Lula exalta Copa Feminina e pede valorização das mulheres no futebol, criticando a disparidade salarial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença na cerimônia oficial do Tour da Taça da Copa do Mundo da FIFA 2026, realizada no Palácio do Planalto. O evento, que contou com a participação de ex-jogadores renomados e a presença da ex-atleta Formiga, serviu de palco para o presidente reforçar seu apoio ao futebol feminino.
Durante seu discurso, Lula destacou a importância de se dar o devido valor ao futebol praticado por mulheres, especialmente com o Brasil se preparando para sediar a Copa do Mundo Feminina em 2027. Ele ressaltou a necessidade de combater o preconceito de gênero no esporte.
A fala do presidente veio em um momento oportuno, com a taça masculina em exibição e a expectativa pela taça feminina, que não pôde comparecer por questões logísticas. As declarações de Lula, conforme apurado pelo portal G1, trouxeram à tona a desigualdade salarial gritante entre atletas homens e mulheres no país.
Desigualdade de gênero no futebol em pauta
Em sua intervenção, o presidente Lula enfatizou a necessidade de valorizar o futebol feminino de forma equivalente ao masculino. Ele apontou a discrepância salarial como um reflexo do preconceito de gênero presente na sociedade machista.
Lula comparou a situação de jogadores homens que recebem salários altíssimos, mesmo sem entrar em campo, com a realidade de muitas jogadoras da Seleção Brasileira, que ganham valores significativamente menores, como R$ 20 mil ou até R$ 5 mil em clubes. “É um disparate a valorização do jogador masculino e a desvalorização das jogadoras mulheres”, afirmou o presidente.
Ele acrescentou que essa disparidade é um reflexo do preconceito e da forma como a sociedade machista trata as mulheres. “Elas mereciam ganhar um pouco mais, porque são profissionais, vivem disso, cuidam da família jogando futebol”, defendeu Lula, expressando esperança de que a Copa do Mundo Feminina de 2027 impulsione uma maior valorização e respeito às atletas.
Copa Feminina de 2027: uma chance de redenção
O presidente Lula também vislumbra a Copa do Mundo Feminina de 2027 como uma oportunidade para o Brasil se redimir do que chamou de “vexame” na Copa masculina de 2014, sediada no país. Naquele ano, a derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal marcou o torneio.
Lula, no entanto, ressaltou que o “vexame” de 2014 não foi dos jogadores, mas sim do momento conturbado que o Brasil vivia, marcado por um cenário “delicado, irritante e nervoso”. Ele mencionou ainda as “mentiras inesquecíveis sobre corrupção” relacionadas às obras dos estádios e as vaias direcionadas à então presidente Dilma Rousseff durante o evento.
Em contraste, o presidente destacou que o Brasil atravessa um momento mais otimista, com melhorias nos indicadores econômicos e sociais, cenário propício para o país retomar seu protagonismo também no futebol. “Não vamos deixar que nada fora do futebol abale o espírito das nossas guerreiras e que essa Copa seja um exemplo que não pode ser a de 2014”, declarou.
Lula também fez um paralelo com o pacto contra o feminicídio, lembrando as mais de 1,7 mil mulheres assassinadas no ano anterior, e incentivou o público a lotar os estádios para apoiar a seleção feminina em 2027.
Expectativas para a Copa Masculina de 2026
Sobre a Copa do Mundo masculina de 2026, que será sediada em Canadá, México e Estados Unidos, Lula demonstrou otimismo. Ele revelou ter conversado com o técnico Carlo Ancelotti e se disse “convencido” de que a seleção brasileira conquistará o hexacampeonato.
“Conversei com o Ancelotti e achei ele uma figura extremamente séria, com a cabeça no lugar. E quando um técnico tem seriedade, normalmente os jogadores sabem que têm responsabilidade. Estou convencido de que vamos ganhar essa Copa”, afirmou o presidente.
A taça original da Copa do Mundo da FIFA 2026, feita de ouro maciço de 18 quilates e pesando cerca de 6 kg, já percorreu dezenas de países e esteve em São Paulo e Rio de Janeiro antes de chegar a Brasília. A iniciativa global é organizada pela FIFA em parceria com a Coca-Cola.
Conteúdo via: G1
