Europa Apoia Guerra EUA-Israel Contra Irã, Mas Espanha Diverge: Entenda o Racha Diplomático e Suas Consequências

BeeNews 05/03/2026 | 18:51 | Brasília
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Europa Divide-se em Relação ao Conflito com o Irã: Uma Análise Detalhada do Apoio e da Divergência

A cena geopolítica global está marcada por um forte alinhamento de potências europeias com os Estados Unidos e Israel na escalada de tensões contra o Irã. Com exceção notável da Espanha, Reino Unido, França e Alemanha têm oferecido apoio político e, em alguns casos, logístico e de defesa, aos esforços de Washington e Tel Aviv em sua ofensiva, que visa promover uma “mudança de regime” em Teerã.

Esses países europeus, ao invés de condenarem os ataques que violam o direito internacional, buscaram justificar a guerra, atribuindo ao Irã a responsabilidade pela deflagração do conflito. As exigências para que o país persa aceite as condições impostas por EUA e Israel são contínuas, em um cenário que fragiliza as normas internacionais e a busca pela paz.

O direito internacional, em sua essência, permite o uso da força apenas mediante autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Contudo, a postura de algumas nações europeias levanta questionamentos sobre o respeito a esses preceitos, como informa a Agência Brasil.

Reino Unido, França e Alemanha: Apoio Velado e Exigências ao Irã

O Reino Unido, por exemplo, não condenou os ataques contra o Irã, mas focou suas críticas nas retaliações de Teerã contra bases americanas no Oriente Médio. Paralelamente, Londres tem fornecido suporte logístico a Washington através de suas bases na região, demonstrando um claro alinhamento.

A França, por sua vez, enquanto promete expandir seu arsenal nuclear, critica o programa nuclear iraniano, que o país afirma ser para fins pacíficos. O presidente Emmanuel Macron enviou navios de guerra para o Oriente Médio, alegando “operações defensivas” europeias.

A Alemanha declarou que não é o momento de “dar lições” aos parceiros que agrediram o Irã. Berlim expressou compartilhar dos objetivos dos EUA e de Israel de derrubar o governo iraniano e se ofereceu para contribuir com a “recuperação econômica do Irã”. Em uma declaração conjunta, Alemanha, França e Reino Unido exigiram o fim dos “ataques imprudentes” do Irã e anunciaram ações “defensivas” para “destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones em sua origem”.

Portugal e Itália: Bases e Apoio de Defesa no Golfo

Portugal autorizou os EUA a utilizarem suas bases militares nos Açores, em uma decisão que gerou repercussão. A Itália tem buscado fortalecer o apoio de defesa aos países do Golfo e criticado a “repressão” do Irã contra sua própria população civil.

O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, da UFRJ, avalia que a Europa, com a exceção da Espanha, tomou um partido claro na guerra, alinhando-se aos EUA e Israel. Ele ressalta que, ao classificar o governo e o Estado iranianos como “criminosos” em plena guerra, a Europa assumiu uma posição definida.

Teixeira também aponta que França, Alemanha e Reino Unido, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, não convocaram nenhuma reunião para discutir o conflito, o que atende à estratégia americana de evitar o debate nas Nações Unidas. “Não há nem mesmo uma condenação ética da guerra como ela foi travada”, afirma o historiador.

A Espanha: Um Contraponto Firme ao Apoio Europeu

Em contrapartida, o governo espanhol de Pedro Sánchez divergiu da maioria europeia, proferindo duras críticas à guerra promovida pelos EUA e Israel. Sánchez enfatizou que a questão central é se o mundo está “do lado do direito internacional e, portanto, da paz”, lembrando os fracassos da Guerra do Iraque.

O primeiro-ministro espanhol alertou que a Guerra do Iraque resultou em um aumento drástico do terrorismo jihadista, uma grave crise migratória e uma alta generalizada nos preços da energia. Sua posição foi destacada pelo Financial Times como algo que “nenhum outro líder europeu se atreve a dizer” ao presidente Trump.

A divergência espanhola irritou Trump, que chegou a ameaçar cortar relações comerciais com Madri. Posteriormente, o governo dos EUA recuou, alegando que a Espanha concordara em cooperar com a guerra. No entanto, o governo espanhol negou “categoricamente” qualquer mudança em sua posição.

Barganha com os EUA e o Papel da Europa

Para o professor Chico Texeira, os países europeus tentam “barganhar” sua posição junto a Washington, “às custas do Irã”, em meio a ameaças de Trump. A União Europeia busca demonstrar aos EUA que são aliados valiosos, dispostos a apoiar Israel, para em troca obterem paz e segurança, sem intervenções como a tomada da Groenlândia ou o desmantelamento da OTAN.

“É uma velha política tradicional da Europa. Mas o que a gente viu até agora é que a Europa se tornou dispensável. Os Estados Unidos não precisam da Europa”, ponderou Teixeira. Ele considera a Alemanha a nação com a posição mais pró-EUA, citando a visita do líder alemão Friedrich Merz à Casa Branca durante o conflito, demonstrando uma “subserviência” e um discurso crítico ao governo iraniano, que não se estende ao massacre em Gaza.

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