Boulos defende PEC da Segurança Pública para combater crime organizado e critica Donald Trump sobre cooperação internacional

BeeNews 24/02/2026 | 08:23 | Brasília
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Boulos defende PEC da Segurança Pública para combater crime organizado e critica Donald Trump sobre cooperação internacional

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, destacou a importância da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como um instrumento fundamental para o enfrentamento efetivo do crime organizado no Brasil. Segundo o ministro, a medida, enviada ao Congresso Nacional no ano passado, visa aprimorar as condições de trabalho das forças de segurança.

A PEC busca capacitar a Polícia Federal e outras instituições a atuarem em todo o território nacional, superando as atuais limitações constitucionais que restringem a atuação de polícias estaduais a seus respectivos estados. Boulos argumenta que, diante da natureza transnacional do crime organizado, é inviável que a segurança pública seja fragmentada territorialmente.

“Se o crime organizado é nacional, como é que a Polícia Civil de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou da Bahia vai ter condições de fazer o combate no Brasil todo? Vai fazer no seu território”, questionou o ministro, ressaltando a necessidade de uma visão integrada.

Em entrevista à Rádio Nacional, Boulos também abordou a cooperação internacional, especialmente com os Estados Unidos, e demonstrou ceticismo quanto às motivações de Donald Trump. Ele sugeriu que a preocupação americana pode não ser genuinamente com o combate ao crime, mas sim com a expansão de influência na América Latina.

PEC da Segurança Pública: Um passo crucial contra o crime organizado

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, defendida por Guilherme Boulos, tem como objetivo principal fortalecer as instituições de combate ao crime organizado. A proposta permite que a Polícia Federal e outras forças de segurança atuem de forma mais ampla, abrangendo todo o território nacional, o que é visto como essencial para enfrentar organizações criminosas que operam em diversas regiões do país.

Boulos explicou que a atual divisão de competências, que restringe a atuação das polícias estaduais a seus territórios, é um obstáculo significativo. Ele citou como exemplo a dificuldade que polícias civis estaduais teriam em combater o crime organizado em âmbito nacional, reforçando a necessidade de uma estrutura mais flexível e integrada para a segurança pública.

O ministro acredita que a PEC tem boas chances de aprovação no Congresso Nacional e que sua efetividade poderá ser ampliada com a cooperação internacional. Ele vê a proposta como um meio de viabilizar uma colaboração mais eficaz com outros países, incluindo os Estados Unidos, no combate a atividades ilícitas que transcendem fronteiras.

Cooperação com os EUA sob suspeita de interesses escusos

Guilherme Boulos expressou preocupação com as reais intenções por trás de uma possível cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ao comentar sobre os planos de uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, Boulos alertou que a motivação de Trump pode ser mais voltada a interesses estratégicos e econômicos do que ao combate efetivo à criminalidade.

“A preocupação do Trump não é com o crime organizado. Ele quer fazer da América Latina um quintal”, declarou o ministro, sugerindo que os Estados Unidos podem ter como objetivo a exploração de recursos naturais e a manutenção de influência sobre a região. Ele mencionou a possibilidade de o interesse americano recair sobre riquezas como petróleo, minerais críticos e terras raras.

Boulos defendeu que, caso os EUA desejem colaborar, essa ajuda deveria começar com a extradição de criminosos brasileiros que se encontram foragidos em território americano. Ele citou, sem nomear diretamente, investigações de esquemas de sonegação fiscal bilionários, mencionando um empresário investigado por fraudes em combustíveis, que estaria vivendo em Miami.

Governo federal empenhado em investigações e transparência

O ministro Guilherme Boulos ressaltou o compromisso do governo federal em investigar crimes no Brasil, mesmo quando estes envolvem pessoas ligadas a indicações políticas. Ele citou o fortalecimento da Controladoria-Geral da União (CGU) como um exemplo desse empenho, permitindo a apuração de casos complexos, como as fraudes no INSS.

Apesar de esquemas como o de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões terem se iniciado antes da atual gestão, Boulos garantiu que isso não impediu a investigação de indivíduos indicados politicamente. A transparência e a responsabilização são pilares defendidos pelo governo.

Boulos também defendeu um debate público sobre segurança pública pautado na transparência e no respeito às instituições democráticas. Ele mencionou as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao caso do Banco Master, mas salientou a importância da instituição para a democracia brasileira, resguardando o direito à crítica sem desrespeitar ou ameaçar seus membros.

Conteúdo via: Rádio Nacional (EBC)

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