O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou neste domingo sua convicção de que o Irã retomará as negociações com Washington, apesar do recente encerramento sem acordo das conversas realizadas no Paquistão. Em entrevista à emissora Fox News, Trump previu que a república islâmica acabará cedendo às demandas americanas, reiterando uma postura de firmeza que tem marcado a relação entre os dois países.
O impasse diplomático ocorre em um cenário de tensões crescentes, com os Estados Unidos impondo sanções e adotando uma retórica assertiva. As delegações de ambos os países haviam se reunido em Islamabad, no que foi considerado o encontro de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979, mas as mais de 20 horas de diálogo não resultaram em um consenso.
A previsão de Trump para as negociações com Teerã
Donald Trump afirmou categoricamente que o Irã “não tem opções” e que os Estados Unidos poderiam derrotar a nação persa “em um único dia”. Esta declaração reforça a visão do presidente americano de que a pressão exercida por Washington é o principal motor para forçar Teerã a reconsiderar sua posição. Ele expressou o desejo de “tudo” por parte do Irã, indicando que as exigências americanas são abrangentes e não negociáveis em sua essência.
Retórica forte e a “mudança de civilização”
O presidente americano defendeu suas declarações anteriores, nas quais ameaçou “acabar com a civilização” iraniana, argumentando que foi essa retórica que impulsionou o Irã à mesa de negociações. “Quando falo de uma civilização, refiro-me ao fato de que ela realmente mudou. De verdade”, disse Trump, que frequentemente sugere uma mudança de regime no Irã, vinculando-a à ofensiva militar que resultou na morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro. Para Trump, seus comentários “marcantes” foram decisivos para que as negociações se iniciassem e não fossem abandonadas.
O controle do Estreito de Ormuz e a remoção de minas
Em um desdobramento relacionado às tensões com o Irã, Trump anunciou que os Estados Unidos assumiriam o controle do Estreito de Ormuz e removeriam as minas supostamente colocadas pela república islâmica. O estreito, uma rota marítima vital por onde transita um quinto do petróleo mundial, havia sido fechado pelos iranianos em retaliação à ofensiva americana e israelense iniciada em fevereiro. O presidente americano justificou a decisão afirmando que Teerã se recusou a renunciar às suas “ambições nucleares”.
A participação do Reino Unido e o contexto internacional
Trump também mencionou que o Reino Unido e outros países auxiliariam nas operações de remoção de minas no Estreito de Ormuz. “Contamos com caça-minas de última geração, os mais modernos e avançados, mas também estamos incorporando caça-minas mais tradicionais. Pelo que entendi, o Reino Unido e mais alguns países estão enviando caça-minas”, declarou. No entanto, o governo do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que havia sido criticado por Trump por sua suposta falta de envolvimento militar na reabertura do estreito, não confirmou oficialmente sua participação nessas tarefas. A situação sublinha a complexidade das alianças e a dinâmica geopolítica em torno do Irã.
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Fonte: gazetadopovo.com.br
