Lula defende autonomia e defesa do Sul Global em meio a preocupações com conflito no Irã e preços do petróleo

BeeNews 10/03/2026 | 08:22 | Brasília
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Lula propõe parceria estratégica com África do Sul para defesa e alerta sobre conflito no Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (9), a necessidade de o Brasil e a África do Sul focarem na autonomia e no fortalecimento mútuo, especialmente na produção de artigos militares para autodefesa. A declaração foi feita durante encontro com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Lula ressaltou que a falta de preparo em defesa pode deixar os países vulneráveis. “Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, afirmou, propondo a união de potenciais para construir soluções conjuntas e evitar a dependência de compras externas, referindo-se aos “Senhores das Armas”.

A iniciativa visa criar uma parceria estratégica entre os países do Sul Global, transformando-os em um mercado relevante para a indústria de defesa. A conversa ocorreu após a assinatura de acordos bilaterais em turismo, comércio exterior e indústria, e a visita de Ramaphosa ao Brasil se estende até esta terça-feira (10). As informações são do g1.

Brasil e África do Sul buscam soberania na produção militar

O presidente brasileiro enfatizou que o Brasil e a África do Sul compartilham a convicção de que o Sul Global deve ter voz ativa nas grandes decisões internacionais. “Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, pontuou Lula, defendendo que os dois países articulem uma parceria estratégica para se tornarem um mercado relevante para a indústria de defesa, fortalecendo suas cadeias produtivas.

Lula reiterou o perfil pacífico da América do Sul, destacando que as tecnologias desenvolvidas na região, como drones, são voltadas para a agricultura, ciência e tecnologia, e não para a guerra. “Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui, ninguém tem bomba nuclear, bomba atômica”, declarou.

Preocupação com conflito no Oriente Médio e impacto no preço do petróleo

Durante a coletiva de imprensa, Lula manifestou sua “profunda preocupação” com a escalada do conflito no Oriente Médio, citando a guerra contra o Irã. Segundo o presidente, a situação representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacional, e o diálogo e a diplomacia são os únicos caminhos para uma solução duradoura. “Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, de insumos e de alimentos”, alertou.

O presidente alertou que o conflito já tem causado aumento no preço do petróleo em todo o mundo e que a tendência é que o valor encareça ainda mais. Lula também destacou os impactos humanitários e econômicos, com mulheres e crianças sendo as mais afetadas por essas crises, conforme relatado pelo g1.

Potencial brasileiro em minerais críticos e terras raras

O mandatário brasileiro explicou que o Brasil possui um grande potencial para a exploração de minerais críticos, essenciais para a transição energética e digital. Lula defendeu a necessidade de repensar o papel da exploração dos recursos naturais nos territórios. “Chega! Já levaram toda a nossa prata, todo o nosso ouro, todo o nosso diamante, todo o nosso minério de ferro. O que mais querer levar?”, questionou.

Ele afirmou que o Brasil não repetirá o modelo de exportar minerais brutos para depois importar produtos acabados a preços muito mais altos. O objetivo é fortalecer as cadeias produtivas da mineração, aproveitando o conhecimento do potencial mineral das nações para melhorar as condições de vida da população. A exploração desses recursos deve gerar valor agregado no próprio país.

Brasil reforça compromisso com a democracia e regulação digital

Lula confirmou sua participação na quarta Reunião em Defesa da Democracia, em Barcelona, no dia 18 de abril, a convite do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánches. O evento reforça a aproximação entre os países em temas como regulação do ambiente digital, inteligência artificial e a valorização de fontes de informação de qualidade.

A agenda multilateral busca fortalecer essas discussões, alinhando políticas domésticas e articulações internacionais. A participação do Brasil nessas discussões demonstra seu compromisso com a promoção da democracia e a governança global em novas fronteiras tecnológicas. Conteúdo via: g1.

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