Ministro da Hungria/ZOLTAN FISCHE/TIBOR ILLYES/EFE/EPA )

Eleição Hungria: Viktor Orbán enfrenta pleito decisivo com ex-aliado e apoio de Trump

BeeNews 11/04/2026 | 21:10 | Brasília
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O cenário político húngaro está em efervescência com as eleições parlamentares marcadas para este domingo (12), um pleito que pode redefinir a liderança do país. O atual primeiro-ministro, Viktor Orbán, que está no poder há 16 anos, enfrenta um desafio significativo, com pesquisas indicando uma disputa acirrada e até mesmo uma possível desvantagem.

Os cidadãos húngaros irão às urnas para eleger os membros do parlamento, e o resultado determinará o próximo chefe de governo. Orbán lidera o partido Fidesz, uma legenda conservadora que tem mantido a maioria parlamentar na Hungria desde 2010. Contudo, o principal adversário neste ciclo eleitoral é o partido Tisza, comandado por Péter Magyar, um ex-aliado de Orbán que rompeu com o governo em 2024, emergindo como uma força política surpreendente.

Eleição Húngara: A Disputa Pelo Parlamento

A corrida eleitoral na Hungria tem sido marcada por uma intensa polarização. As projeções do jornal Politico indicam que o partido Tisza, de Péter Magyar, alcança cerca de 50% das intenções de voto, superando os 39% do Fidesz, de Viktor Orbán. Essa margem sugere uma eleição com um resultado potencialmente transformador para a política húngara.

A ascensão de Magyar e do Tisza representa o maior desafio ao domínio do Fidesz desde o retorno de Orbán ao poder. A campanha de Magyar tem se concentrado em uma abordagem de base, percorrendo o país e mobilizando eleitores em cidades e vilarejos que tradicionalmente apoiavam o partido governista.

Apoio Internacional e Pressões Externas na Campanha Húngara

A eleição húngara ganhou destaque internacional nos últimos dias, atraindo o apoio de figuras políticas globais. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou publicamente seu forte endosso a Orbán nas redes sociais, prometendo o uso do “poderio econômico dos Estados Unidos para fortalecer a economia húngara” caso o premiê seja reeleito. O vice-presidente americano J.D. Vance também viajou a Budapeste para apoiar a campanha de Orbán.

Além de Trump, Orbán conta com o respaldo de outros líderes da direita internacional. Um vídeo de campanha divulgado em janeiro incluiu mensagens de apoio da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, da líder nacionalista francesa Marine Le Pen, do presidente argentino Javier Milei e do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. O premiê húngaro também mantém uma forte afinidade e apoio do regime de Vladimir Putin, da Rússia.

Apesar do significativo apoio externo, Viktor Orbán enfrenta uma crescente insatisfação entre o eleitorado húngaro. Dificuldades econômicas, denúncias de corrupção — que posicionam a Hungria entre os países mais criticados nesse quesito na União Europeia — e a política externa do governo têm alimentado o descontentamento. A aproximação de Orbán com a Rússia, em particular, é um ponto de grande sensibilidade.

Pesquisas da agência Median revelam que 52% dos húngaros consideram a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 como uma agressão injustificada, o que indica uma resistência popular ao discurso pró-Moscou adotado pelo premiê. Mesmo após o início do conflito, o governo húngaro manteve a importação de energia russa e chegou a declarar, em fevereiro, que a União Europeia representaria uma ameaça maior à Hungria do que a própria Rússia, aprofundando o distanciamento político dentro do bloco europeu.

A insatisfação interna foi catalisada por um escândalo em fevereiro de 2024, quando a então presidente da Hungria, Katalin Novák, e a ministra da Justiça, Judit Varga — ex-esposa de Péter Magyar —, membros do Fidesz, renunciaram após a concessão de indulto a um homem condenado por acobertar casos de abuso sexual infantil. Este evento foi o estopim para a ruptura de Magyar com o Fidesz, que acusou o governo de usar as mulheres como “bodes expiatórios” e denunciou um “sistema político marcado por corrupção”.

A Estratégia dos Candidatos e o Objetivo da Maioria Qualificada

Na véspera da eleição, dezenas de milhares de húngaros se reuniram na Praça dos Heróis, em Budapeste, em um grande protesto contra o Fidesz de Orbán. Péter Magyar encerrou sua campanha com um discurso em Debrecen, a segunda maior cidade do país, após uma maratona de eventos. Ele expressou confiança em uma “vitória com maioria de dois terços”, um objetivo estratégico crucial para sua plataforma.

No parlamento húngaro, composto por 199 cadeiras, uma maioria simples permitiria a Magyar formar governo. No entanto, para desfazer as mudanças institucionais implementadas ao longo dos anos pelo Fidesz — uma das principais promessas de campanha da oposição —, seriam necessários cerca de 133 assentos, o que representa dois terços do parlamento. Esse patamar garantiria a Magyar o poder para reverter a estrutura política consolidada pelo atual governo, caso vença.

Viktor Orbán também mobilizou sua base, realizando um comício em Székesfehérvár, um reduto tradicional do Fidesz, antes de encerrar sua campanha na capital. Diante de seus apoiadores, ele alertou sobre os riscos de uma derrota, afirmando que “podemos perder tudo o que construímos”, e reiterou a mensagem de que a União Europeia e a Ucrânia representam ameaças à Hungria.

O Perfil dos Protagonistas: Orbán e Magyar em Perspectiva

Ao longo de seus mandatos, Viktor Orbán consolidou uma agenda política caracterizada pelo endurecimento das políticas migratórias, com rigoroso controle das fronteiras durante a crise migratória europeia, e pela valorização de pautas conservadoras, como incentivos à família e à natalidade. Seu governo também implementou leis que restringem a promoção de conteúdos relacionados à homossexualidade para menores e reforçou uma postura de soberania nacional frente a decisões de Bruxelas, resistindo a diretrizes da União Europeia em temas como imigração, políticas culturais e organização institucional.

Péter Magyar, de 45 anos, passou grande parte de sua vida adulta dentro do círculo de poder do Fidesz, tendo atuado como diplomata húngaro em Bruxelas. Sua ruptura com o partido de Orbán em fevereiro de 2024, após o escândalo de indulto, o impulsionou para a liderança do Tisza. Magyar se apresenta como um “conservador de centro-direita”, não como uma alternativa de esquerda.

Suas principais promessas incluem o combate à corrupção, o aumento da independência da mídia pública e do judiciário — que, segundo analistas, foram “capturados” por Orbán —, a ampliação da transparência em licitações públicas e a imposição de um limite de dois mandatos para primeiros-ministros. Em relação à Rússia, Magyar promete reduzir a dependência energética do país até 2035 e adota uma postura mais favorável a Kiev do que Orbán, defendendo o realinhamento com a União Europeia, embora mantenha a posição de não enviar armas para a Ucrânia.

Pesquisadores pró-governo sugerem que a disputa pode ser mais apertada do que as pesquisas indicam, lembrando que o Fidesz possui uma base de eleitores fiéis que nem sempre se declaram nas sondagens. Orbán já havia sido premiê da Hungria entre 1998 e 2002, antes de retornar ao poder em 2010. A eleição deste domingo (12) será um teste crucial para o futuro político da Hungria.

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Fonte: gazetadopovo.com.br

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