fragilidades na operação fiscal das empresas. A menos de nove meses do início da

Empresas brasileiras enfrentam lentidão e ‘falsa automação’ fiscal às vésperas da reforma tributária

BeeNews 11/04/2026 | 10:59 | Brasília
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A iminente implementação do Imposto sobre Valor Adicionado Dual (IVA dual) no Brasil está expondo fragilidades significativas nas operações fiscais das empresas. Com menos de nove meses para o início de sua vigência, um panorama preocupante emerge: grande parte das companhias ainda se debate com processos morosos e uma dependência excessiva de tarefas manuais, contrariando a percepção de modernização. Este cenário levanta questões cruciais sobre a capacidade das organizações de se adaptarem às profundas mudanças que a reforma tributária trará.

Um levantamento recente, realizado pela V360, empresa especializada em automação de pagamentos a fornecedores, revela dados que acendem um alerta. A pesquisa aponta que uma parcela considerável das empresas leva mais de 20 dias para registrar uma nota fiscal em seus sistemas, com um percentual ainda maior ultrapassando a marca de 30 dias. Essa lentidão contrasta diretamente com a autodeclaração de alto nível de automação fiscal por parte da maioria das companhias, evidenciando um fenômeno que especialistas denominam de “falsa automação”.

A ‘falsa automação’ e a lentidão no registro de notas

Apesar de 87% das empresas afirmarem possuir um alto nível de automação fiscal, os dados práticos contam uma história diferente. A “falsa automação” ocorre quando os processos são digitalizados, mas ainda exigem intervenção humana substancial para serem concluídos. O estudo da V360, que ouviu 355 profissionais de médias e grandes empresas com alto volume operacional, destaca que 62,2% das companhias demoram mais de 20 dias para registrar uma nota fiscal, e 22,3% levam mais de 30 dias.

Essa discrepância é particularmente relevante, considerando que 63% das empresas pesquisadas processam mais de 10 mil notas fiscais por mês. Embora 61% consigam capturar notas fiscais automaticamente, apenas 49% realizam o registro completo no sistema sem a necessidade de ação manual. O presidente-executivo da V360, Izaias Miguel, explica que muitos sistemas de Enterprise Resource Planning (ERP) dependem de integrações e validações adicionais para operar plenamente no complexo ambiente tributário brasileiro.

Riscos e gargalos na validação de documentos fiscais

A automação incompleta e a dependência de intervenções manuais geram riscos operacionais significativos. O levantamento revela que apenas 48% das empresas realizam uma conferência completa das notas fiscais, comparando itens, valores e quantidades com os pedidos de compra correspondentes. Outras 44% efetuam checagens parciais, enquanto 8% ainda dependem de processos totalmente manuais para essa validação crítica.

Esse cenário de validação deficiente aumenta a probabilidade de pagamentos indevidos, erros fiscais e uma perda generalizada de controle interno. Tais falhas são especialmente problemáticas em organizações que lidam com um grande volume de fornecedores e transações. Izaias Miguel ressalta que o tempo decorrido entre a emissão e o registro de uma nota fiscal serve como um indicador claro de eficiência, e semanas de atraso apontam para um acúmulo de exceções e retrabalho.

Pressão da nova legislação e a fase de testes do IVA dual

A chegada do novo modelo tributário, com a introdução do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) – que comporão o IVA Dual –, promete intensificar os desafios existentes. As empresas precisarão adaptar seus sistemas para gerenciar simultaneamente as regras antigas e as novas, adicionando uma camada extra de complexidade aos processos já fragilizados.

Em 2026, a reforma tributária entra em uma fase de testes, onde as empresas cobrarão alíquotas simbólicas de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, que serão deduzidas dos tributos atuais. No entanto, as obrigações acessórias são imediatas: as companhias devem destacar a CBS e o IBS nas notas fiscais, preencher novos campos e informar corretamente a classificação fiscal de produtos e serviços. A Receita Federal chegou a suspender as multas por falta de discriminação dos novos tributos até o quarto mês seguinte à regulamentação, mas a exigência de adaptação permanece. Para mais informações sobre a fase de testes, consulte a Agência Brasil.

Automação como pilar estratégico na adaptação tributária

Diante das transformações iminentes, a automação fiscal transcende a função de mera ferramenta operacional, tornando-se um pilar estratégico essencial para a sobrevivência e competitividade das empresas. A avaliação do CEO da V360 enfatiza que o principal desafio não reside apenas na compreensão da reforma, mas na sua execução dentro de estruturas corporativas que, muitas vezes, são complexas e carecem de integração.

Empresas que investirem em automação robusta e eficiente estarão mais aptas a ganhar agilidade para navegar pelas mudanças, minimizando custos e erros. Por outro lado, aquelas que mantiverem processos fragmentados e dependentes de intervenção manual podem enfrentar um aumento de despesas, maior incidência de falhas e dificuldades significativas na adaptação ao novo cenário tributário. A modernização dos sistemas fiscais é, portanto, um imperativo para garantir a conformidade e a eficiência operacional no Brasil pós-reforma.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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