Embaixador do Irã: EUA e Israel usam “farsa” nuclear para “mudar regime”, Trump se vê “rei do mundo”

BeeNews 02/03/2026 | 23:34 | Brasília
4 min de leitura 602 palavras

Embaixador do Irã critica EUA e Israel em coletiva de imprensa e questiona legitimidade americana.

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, declarou que os Estados Unidos não buscam um acordo nuclear genuíno com o Irã, mas sim utilizam as negociações como uma “farsa” para promover uma “mudança de regime”.

Segundo Nekounam, a postura americana e israelense busca impor uma visão de mundo onde os EUA se consideram “donos do mundo”, uma atitude que ele atribui ao presidente Donald Trump, a quem descreveu como “rei do mundo”.

O diplomata iraniano também fez um paralelo com o caso Jeffrey Epstein, questionando a capacidade dos Estados Unidos de “administrarem o planeta” diante de envolvimentos de figuras proeminentes em escândalos. As informações são da Agência Brasil.

Irã acusa EUA e Israel de sabotarem negociações nucleares

O embaixador Abdollah Nekounam afirmou que os Estados Unidos e Israel atacaram a “mesa de negociação” em Viena, onde especialistas em questões nucleares se reuniriam sob a égide da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ele caracterizou essas ações como um impedimento para alcançar um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Nekounam argumentou que o objetivo de Israel e EUA seria a promoção da “mudança de regime” no Irã, impulsionados por uma “visão” que os faz crer que são “os donos do mundo”. Ele destacou a busca do Irã por “independência” há 47 anos.

Sucessão de Khamenei e estabilidade do Irã

O diplomata iraniano ressaltou a rápida e eficiente substituição do comando do Líder Supremo Ali Khamenei, que faleceu recentemente, por um Conselho interino. Segundo ele, essa transição garantiu a continuidade da defesa do país de forma “contínua, firme e poderosa”, sem descontinuidade na estrutura de poder do Estado iraniano.

Analistas consultados pela Agência Brasil sugerem que a tentativa de troca de regime em Teerã visa conter a expansão econômica da China e consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio. Em contrapartida, Washington e Tel Aviv alegam que suas ações são “preventivas” diante do desenvolvimento de um programa nuclear iraniano, que consideram uma ameaça.

Brasil condena uso da força e Irã defende direito de retaliação

Nekounam agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que condenou o uso da força por Israel e EUA. Ele considerou a posição brasileira “valiosa” e atenta aos “valores do ser humano, de soberania, de integridade territorial e de independência dos governos”.

O embaixador defendeu o direito do Irã de atacar bases militares inimigas, classificando as ações como legítima defesa após ter sido atacado. Ele esclareceu que as ações são direcionadas contra bases militares dos EUA e centros do regime sionista, e não contra territórios de outros países.

Contexto histórico das negociações nucleares

Pela segunda vez em oito meses, o Irã sofreu agressões de Israel e EUA em meio às negociações sobre seu programa nuclear e balístico. Os Estados Unidos, sob a administração Trump, abandonaram o acordo nuclear de 2015, que previa inspeções internacionais do programa iraniano.

Israel e EUA acusam o Irã de buscar armas nucleares, enquanto Teerã afirma que seu programa tem fins pacíficos e se coloca à disposição para inspeções. Israel, por sua vez, nunca permitiu inspeções internacionais em seu programa nuclear, apesar de ser acusado de possuir bombas atômicas.

O presidente Trump, ao iniciar seu segundo mandato em 2025, intensificou a pressão sobre Teerã, exigindo não apenas o desmantelamento do programa nuclear, mas também o fim do programa de mísseis balísticos de longo alcance e do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. Recentemente, Omã informou que Irã e EUA estariam próximos de um acordo, com o Irã concordando em não manter urânio enriquecido em altos teores.

Palavras-chave: Internacional | Bee News, israel, programa, nuclear, iraniano, brasil, nekounam, embaixador, estados, unidos, acordo
Compartilhe:

Menu