tar diesel, muito sujeito à geopolítica mundial, a gente produz o nosso produto

Avanço do biodiesel blinda Brasil de impactos da geopolítica mundial

BeeNews 08/04/2026 | 21:27 | Brasília
4 min de leitura 771 palavras

O Brasil busca fortalecer sua autonomia energética e reduzir a vulnerabilidade a flutuações do mercado global de combustíveis, impulsionado por tensões geopolíticas. Em um movimento estratégico, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participou em Brasília do lançamento da Aliança Biodiesel. Esta iniciativa, formada pela Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), visa consolidar a produção nacional e seus benefícios.

A Aliança Biodiesel representa um marco significativo para o setor, unindo duas das principais entidades do segmento. A colaboração estratégica entre Aprobio e Abiove congrega 16 fabricantes de biodiesel, que operam um total de 33 usinas em todo o território nacional. Segundo as associações, essa união abrange aproximadamente 63,7% do parque industrial brasileiro dedicado à produção de biodiesel, demonstrando a força e a capacidade do setor em contribuir para a segurança energética do país.

Aliança Biodiesel e a Força da Indústria Nacional

A formação da Aliança Biodiesel reflete um esforço conjunto para otimizar a produção e a distribuição de biocombustíveis no Brasil. Ao reunir uma parcela tão expressiva da indústria, a aliança busca não apenas ganhos de escala e eficiência, mas também uma voz mais unificada na defesa dos interesses do setor. Este movimento é crucial para o desenvolvimento de políticas públicas que incentivem a inovação e a expansão da capacidade produtiva, consolidando o Brasil como um player relevante no cenário global de energias renováveis.

A capacidade de produção nacional de biodiesel é vista como um ativo estratégico, especialmente em um contexto de crescente instabilidade internacional. A dependência de combustíveis fósseis importados expõe o país a riscos de abastecimento e a variações de preços ditadas por conflitos e decisões políticas em outras regiões do mundo. A aposta no biodiesel, produzido internamente a partir de matérias-primas agrícolas, oferece uma alternativa robusta para mitigar esses riscos.

Biodiesel como Escudo Energético em Cenários Globais

Geraldo Alckmin enfatizou a importância estratégica do biodiesel, especialmente em momentos de conflitos internacionais que impactam diretamente o mercado de combustíveis. A capacidade de produzir internamente um combustível vital, como o diesel, reduz a exposição do Brasil às complexas dinâmicas da geopolítica mundial. “Ao invés de importar diesel, muito sujeito à geopolítica mundial, a gente produz o nosso produto aqui, para o nosso país”, destacou o vice-presidente.

O Brasil já se destaca no cenário global de biocombustíveis, sendo o único país a incorporar 30% de etanol anidro na gasolina. Além disso, a frota de veículos flex-fuel, que pode ser abastecida tanto com etanol quanto com gasolina, representa 85% do total, evidenciando a maturidade e a aceitação dos biocombustíveis no país. Essa infraestrutura e cultura de consumo posicionam o Brasil de forma privilegiada para expandir ainda mais o uso do biodiesel e outros biocombustíveis.

Benefícios Sociais e Ambientais da Produção Nacional

Além dos ganhos em segurança energética, a produção de biodiesel oferece uma série de benefícios sociais e ambientais. O vice-presidente Alckmin ressaltou que “não há agenda mais positiva do que essa. Ela fala com todos os setores”. A utilização de biodiesel contribui significativamente para a melhoria da qualidade do ar, resultando na redução da poluição e, consequentemente, na diminuição de casos de problemas respiratórios na população.

Do ponto de vista social, a cadeia produtiva do biodiesel é um motor de desenvolvimento. Ela envolve diretamente pequenos agricultores, garantindo-lhes mercado e renda, e gera empregos em toda a sua extensão, desde o campo até as indústrias e serviços associados. Alckmin sintetizou essa visão: “Se nós somos campeões do mundo na agricultura, temos a agricultura tropical mais competitiva e eficiente do mundo, vamos agregar valor: produzir biocombustível, ajudar o meio ambiente, a saúde da população, gerar emprego, renda, evitar a importação de produtos e fortalecer a economia do nosso país”.

Medidas Governamentais para o Setor de Biocombustíveis

O governo federal tem implementado diversas iniciativas para apoiar o setor de biocombustíveis e mitigar os impactos da volatilidade dos preços do petróleo. Entre as ações, destaca-se a decisão de zerar o PIS/Cofins sobre o diesel, acompanhada de um subsídio governamental. Além disso, os estados foram convidados a participar, contribuindo com uma parcela do custo, em um modelo de divisão de 60 centavos por parte do governo federal. A maioria dos estados aderiu a essa proposta, quase alcançando a unanimidade.

Recentemente, em 7 de abril de 2026, novas medidas foram publicadas, reforçando o compromisso do governo com o setor. Essas ações incluem a zeragem do PIS/Cofins para o biodiesel e a redução do impacto dos preços do gás de cozinha e do querosene de aviação. Tais iniciativas demonstram o reconhecimento da importância estratégica dos biocombustíveis para a economia brasileira e para a estabilidade dos preços ao consumidor.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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