Parlamentares pedem a Alcolumbre nulidade de votação em CPMI do INSS e acusam presidente de fraude
Um grupo expressivo de 14 parlamentares da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) protocolou um requerimento junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), solicitando a **anulação da votação realizada na última quinta-feira (26)**. A medida surge após acusações de fraude contra o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e um pedido formal para que o caso seja analisado pela Comissão de Ética do Senado.
O documento, que conta com a assinatura de cinco senadores e nove deputados, em sua maioria da base governista, detalha as supostas irregularidades e apresenta evidências em fotos. A principal reivindicação é a suspensão dos efeitos da votação, que aprovou 87 requerimentos em bloco, incluindo decisões controversas como a **quebra de sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula**.
Os parlamentares signatários argumentam que a votação foi “eivada de vício”, comprometendo a legalidade do processo legislativo e a segurança jurídica. Eles afirmam que a forma como a votação ocorreu “vulnera o princípio democrático” e que a intenção era que cada um dos 86 requerimentos fosse deliberado individualmente, e não em bloco.
Imagens e alegações de fraude na contagem de votos
O cerne da denúncia reside na alegação de que a contagem de votos foi manipulada. O requerimento apresentado a Alcolumbre inclui cinco imagens que, segundo os parlamentares, comprovam que seus votos contrários aos requerimentos foram desconsiderados, alterando o resultado final. “Conforme demonstram os registros audiovisuais e as fotografias da sessão, os requerimentos foram, em realidade, rejeitados por 14 votos contrários, em contraste com sete votos favoráveis”, afirma o documento.
As fotografias anexadas mostrariam senadores e deputados em pé, com os braços erguidos, indicando claramente seu voto contra os requerimentos em bloco. “Os senadores e deputados que votaram contra os requerimentos em globo levantaram-se de suas cadeiras e ergueram os braços, manifestando-se de forma inequívoca e visível”, descreve o texto.
Pedido de investigação por quebra de decoro parlamentar
Além da anulação da votação, os 14 parlamentares pedem que o caso seja encaminhado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. O objetivo é apurar uma possível quebra de decoro parlamentar por parte do presidente da CPMI, senador Carlos Viana. A alegação é que a condução dos trabalhos foi marcada por “nítida parcialidade” e uma “seleção arbitrária de requerimentos para a pauta do dia”.
Entre os requerimentos aprovados em bloco, além das quebras de sigilo de Lulinha, estavam novas convocações de indivíduos como Augusto Ferreira Lima, ex-executivo e sócio do Banco Master, o ex-deputado federal André Moura, a empresária Danielle Miranda Fontelles e Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Posição do presidente da CPMI
Em declarações a veículos de imprensa, o senador Carlos Viana expressou tranquilidade quanto à condução da votação. Ele afirmou que “o regimento da Casa foi cumprido” e que a CPMI tem “todas as condições para dar sequência aos requerimentos”. Viana também manifestou a expectativa de que o presidente do Senado ouça todas as versões dos fatos ocorridos durante a sessão.
O documento foi assinado pelos senadores Randolfe Rodrigues (PT-AP), Soraya Thronicke (Podemos-MS), Jussara Lima (PSD-PI), Jaques Wagner (PT-BA) e Teresa Leitão (PT-PE), e pelos deputados Paulo Pimenta (PT-RS), Damião Feliciano (União-PB), Átila Lira (PP-PI), Cleber Verde (MDB-MA), Orlando Silva (PCdoB-SP), Romero Rodrigues (Podemos-PB), Alencar Santana (PT-SP), Neto Carletto (PP-BA) e Rogério Correia (PT-MG).
Conteúdo via: G1
