ABEDIN TAHERKENAREH/EFE/EPA )

Regime iraniano executa manifestante por participação em protestos de janeiro

BeeNews 02/04/2026 | 10:06 | Brasília
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As autoridades do Irã anunciaram a execução de mais um indivíduo condenado por sua participação nos protestos antigovernamentais que abalaram o país entre o final de dezembro e janeiro. A medida, divulgada na última quinta-feira (2), intensifica as preocupações internacionais sobre a repressão e o uso da pena capital como ferramenta de controle social pelo regime islâmico.

O caso mais recente envolve Amir Hossein Hatami, acusado de incendiar uma instalação militar durante os distúrbios. Sua execução ocorre em um cenário de crescente condenação por parte de organizações de direitos humanos, que alertam para a escalada da violência estatal contra dissidentes.

A execução de Amir Hossein Hatami e as acusações

A agência de notícias Mizan, vinculada ao Poder Judiciário iraniano, informou que Amir Hossein Hatami foi enforcado na manhã de quinta-feira. Segundo a agência, Hatami era um dos “elementos terroristas do inimigo” nos protestos de janeiro, que, juntamente com outros manifestantes, teria tentado tomar posse de armas ao invadir e destruir um centro militar.

A acusação detalha que Hatami participou de um ataque contra a base do grupo paramilitar Basij Kaveh, localizada na rua Damavand, em Teerã, que teria sido completamente destruída. No decorrer do julgamento, Hatami foi condenado à morte e ao confisco de seus bens, uma sentença que foi posteriormente mantida pelo Supremo Tribunal do país, conforme divulgado pela Mizan.

Contexto dos protestos e a brutal repressão

Os protestos antigovernamentais de janeiro, que se espalharam por diversas cidades iranianas, tinham como principal demanda o fim do regime islâmico. A resposta das autoridades foi uma repressão brutal, que resultou em um número significativo de mortes e detenções. O balanço oficial aponta para 3.117 pessoas mortas durante os confrontos.

No entanto, organizações de direitos humanos contestam esses números. A HRANA, uma entidade com sede nos Estados Unidos, estima que o total de mortos seja superior a 7 mil, e continua a verificar outros 11 mil casos. Além disso, a organização calcula que cerca de 53 mil pessoas foram detidas em decorrência dos protestos, evidenciando a escala da resposta repressiva do governo.

Condenação internacional e o uso da pena de morte

A execução de Hatami gerou forte reação da comunidade internacional. A Anistia Internacional havia previamente mencionado Hatami como um dos sete manifestantes e dissidentes que estavam sob ameaça de execução no Irã. Em um comunicado divulgado na terça-feira (31), a ONG reiterou que as autoridades iranianas “continuam a usar a pena de morte como arma para erradicar vozes dissidentes e aterrorizar ainda mais a população”, mesmo em meio a tensões geopolíticas com os EUA e Israel.

A organização também criticou veementemente os processos judiciais, afirmando que os manifestantes foram “condenados em julgamentos extremamente injustos que se basearam em ‘confissões’ forçadas, obtidas sob tortura, e que duraram apenas algumas horas”. Essas alegações reforçam a preocupação com a falta de devido processo legal e a violação dos direitos humanos fundamentais no país. Para mais informações sobre a posição da Anistia Internacional, visite o site oficial da organização.

O crescente número de execuções no Irã

O Irã figura entre os países com o maior número de execuções no mundo. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que, em 2025, o país enforcou 1,5 mil pessoas, o que representa um aumento de 50% em relação ao ano anterior. Agências estatais iranianas reportaram pelo menos nove execuções nas últimas semanas, mas organizações de direitos humanos suspeitam que o número real seja consideravelmente maior, uma vez que muitos casos não são divulgados pelo regime.

A persistência e o aumento das execuções, especialmente em contextos de protestos políticos, sublinham a estratégia do governo iraniano de utilizar a pena capital para intimidar a população e suprimir qualquer forma de oposição. Este padrão de repressão tem sido uma constante fonte de condenação por parte de governos e entidades de direitos humanos ao redor do globo.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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