tação” de rivalidades e conflitos que “nada têm a ver com os interesses de nosso

Brasil lidera Zopacas e defende Atlântico Sul livre de conflitos e pela sustentabilidade

BeeNews 09/04/2026 | 15:40 | Brasília
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O Brasil assumiu nesta quinta-feira (9) a presidência rotativa da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), marcando um compromisso renovado com a estabilidade e a sustentabilidade na região. Em um cenário global de crescentes tensões, a diplomacia brasileira defende que o Atlântico Sul deve permanecer livre de conflitos e disputas geopolíticas, priorizando a cooperação e a proteção ambiental entre seus mais de 20 países membros.

A liderança brasileira na aliança, que congrega nações da América do Sul e da costa oeste africana, reforça a visão de que os oceanos devem ser elementos de união. A pauta inclui a desnuclearização da região, a segurança marítima e a promoção do desenvolvimento sustentável, em um esforço para blindar o Atlântico Sul das rivalidades que atualmente afetam diversas partes do mundo.

Liderança brasileira e o apelo por um Atlântico Sul pacífico

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, inaugurou a reunião de ministros e vice-ministros da Zopacas na Escola Naval, no Rio de Janeiro, com uma declaração contundente. Ele rejeitou a “importação” de rivalidades e conflitos externos que, segundo ele, “nada têm a ver com os interesses de nossos povos”. Vieira enfatizou que canais, golfos, estreitos, mares e oceanos devem ser elementos de aproximação, e não de discórdia.

A preocupação com o cenário internacional foi um ponto central do discurso. O ministro destacou a visão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o aumento do número de conflitos armados globalmente, o maior desde a Segunda Guerra Mundial. Essa instabilidade, segundo Vieira, tem gerado impactos desproporcionais nas economias dos países mais pobres e em desenvolvimento, especialmente no aumento dos preços de energia e alimentos, agravados pelas tensões na Ucrânia e no Oriente Médio.

A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas): objetivos e membros

A Zopacas, um acordo estabelecido em 1986 pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem como missão fundamental manter o Atlântico Sul livre de armas nucleares e de destruição em massa. Além de parcerias em defesa e segurança, a aliança busca entendimentos multilaterais em áreas cruciais como meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

A organização congrega 24 nações, incluindo Brasil, Argentina e Uruguai na América do Sul, e 21 países da costa oeste africana, desde o Senegal até a África do Sul, abrangendo também o arquipélago de Cabo Verde. O Brasil, um dos idealizadores da Zopacas há 40 anos, assume agora a presidência rotativa por um período de três anos, sucedendo Cabo Verde, e reafirma a prioridade da zona de cooperação em sua política externa.

Com a maior porção litorânea banhada pelo Atlântico Sul, totalizando cerca de 10,9 mil quilômetros, o Brasil desempenha um papel estratégico na região. No lado africano, Angola e Namíbia possuem as maiores extensões costeiras, sublinhando a importância geográfica e geopolítica da Zopacas.

Compromissos ambientais e segurança marítima

A agenda da Zopacas sob a liderança brasileira vai além da desnuclearização, abrangendo a segurança marítima e a conservação ambiental. O ministro Mauro Vieira ressaltou a importância do combate ao tráfico de drogas por embarcações, à pirataria e à pesca ilegal, que representam ameaças significativas à estabilidade regional.

No âmbito ambiental, o Brasil manifestou a intenção de buscar a aprovação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul na próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia, prevista para este ano. Além disso, a reunião no Rio de Janeiro culminará na assinatura da Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul, um marco que estabelecerá medidas de prevenção, redução e controle de danos ao ecossistema marinho. Vieira reiterou o compromisso dos países da região em assumir responsabilidades ambiciosas para a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável.

A cooperação brasileira para o desenvolvimento regional

A Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores, é um instrumento essencial para o engajamento do Brasil com os demais países da Zopacas. A diretora-adjunta da ABC, embaixadora Luiza Lopes da Silva, explicou que a agência oferece um vasto portfólio de projetos. Estes servem como modelos de políticas públicas que podem ser adotadas voluntariamente por outras nações, abrangendo desde o combate à fome e o desenvolvimento econômico até avanços tecnológicos na agricultura.

Entre os temas abordados pela cooperação brasileira estão a redução da pobreza, programas de alimentação escolar, apoio à agricultura familiar e ao cooperativismo, construção de cisternas, criação de centros de formação profissional e suporte a micro e pequenas empresas, em parceria com o Sebrae. A embaixadora destacou que esses projetos visam resultados estruturantes e que o Brasil atua sob demanda, permitindo que os países parceiros escolham as prioridades que melhor atendam às suas necessidades e soberania. Para mais informações sobre a atuação brasileira, clique aqui.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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