EFE )

Maduro, detido nos EUA, compara sua situação à crucificação de Cristo em Páscoa

BeeNews 06/04/2026 | 10:01 | Brasília
4 min de leitura 700 palavras

Em uma de suas raras comunicações desde que foi detido em uma operação militar dos Estados Unidos, o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro utilizou a simbologia da Páscoa para traçar um paralelo entre sua situação e o sofrimento de Jesus Cristo. A mensagem, divulgada por seus assessores em 5 de abril, marcou a segunda vez que Maduro se pronunciou publicamente desde sua prisão em 3 de janeiro, ao lado de sua esposa, Cilia Flores.

As declarações de Maduro, que governou a Venezuela por mais de uma década, vêm em meio a um processo judicial complexo nos Estados Unidos, onde ele enfrenta sérias acusações. A retórica pascal do ex-líder chavista gerou discussões sobre a percepção de sua própria condição e a tentativa de mobilizar apoio através de uma narrativa de sacrifício e esperança.

A Mensagem de Páscoa e a Comparação com Cristo

Na sua mensagem de Domingo de Páscoa, Maduro dirigiu-se ao povo venezuelano e aos povos do mundo, compartilhando palavras de amor, paz e esperança. Ele e sua esposa, Cilia Flores, presos juntos, enfatizaram a conexão entre a paixão e a ressurreição, afirmando que “não há ressurreição sem paixão”.

O ex-ditador expressou que “primeiro vem a cruz, a dor e o sacrifício, mas depois vem a vida nova”. Essa analogia direta com a crucificação de Jesus Cristo e a subsequente ressurreição serviu como um pilar central de sua comunicação, buscando transmitir uma mensagem de perseverança e fé em um futuro de renovação.

Maduro também fez referência à passagem bíblica da ressurreição de Lázaro, reforçando a ideia de que “o Ressuscitador ressuscitou e, portanto, a esperança nunca se perde”. A escolha de tais referências bíblicas em um momento de sua detenção sugere uma estratégia de comunicação que apela a valores espirituais e à resiliência.

Contraste entre Retórica e Realidade Política

Apesar de suas palavras de reconciliação e perdão, a trajetória política de Nicolás Maduro é marcada por um período de governo que muitos descrevem como uma ditadura. Durante sua gestão, entre 2013 e 2026, milhares de venezuelanos foram presos, e milhões foram forçados a deixar o país em busca de melhores condições de vida e segurança.

Em sua mensagem, Maduro citou a Bíblia ao dizer que é preciso “remover a pedra do ódio, da mentira, da divisão e do ressentimento”. Ele também alegou que “ressuscitar é também curar, libertar, perdoar, reencontrar uns aos outros e caminhar juntos novamente”. Essas declarações contrastam fortemente com as acusações de violações de direitos humanos e a polarização política que caracterizaram seu regime.

O ex-líder chavista concluiu sua mensagem de Páscoa afirmando que “esta é a vitória da vida e da verdade”, onde “a morte não vence: Cristo vence. A mentira não vence: a verdade vence. O ódio não vence: o amor vence”. Ele chamou à unidade, ao diálogo, à reconciliação e à paz entre os povos, pedindo que o Senhor Ressuscitado abençoe a Venezuela e o mundo.

As Acusações e o Processo Judicial nos EUA

A prisão de Nicolás Maduro e Cilia Flores pelos Estados Unidos tem como objetivo fazê-los responder na Justiça federal americana a uma série de acusações graves. Entre elas, destacam-se narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. Essas acusações sublinham a seriedade do processo que enfrentam.

Em 28 de março, o casal havia divulgado uma primeira mensagem de sua prisão, pedindo paz e unidade nacional na Venezuela e afirmando “firmeza” e “serenidade”. A segunda audiência do caso, realizada em 26 de março, trouxe à tona a questão do financiamento de sua defesa legal. O juiz federal Alvin Hellerstein negou um pedido para arquivar o processo, após a defesa alegar que Maduro e Flores não teriam como pagar seus advogados.

A impossibilidade de custear a defesa decorre da proibição imposta pelo governo dos Estados Unidos ao regime da Venezuela, atualmente liderado por Delcy Rodríguez, de cobrir os honorários advocatícios devido às sanções econômicas em vigor contra o país. Apesar da negativa inicial, o juiz Hellerstein indicou que poderá emitir uma decisão futura sobre a permissão para que o governo venezuelano pague os honorários, mantendo a complexidade jurídica do caso em aberto. Para mais informações sobre processos judiciais internacionais, consulte Reuters Legal.

Fonte: gazetadopovo.com.br

Palavras-chave: cristo, ditadura, eua, justiça, maduro, mensagem, páscoa, política, prisão, venezuela, acusações, vence, estados, unidos, flores
Compartilhe:

Menu