feira (9) (Foto: Renato Pajuelo/EFE )

Peru busca superar década de instabilidade política em eleição crucial

BeeNews 12/04/2026 | 01:11 | Brasília
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O Peru se prepara para um momento decisivo em sua trajetória política, com a realização do primeiro turno de uma eleição presidencial que busca encerrar uma década marcada por profunda instabilidade. Nos últimos dez anos, o país viu oito presidentes ocuparem o cargo, com nenhum deles conseguindo completar o mandato de cinco anos. Esse cenário de turbulência é agravado por um histórico recente de ex-mandatários condenados, refletindo uma crise institucional e de governabilidade sem precedentes na história moderna peruana.

A eleição, cujo primeiro turno ocorre neste domingo, 12 de maio, é vista como uma oportunidade para o Peru encontrar um líder capaz de restaurar a ordem e a confiança. No entanto, o desânimo da população é palpável, com pesquisas indicando que a intenção de voto em branco supera o apoio aos candidatos favoritos. Este quadro complexo sublinha a urgência de uma liderança que consiga não apenas vencer as urnas, mas também unir um país fragmentado e cético em relação à sua classe política.

A década de instabilidade política no Peru

A última década foi particularmente volátil para o Peru, caracterizada por uma sucessão rápida de chefes de Estado. Desde 2016, nenhum presidente conseguiu permanecer no cargo até o fim de seu mandato. Nomes como Pedro Pablo Kuczynski e Martín Vizcarra foram destituídos em meio a acusações de corrupção, enquanto Pedro Castillo e Dina Boluarte enfrentaram remoção pelo Congresso, em contextos de tentativas de golpe e crises de segurança pública. Essa rotatividade constante tem impedido a implementação de políticas de longo prazo e a consolidação de projetos nacionais.

A fragilidade dos governos é frequentemente atribuída a uma combinação de corrupção sistêmica e um mecanismo constitucional controverso. A falta de uma base de apoio parlamentar sólida tem sido um fator crucial, transformando cada mandato presidencial em uma batalha constante com o Poder Legislativo. Essa dinâmica tem desgastado a confiança nas instituições e aprofundado a crise política.

A controvérsia da ‘incapacidade moral’ no Peru

Um dos principais motores da instabilidade é o dispositivo constitucional que permite ao Congresso destituir o presidente por ‘incapacidade moral permanente’. Este termo, considerado vago por especialistas, tem sido ‘vulgarizado’ e transformado em uma arma política. Em vez de ser usado para casos extremos de inaptidão, a ferramenta passou a ser empregada em disputas de poder entre o Legislativo e o Executivo, tornando qualquer governo com pouca base de apoio parlamentar extremamente vulnerável a moções de vacância.

A interpretação ampla e o uso frequente dessa cláusula têm minado a estabilidade democrática do Peru. A facilidade com que um presidente pode ser removido do cargo, sem a necessidade de um crime específico, cria um ambiente de incerteza e impede a governabilidade. Essa peculiaridade jurídica peruana é apontada como um dos fatores que mais contribuem para o ciclo vicioso de crises presidenciais.

O histórico de corrupção e ex-presidentes condenados

O Peru enfrenta um cenário raro, onde a maioria de seus ex-presidentes vivos deste século já enfrentou ou está enfrentando processos judiciais e prisão. Somente no último ano, quatro ex-mandatários foram condenados: Pedro Castillo, Martín Vizcarra, Alejandro Toledo e Ollanta Humala. Os crimes variam desde lavagem de dinheiro e conluio com empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht, até tentativas de ruptura da ordem democrática. Este histórico de corrupção em altos escalões do poder tem corroído a fé pública e a legitimidade das instituições.

A revelação de esquemas de corrupção envolvendo figuras políticas proeminentes tem sido um catalisador para a indignação popular e a desconfiança generalizada. A impunidade percebida e a constante exposição de escândalos contribuem para o ciclo de instabilidade, dificultando a emergência de lideranças com credibilidade inquestionável. Para mais informações sobre a política latino-americana, consulte notícias sobre a região.

Desafios para o próximo governo peruano

Os favoritos para avançar ao segundo turno, previsto para junho, são Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori e que tenta a presidência pela quarta vez, e Rafael López Aliaga, empresário e ex-prefeito de Lima. Ambos representam a direita política e enfrentam o desafio de conquistar a confiança de um eleitorado desiludido. Além de recuperar a economia, o vencedor terá a árdua tarefa de governar com um Congresso pulverizado, onde a ausência de partidos nacionais fortes dificulta a formação de maiorias estáveis.

O grande objetivo do próximo presidente será quebrar o ciclo de crises e conseguir, finalmente, governar pelos cinco anos previstos pela lei. A fragilidade da legitimidade, muitas vezes decorrente de votações baixas que os levam ao poder, exige uma capacidade de articulação política e um compromisso com a estabilidade que poucos líderes peruanos recentes conseguiram demonstrar. A eleição atual representa uma chance crucial para o Peru trilhar um caminho de maior previsibilidade e governabilidade.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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