrânia à segurança energética global.

A suposta condição imposta por Trump destaca a crescente interconexão entre diferentes focos de tensão internacional e a busca por apoio dos EUA em múltiplas frentes. A demanda por ação no Estreito de Ormuz, uma via marítima vital, coloca os países europeus em uma posição delicada, equilibrando o apoio à Ucrânia com os riscos de um envolvimento direto em um novo conflito no Oriente Médio.

Trump condiciona apoio militar à Ucrânia à ação no Estreito de Ormuz

De acordo com a reportagem do Financial Times, o presidente Donald Trump teria exigido que as marinhas dos países membros da OTAN contribuíssem para a reabertura do Estreito de Ormuz. Esta passagem marítima crucial, que antes do conflito no Oriente Médio era responsável pelo trânsito de aproximadamente 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) do mundo, encontra-se quase totalmente fechada pelo Irã desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o regime islâmico.

A resposta dos governos europeus da aliança, no entanto, foi negativa. Eles teriam alegado que tal tarefa seria “impossível” enquanto o conflito estivesse em curso, com vários deles afirmando que esta “guerra não é nossa”. Diante da recusa, Trump teria respondido com a ameaça de cortar o fornecimento de armas para a Ucrânia, que atualmente recebe armamentos americanos por meio de um programa financiado pelos próprios integrantes europeus da OTAN para uso contra a Rússia.

O Estreito de Ormuz: um ponto estratégico de tensão global

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes e sensíveis do mundo, conectando o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e, consequentemente, aos mercados globais. Sua importância estratégica é imensa, pois por ele escoa uma parcela significativa da produção mundial de petróleo e gás. O fechamento ou a restrição de sua passagem tem o potencial de causar um impacto econômico devastador em escala global, afetando os preços de energia e a estabilidade dos mercados.

A situação atual, com o estreito quase totalmente bloqueado pelo Irã em meio ao conflito com os EUA e Israel, ressalta a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos de energia e a complexidade das relações internacionais. A pressão exercida por Trump sobre os aliados europeus para reabri-lo demonstra a urgência e a prioridade que os Estados Unidos atribuem à liberdade de navegação nesta área, mesmo que isso signifique vincular a questão a outros conflitos em andamento.

Para mais informações sobre a geopolítica do Oriente Médio, visite Reuters – Oriente Médio.

Reação dos aliados europeus e a pressão da OTAN

A pressão de Trump gerou uma declaração divulgada às pressas em 19 de março, na qual França, Alemanha, Reino Unido e outros países manifestaram “disposição em contribuir com os esforços apropriados para garantir a passagem segura pelo estreito”. Segundo uma das fontes do Financial Times, a insistência para a declaração conjunta partiu do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.

Outro funcionário revelou que Rutte, em uma ligação telefônica com representantes da França, Alemanha e Reino Unido, teria afirmado que Trump estava “bastante histérico” com a recusa em ajudar a reabrir Ormuz. Apesar da declaração de intenções, nenhuma ação concreta foi tomada até o momento. Na quinta-feira, 2 de abril, a secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, presidiu uma reunião virtual com 35 países para analisar medidas que permitam reabrir o estreito, mas com a condição de que isso ocorra apenas “quando as circunstâncias permitirem”, ou seja, após um cessar-fogo.

Posicionamento da Casa Branca e implicações futuras

Questionada pelo Financial Times sobre a suposta ameaça de interromper o envio de armas à Ucrânia, a vice-secretária de imprensa da Casa Branca, Anna Kelly, não confirmou diretamente a informação. Contudo, Kelly declarou que “o presidente Trump deixou clara sua decepção com a OTAN e outros aliados e, como o presidente enfatizou, ‘os Estados Unidos se lembrarão’”.

Essa declaração, embora não seja uma confirmação explícita da ameaça, reforça a percepção de uma insatisfação profunda por parte da administração Trump em relação à cooperação dos aliados em questões estratégicas. A situação evidencia a complexidade das alianças internacionais e a possibilidade de que o apoio a um conflito seja condicionado a outros interesses geopolíticos, com potenciais implicações para a unidade da OTAN e o futuro da assistência militar à Ucrânia.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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