A oferta de apoio do governo dos Estados Unidos à Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro gerou controvérsia entre especialistas. O comunicado, que oferecia “qualquer apoio que se faça necessário”, foi considerado um procedimento inadequado, apesar de os EUA terem histórico de relações diretas com governos subnacionais de outros países.
Um cientista político e professor de relações internacionais relembrou um caso similar no Brasil, durante a Operação Lava Jato, justificado por combate ao terrorismo e à lavagem de dinheiro. Ele destacou que o Brasil mantinha relações diretas com o FBI por meio de autoridades do Ministério Público e da Justiça.
Um especialista em história latino-americana classificou a oferta de ajuda como “incomum e inadequada”, levantando questões de soberania. A carta, assinada por um representante da Divisão Antidrogas dos EUA, expressava condolências pela morte de policiais em operação e se colocava à disposição para apoio. O especialista argumentou que os EUA também enfrentam problemas com drogas e crime organizado, e ninguém oferece ajuda similar quando ocorrem tragédias nos EUA.
Outro especialista comparou a ação do governo dos EUA com as práticas da Guerra Fria, quando os EUA promoviam a cooperação policial pan-americana, influenciando a polícia militar brasileira. Ele alertou para a tentativa de classificar facções de tráfico como terroristas, o que considerou uma “ingerência”. Ele também mencionou a “paradiplomacia”, relações entre governos subnacionais que podem contornar a diplomacia formal.
Os especialistas criticaram a proposta de classificar facções de tráfico como terroristas, alertando para a descaracterização do crime de terrorismo, que tem motivação ideológica e política, e não apenas acumulação de riqueza.
Um especialista mencionou ações dos EUA na Venezuela, como a autorização de operações secretas da CIA sob o argumento de combate ao narcotráfico, como exemplos de desrespeito às leis internacionais. Ele citou a rejeição da presidente mexicana a ações da CIA em seu território, dada a complexa relação entre o narcotráfico mexicano e os EUA.
Para os especialistas, a solução para o problema do crime organizado deve ser nacional, com foco nas fontes de recursos das organizações criminosas. Foi defendida uma resposta conjunta de autoridades federais para o comunicado dos EUA, com a sugestão de tipificar tais atitudes como violação de soberania e crime de traição à pátria.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
