bombardeio de Israel e Estados Unidos (EUA) no primeiro dia da guerra. Os veícul

Irã se mobiliza em memória do líder supremo Khamenei após 40 dias de sua morte

BeeNews 09/04/2026 | 16:38 | Brasília (Atualizado 09/04/2026 às 16:39)
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Multidões de manifestantes tomaram as ruas em diversas cidades do Irã nesta quinta-feira (9), marcando o 40º dia do assassinato do líder supremo da República Islâmica, Seyyed Ali Khamenei. O líder foi morto por um bombardeio atribuído a Israel e Estados Unidos no primeiro dia de um conflito que tem intensificado as tensões na região.

Os atos de luto e homenagem, amplamente cobertos pela imprensa iraniana, destacaram o apoio popular ao regime político, que tem sido alvo de críticas e confrontos com potências ocidentais. As manifestações não apenas reverenciaram Khamenei, mas também honraram outros dirigentes políticos e militares que perderam a vida nos quase 40 dias de guerra, além das 168 meninas mortas em um ataque a uma escola na cidade de Minab.

Homenagens e a extensão do luto nacional

A procissão fúnebre teve início na manhã de quinta-feira, com os participantes marchando da Praça Jomhouri até o local onde o aiatolá Khamenei foi assassinado. Segundo relatos da mídia estatal, as homenagens se estenderam por centenas de cidades em todo o país, demonstrando uma mobilização em larga escala.

A cerimônia em Teerã prosseguiu até a noite, com vídeos divulgados por emissoras locais mostrando milhares de pessoas em marcha. Os manifestantes carregavam bandeiras do Irã e imagens das principais lideranças, bem como das crianças que foram vítimas do ataque à escola, simbolizando a dor e a resistência da nação.

Apoio ao regime em meio a divisões

Apesar da existência de uma oposição significativa à República Islâmica, há setores importantes da sociedade iraniana que apoiam o regime. O antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF), ressaltou que a sociedade é dividida, mas existe uma base de sustentação ideológica, política ou por interesses pessoais ligada à manutenção do sistema.

De acordo com o especialista, a agressão externa contra o Irã tem levado até mesmo críticos do regime a preferir que o governo consiga se defender. Essa união visa proteger o país de uma possível invasão estrangeira ou de uma destruição total, evidenciando um sentimento de coesão nacional diante das ameaças.

Consequências do conflito e a sucessão

Os ataques atribuídos a Israel e Estados Unidos no Irã resultaram na morte de mais de 3 mil pessoas durante o conflito. A Organização de Medicina Forense do Irã informou nesta quinta-feira (9) que cerca de 40% das vítimas ainda não puderam ser identificadas, evidenciando a escala da tragédia humanitária.

Após seu assassinato, Ali Khamenei foi sucedido por seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei. O novo líder prometeu vingança “pelo sangue de seus mártires”, incluindo seu pai e outros familiares mortos em um ataque anterior, em 28 de janeiro. Autoridades iranianas afirmam que Khamenei escolheu o caminho do martírio, recusando-se a buscar abrigos subterrâneos e sendo alvejado em seu escritório residencial, um ato visto como honra e glória na cultura política do islã xiita.

O papel do líder supremo e o contexto histórico do Irã

No Irã, o Líder Supremo é uma figura central, eleito pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos religiosos escolhidos por voto popular. Embora o cargo seja vitalício, a Constituição iraniana permite que a Assembleia destitua o Líder Supremo, conferindo um mecanismo de controle sobre essa autoridade máxima.

Ali Khamenei ocupou o cargo por 36 anos, estando no topo da estrutura de poder da República Islâmica. Essa estrutura, além do Executivo, Parlamento e Judiciário, inclui o Conselho dos Guardiões, formado por seis indicados pelo Líder Supremo e seis indicados pelo Parlamento. O Líder Supremo atua como uma espécie de Poder Moderador, com as Forças Armadas diretamente ligadas a ele, e não ao Executivo.

A República Islâmica do Irã foi estabelecida em 1979, após uma revolução que derrubou a dinastia Pahlavi e seu monarca, Reza Pahlavi, um aliado próximo das potências ocidentais. Este evento marcou o início das hostilidades entre os EUA e o Irã, que persistem até hoje, moldando a geopolítica da região. Para mais informações sobre o regime político iraniano, entenda o regime político do Irã.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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