Empresária passa mal e encerra depoimento na CPMI do INSS; entenda o caso e a Conafer

BeeNews 24/02/2026 | 09:33 | Brasília
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CPMI do INSS: Empresária passa mal e depoimento é interrompido

O depoimento da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi abruptamente encerrado nesta segunda-feira (23) após ela passar mal. O mal-estar ocorreu durante os questionamentos do relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL), levando o presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), a suspender os trabalhos para que a empresária recebesse atendimento médico.

Ingrid Santos deixou a sessão antes do fim de sua oitiva. Ela foi convocada para depor após a informação de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não compareceria à comissão. A empresária é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, ambos com ligações à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

A Conafer é apontada como beneficiária de mais de R$ 100 milhões provenientes de descontos ilegais em benefícios previdenciários. Cícero Santos, por sua vez, é investigado como operador e assessor do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que também está sob investigação da CPMI. Conforme apurado pela comissão, parte dos recursos desviados teria sido movimentada em contas de empresas das quais Ingrid Santos figurava como sócia.

Dinheiro de aposentados e pensionistas em foco

Após a retomada dos trabalhos, o relator da CPMI, Alfredo Gaspar, destacou a gravidade dos fatos. “Só gostaria de relembrar que a depoente recebeu, além do repassado nas contas da empresa, mais de R$ 13 milhões, infelizmente dinheiro dos aposentados e pensionistas do Brasil”, declarou. Ele ressaltou que, apesar de não ser possível duvidar da sinceridade das lágrimas, o crime praticado é muito grave, e o objetivo da comissão é que todos os envolvidos respondam pelo prejuízo bilionário causado.

Habeas Corpus e direito ao silêncio

Antes de comparecer à CPMI, a empresária obteve um habeas corpus concedido pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão autorizava Ingrid Santos a permanecer em silêncio durante seu depoimento, caso assim desejasse. Ela foi questionada sobre as atividades de seu marido e se tinha conhecimento do envolvimento das empresas no esquema de descontos indevidos do INSS.

Ingrid Santos respondeu ao relator que não possuía conhecimento sobre as operações financeiras e que não se envolvia na gestão das empresas, delegando essa responsabilidade ao seu esposo, Cícero Santos. Ela expressou surpresa e dificuldade com a situação, afirmando que a presença da Polícia Federal em sua residência, acordando seus filhos e constrangendo sua família, foi uma traição à sua confiança.

Banco Master e a prorrogação dos trabalhos da CPMI

O presidente da CPMI, Carlos Viana, também mencionou que irá recorrer da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que desobrigou o banqueiro Daniel Vorcaro a depor ao colegiado. O depoimento de Vorcaro, ex-dono do Banco Master, estava agendado, mas um habeas corpus impediu sua convocação. Vorcaro, que cumpre prisão domiciliar, seria questionado sobre irregularidades em empréstimos consignados e os prejuízos causados a beneficiários do INSS, em virtude de um acordo de cooperação técnica entre o Banco Master e o instituto para oferta de crédito consignado.

Além disso, Viana solicitou a prorrogação dos trabalhos da CPMI por pelo menos 60 dias, protocolando um pedido formal para decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Sem resposta até o momento, Viana considera recorrer ao STF para garantir a continuidade das investigações, iniciadas em 20 de agosto.

Conteúdo via: G1

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