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Trump ameaça fechar Ormuz após fracasso de acordo de paz EUA-Irã

BeeNews 12/04/2026 | 12:12 | Brasília
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As negociações de paz entre as delegações do Irã e dos Estados Unidos (EUA), realizadas em Islamabad, capital do Paquistão, terminaram sem um acordo após 21 horas de intensos debates. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, confirmou o fracasso ao deixar o local, afirmando que os iranianos optaram por não aceitar os termos propostos pelos americanos. Este desfecho eleva as tensões em uma das regiões mais voláteis do mundo, com implicações diretas para o comércio global de petróleo.

O insucesso das conversas reacende preocupações sobre o programa nuclear iraniano e a segurança marítima no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de energia. A falta de consenso sublinha a profunda desconfiança mútua e as divergências intransponíveis que persistem entre as duas nações, prometendo um cenário de maior instabilidade geopolítica.

Negociações frustradas: o impasse nuclear e a desconfiança mútua

O cerne das negociações girou em torno do programa nuclear do Irã. JD Vance reiterou a exigência dos EUA por um “compromisso afirmativo” de que o Irã não desenvolverá armas nucleares nem buscará ferramentas para tal fim. Segundo Vance, este é o objetivo central da administração americana, e a recusa iraniana em aceitar esses termos foi o principal entrave para um acordo.

Por sua vez, o Irã defende seu direito de manter um programa nuclear para fins pacíficos, negando veementemente qualquer intenção de construir uma bomba atômica. Teerã acusa os EUA de usarem a questão nuclear como um “pretexto” para buscar uma “mudança de regime” no país. O líder da delegação iraniana, Mohammad-Bagher Ghalibaf, chefe do Parlamento, expressou a boa vontade do Irã em negociar, mas ressaltou a falta de confiança nos EUA devido a “duas agressões anteriores” envolvendo os americanos e Israel.

Ghalibaf afirmou que a delegação iraniana apresentou “iniciativas promissoras”, mas o lado oposto não conseguiu conquistar a confiança necessária. Ele também enfatizou que o Irã não cessará seus esforços para consolidar as conquistas de 40 dias de “defesa nacional”, indicando a firmeza de sua posição. A falta de confiança, enraizada em históricos de conflito, provou ser um obstáculo intransponível nesta rodada de negociações.

O Estreito de Ormuz: epicentro da escalada de tensões

Após o fracasso das negociações, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou medidas drásticas relacionadas ao Estreito de Ormuz. Ele declarou que, diante da recusa iraniana em abrir mão de suas “ambições nucleares”, a Marinha estadunidense impedirá a passagem de embarcações pelo estreito. Trump também instruiu a Marinha a “buscar e interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã”, além de prometer destruir minas que os iranianos teriam colocado na região.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde transita aproximadamente 20% do comércio global de petróleo. O Irã havia fechado a via em resposta a uma agressão sofrida pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro. Essa ação iraniana e a subsequente ameaça de Trump representam uma escalada significativa na crise, com potencial para impactar severamente o mercado de energia internacional.

O novo líder Supremo do Irã, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, já havia sinalizado que a gestão do Estreito de Ormuz teria “novas regras” daqui para frente, indicando que a passagem não voltaria ao status anterior à guerra. As ameaças de Trump de “genocídio” contra o Irã, caso a passagem livre não fosse permitida, precederam uma frágil trégua de duas semanas, agora aparentemente comprometida pelo fracasso das negociações. Para mais contexto sobre as negociações, leia aqui.

Pontos de divergência: o que impediu o acordo

As negociações em Islamabad abordaram uma ampla gama de questões, refletindo a complexidade da relação entre EUA e Irã. Segundo Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, foram discutidos o Estreito de Ormuz, o programa nuclear, indenizações de guerra, o levantamento de sanções e o fim completo da guerra contra o Irã e na região. A vastidão e a sensibilidade desses tópicos tornaram um acordo em apenas 21 horas praticamente inviável.

Baqaei explicou à agência iraniana Irna que era “natural que tais questões não pudessem ser resolvidas em quase 24 horas de negociações”. Ele confirmou que as principais divergências persistiram em relação ao Estreito de Ormuz e a outras questões regionais, indicando que a segurança energética global e a influência geopolítica no Oriente Médio continuam sendo os maiores pontos de atrito entre as potências.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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