Fundador da Reag Nega Ligação com PCC na CPI do Crime: “Nenhuma menção em 15 mil páginas da PF”

BeeNews 11/03/2026 | 22:23 | Brasília
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Fundador da Reag nega envolvimento com PCC em depoimento na CPI do Crime Organizado

O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, compareceu à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado nesta quarta-feira (11) para prestar esclarecimentos. Mansur negou veementemente qualquer associação de sua empresa com a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ele destacou que, em 15 mil páginas de documentos da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal, não há nenhuma menção à ligação da Reag com o PCC ou com o crime organizado. A declaração foi feita após ser questionado sobre os motivos da empresa ter sido alvo de investigações policiais.

Apesar de ter o direito de permanecer em silêncio, Mansur optou por fazer breves comentários após apelos do presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES). A Reag Investimentos, que administrava fundos com valor total de R$ 300 bilhões, foi liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano, sob suspeita de envolvimento em fraudes no Banco Master, estimadas em até R$ 50 bilhões.

Reag Investimentos sob investigação em múltiplas operações

A gestora de ativos Reag Investimentos não é apenas alvo da Operação Carbono Oculto. A empresa também está sob investigação nas operações Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master, e Quasar, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro para facções criminosas. A suspeita é que a Reag tenha contribuído com o esquema do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, possivelmente através da criação de empresas de fachada.

Mansur defende a Reag e critica o mercado financeiro

João Carlos Mansur afirmou que a Reag sempre foi auditada por empresas internacionais e mantinha todas as estruturas de governança de uma empresa de capital aberto, com dados divulgados ao público. Ele sugeriu que a empresa foi penalizada por ser grande e independente no mercado financeiro.

O empresário admitiu que o Banco Master era um dos clientes da companhia, mas ressaltou que a Reag nunca foi uma empresa de fachada e não possuía investidores ocultos. Ele descreveu a empresa como um “partnership”, com múltiplos sócios e pessoas envolvidas.

CPI do Crime busca desarticular braço financeiro do PCC

A CPI do Crime Organizado aprovou, na mesma quarta-feira, mais de 20 requerimentos que incluem quebras de sigilo, pedidos de informações e convocações. O foco é investigar o braço financeiro do PCC na Faria Lima e o grupo “A Turma”, de Daniel Vorcaro. O senador Fabiano Contarato justificou a convocação de Mansur citando que 42 dos 350 alvos da Operação Carbono Oculto possuem escritórios na Avenida Faria Lima, indicando uma “indústria de lavagem de dinheiro no coração do sistema financeiro nacional”.

Contarato também mencionou que fundos da Reag teriam sido usados para movimentar cerca de R$ 250 milhões do PCC e que o Banco Central informou que a companhia teria ocultado os beneficiários de R$ 11 bilhões desviados do mercado financeiro. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), lamentou a recusa de Mansur em responder a questionamentos diretos da comissão.

Conteúdo via: Agência Brasil

Palavras-chave: Política | BeeNews, reag, mansur, empresa, banco, financeiro, crime, organizado, investimentos, master, lavagem
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