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Conflito no Oriente Médio provoca queda de 26% nas exportações brasileiras em março

BeeNews 07/04/2026 | 19:11 | Brasília
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As exportações brasileiras para o Oriente Médio registraram uma queda significativa de 26% em março, marcando o primeiro mês completo do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Este recuo representa uma diminuição de US$ 1,2 bilhão em março do ano anterior para US$ 882 milhões neste ano, conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A instabilidade geopolítica na região tem gerado preocupações sobre o fluxo comercial, especialmente para o Brasil, que mantém relações econômicas importantes com os 15 países que compõem o Oriente Médio. Embora os impactos totais ainda estejam sendo avaliados, os números iniciais já indicam uma retração considerável em setores-chave da economia nacional.

Agronegócio Sente o Impacto e Estratégias de Contorno

A maior parte da queda nas exportações foi sentida pelo setor do agronegócio. Produtos como a carne suína sofreram um recuo de 59% nas vendas, enquanto o frango, que é o principal item exportado para o Oriente Médio, teve uma diminuição de aproximadamente 22%. As vendas de soja para a região também apresentaram uma queda de 25%.

Apesar dos dados, o diretor de Estatísticas do Mdic, Herlon Brandão, adverte que é prematuro atribuir todos os efeitos diretamente ao conflito. Ele enfatiza a necessidade de um período de observação mais longo para confirmar a extensão do impacto sobre o fluxo comercial. Em uma tentativa de mitigar os problemas logísticos, o Brasil firmou um acordo com a Turquia no final de março. Este acordo visa permitir a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias do agronegócio destinadas ao Oriente Médio e à Ásia Central, com os resultados esperados para aparecer na balança comercial de abril.

Petróleo em Destaque Positivo Apesar de Incertas Conexões

Em contraste com a retração do agronegócio, o petróleo bruto se destacou positivamente nas exportações brasileiras. As vendas de óleo bruto avançaram 70,4% em valor, atingindo US$ 4,7 bilhões, e em volume, o crescimento foi de 75,9%. O governo, no entanto, ressalta que ainda não é possível estabelecer uma ligação direta entre esse aumento e o conflito, mesmo com a guerra já afetando cerca de 20% do comércio global de petróleo e elevando os preços do barril no mercado internacional.

Para os próximos meses, a expectativa é de uma queda nas vendas de petróleo. Em meados de março, uma alíquota de 12% foi introduzida sobre as exportações brasileiras de petróleo, como medida para compensar parte dos subsídios concedidos ao diesel. Esta política pode influenciar os resultados futuros do setor.

Repercussões Globais e a Balança Comercial Brasileira

Além do Oriente Médio, outros mercados importantes também registraram redução nas compras de produtos brasileiros em março, em comparação com o mesmo período do ano anterior. As exportações para os Estados Unidos caíram 9,1%, enquanto o Canadá e a Argentina apresentaram recuos de 10% e 5,9%, respectivamente. Este cenário demonstra uma volatilidade mais ampla no comércio internacional.

Em contrapartida, as vendas para a China cresceram 17,8% no mês, solidificando a posição do país asiático como o principal parceiro comercial do Brasil. A União Europeia também aumentou suas compras em 7,3%. Apesar da queda nas vendas para a Argentina, o Brasil conseguiu manter um saldo positivo na balança comercial com o país vizinho.

Superávit Mantido em Meio às Flutuações

Apesar das quedas pontuais em algumas regiões, o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março. As exportações totais somaram US$ 31,7 bilhões, representando uma alta de 10%. As importações, por sua vez, cresceram 20,1%, alcançando US$ 25,2 bilhões. Este resultado reflete a complexidade dos impactos iniciais do conflito sobre o comércio global, com efeitos variados entre diferentes regiões e categorias de produtos, especialmente aqueles ligados à energia e alimentos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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