A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) enfrenta uma queda sem precedentes em sua produção de petróleo, superando os níveis observados durante o pico da pandemia de covid-19. Este declínio acentuado é atribuído principalmente à escalada dos conflitos no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que têm desestabilizado a região e impactado diretamente as operações petrolíferas.
Em abril, a produção conjunta dos 12 países membros da Opep atingiu 18,98 milhões de barris por dia (mbd), marcando uma redução de quase 34% em comparação com o volume bombeado em fevereiro. A perda acumulada pelo grupo desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, totaliza 9,67 mbd, conforme revelado pelo relatório mensal da própria Opep, que compila dados de institutos independentes.
Produção de petróleo da Opep registra colapso histórico
O colapso na produção da Opep representa um marco negativo, superando o corte histórico implementado voluntariamente pela organização há seis anos. Naquela ocasião, a medida visava conter a queda dos preços do petróleo provocada pela crise global da pandemia. A magnitude da atual redução sublinha a gravidade da situação geopolítica e seus reflexos no mercado energético mundial.
A instabilidade no Oriente Médio tem gerado um cenário de incerteza que afeta diretamente a capacidade de extração e exportação de petróleo. A interrupção das operações e a diminuição da confiança dos investidores contribuem para a retração da oferta, com consequências potenciais para a economia global e os preços dos combustíveis.
Grandes exportadores da Opep sofrem quedas acentuadas
Entre os membros da Opep, a Arábia Saudita, um dos maiores produtores, registrou uma queda de quase um milhão de barris/dia entre março e abril, com sua produção estabilizando em 6,77 mbd. Este volume representa uma redução de 33% em relação aos 10,11 mbd de fevereiro. Proporcionalmente, Kuwait e Iraque sofreram perdas ainda mais severas, com estimativas de redução de 77% e 67% em suas extrações, respectivamente.
O Irã também viu seus barris diminuírem, totalizando 2,85 mbd no mês passado, em comparação com 3,24 mbd em fevereiro. Em contraste, os Emirados Árabes Unidos conseguiram recuperar modestamente 0,13 mbd, atingindo 2,02 mbd em seu último mês como membro da Opep, antes de se retirarem da organização em 1º de maio. Contudo, o país ainda acumula uma queda de mais de 40% em relação aos 3,4 mbd produzidos antes do conflito.
A aliança Opep+ e a instabilidade no fornecimento
A aliança Opep+, que inclui a Opep e dez petroestados independentes liderados pela Rússia, também sentiu o impacto. A Rússia registrou uma queda de 0,10 mbd em abril, possivelmente devido a ataques ucranianos a suas instalações petrolíferas. Essa redução foi parcialmente compensada por um aumento de 0,11 mbd no Cazaquistão.
No total, a Opep+ bombeou 33,19 mbd em abril, quase 10% a menos que em fevereiro. Diante dessa situação, o grupo está longe de cumprir os aumentos de produção pactuados para abril e maio, de 0,20 mbd cada, e não há perspectiva de que possam incrementar outros 0,18 mbd em junho, conforme estabelecido, enquanto o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz não se normalizar.
Estreito de Ormuz e a paralisação de terminais iranianos
A normalização do trânsito pelo Estreito de Ormuz é crucial para a estabilidade do fornecimento. Imagens de satélite compiladas pela Bloomberg indicam que os envios de petróleo da ilha iraniana de Kharg, o principal terminal exportador do país, parecem estar paralisados há vários dias consecutivos. Não foram observados petroleiros oceânicos atracados no terminal nos dias 8, 9 e 11 de maio.
Embora dias isolados sem navios já tivessem sido registrados desde o início do conflito, este é o período mais prolongado sem atividade de carga. O jornal The New York Times noticiou um vazamento de três mil barris na instalação em 6 de maio, o que poderia ter afetado os carregamentos, embora o Irã tenha negado a ocorrência do vazamento.
Fonte: gazetadopovo.com.br
