O Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP inaugurou uma extensa exposição dedicada à vida e obra de Emiliano Di Cavalcanti, um dos nomes mais importantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Intitulada “Di Cavalcanti: Militante, Boêmio e Brasileiro”, a mostra busca explorar as diversas faces do artista, desde suas influências parisienses até seu engajamento político e sua polêmica representação de figuras negras. A exposição ficará em cartaz até outubro de 2026, com entrada gratuita.
A curadoria da exposição é assinada por Helouise Costa, professora do MAC, e pelo jornalista Marcelo Bortoloti. A mostra é resultado de uma pesquisa de pós-doutorado, com foco na coleção de 561 desenhos de Di Cavalcanti que o artista doou ao acervo do então Museu de Arte Moderna nos anos 1950. Desses, 115 serão expostos, e o restante da coleção será exibido por meio de uma projeção audiovisual.
A exposição apresenta uma linha do tempo detalhada, dividida em seis módulos que correspondem às seis décadas de produção do artista. Cada módulo destaca temas e momentos cruciais na carreira de Di Cavalcanti, servindo como guia para a seleção das obras.
Um dos aspectos ressaltados na mostra é a construção da identidade brasileira na obra de Di Cavalcanti, com a defesa de uma identidade nacional permeando toda a sua produção. A exposição se propõe a revisitar a obra gráfica do artista à luz de sua trajetória e dos questionamentos contemporâneos sobre o Modernismo.
O primeiro módulo foca na fase parisiense de Di Cavalcanti, onde viveu uma vida boêmia e absorveu influências europeias. Outro módulo aborda seu engajamento político, pouco conhecido do grande público, que o levou a participar de greves, eventos sindicais e até a ser preso. Seus desenhos dessa época retratam o universo operário e denunciam as injustiças sociais.
A exposição também explora a relação de Di Cavalcanti com sua companheira, Noêmia Mourão, cujo trabalho teve um impacto significativo em sua produção. Além disso, a mostra examina o controverso tema da representação dos afro-brasileiros em sua obra, reconhecendo que algumas de suas criações “envelheceram mal” à luz das discussões contemporâneas sobre racismo e estereótipos.
O último módulo da exposição aborda a fase final da carreira de Di Cavalcanti, marcada por críticas às inovações artísticas, em particular ao abstracionismo. A exposição está aberta de terça a domingo, das 10h às 21h, no Museu de Arte Contemporânea da USP.
Fonte: www.agenciasp.sp.gov.br
