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Páscoa mais acessível: cesta de produtos registra queda de preço pelo segundo ano

BeeNews 01/04/2026 | 17:51 | Brasília
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A celebração da Páscoa promete ser mais leve para o bolso do consumidor brasileiro pelo segundo ano consecutivo. Uma análise recente revela que a cesta de produtos alimentícios típicos da data, que abrange desde os tradicionais chocolates até o bacalhau, apresentou uma redução de 5,73% em seu custo em comparação com o ano anterior. Este resultado segue a tendência observada em 2025, quando os preços já haviam recuado 6,77%.

A constatação é fruto de um levantamento detalhado realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nas vésperas do domingo de Páscoa. Os dados apontam para um cenário de deflação específica para os itens pascoais, em contraste com a dinâmica geral da economia.

Cenário Econômico da Páscoa: Queda Geral vs. Inflação Ampla

Enquanto a cesta de Páscoa registra uma notável queda de preços, o panorama da inflação geral do consumidor, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Mensal (IPC-10) da FGV, indicou uma alta de 3,18% no período de abril de 2025 a março de 2026. Essa divergência destaca uma particularidade no comportamento dos preços dos produtos sazonais da Páscoa, que se descolam da tendência inflacionária mais ampla.

Apesar da deflação média da cesta, é importante notar que alguns itens específicos tiveram aumentos consideráveis. Essa análise detalhada permite compreender as forças que atuam sobre os diferentes componentes da mesa de Páscoa, influenciando o orçamento das famílias.

Dinâmica de Preços: Itens em Alta e em Baixa

Ao observar os produtos individualmente, percebe-se que nem todos seguiram a tendência de queda da cesta. Itens como bombons e chocolates registraram um aumento de 16,71%, enquanto o bacalhau ficou 9,9% mais caro. A sardinha em conserva subiu 8,84%, o atum 6,41%, os pescados frescos 1,74% e os vinhos 0,73%.

Por outro lado, a deflação da cesta de Páscoa foi impulsionada pela redução de preços de outros produtos essenciais. O arroz, por exemplo, teve uma queda de 26,11%, os ovos de galinha recuaram 14,56% e o azeite ficou 23,20% mais barato, aliviando o custo total da celebração.

Histórico e Tendências: O Comportamento dos Preços ao Longo dos Anos

A análise histórica dos preços da Páscoa nos últimos quatro anos revela um padrão de alternância. Após duas Páscoas com inflação positiva em 2023 (13,16%) e 2024 (16,73%), os anos de 2025 (-6,77%) e 2026 (-5,73%) apresentaram deflação, ou seja, queda média nos preços.

A variação acumulada dos preços de Páscoa ao longo dos últimos quatro anos foi de 15,37%, um valor que se manteve abaixo da inflação geral ao consumidor, que marcou 16,53% no mesmo período (abril de 2022 a março de 2026). Nesse intervalo, bombons e chocolates ficaram 49,26% mais caros, o bacalhau subiu 31,21%, o atum 38,98% e o azeite 34,74%. Em contrapartida, a batata inglesa e a cebola viram seus preços caírem significativamente.

O Desafio dos Industrializados: O Caso do Chocolate

O economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, aponta para a complexidade dos repasses de quedas de preços de matérias-primas para produtos industrializados. Ele exemplifica com o chocolate: apesar do cacau, sua principal matéria-prima, ter registrado quedas expressivas no mercado internacional desde outubro de 2025, com recuo de cerca de 60% em relação aos últimos 12 meses, os preços dos chocolates ao consumidor continuaram em alta de 16,71% no período.

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) esclarece que o preço final do chocolate não é determinado apenas pelo cacau. Outros insumos como leite, açúcar, custos de frete (especialmente para cargas perecíveis que exigem caminhões frigoríficos) e a variação do dólar são fatores cruciais. A entidade também mencionou que o fenômeno El Niño em 2024 devastou plantações de cacau em países africanos, gerando um déficit de 700 mil toneladas e elevando o preço da tonelada na Bolsa de Nova York para US$ 11 mil, embora apenas uma fração desse impacto tenha se refletido no preço final.

Concentração de Mercado e Perspectivas do Setor

A questão da concentração de mercado também é um fator relevante, conforme apontado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. Em um estudo sobre a inflação de alimentos, ele destaca que a concentração tende a diminuir a concorrência entre empresas. No segmento de bombons e chocolates, cinco marcas de apenas três empresas detêm uma fatia de 83% do mercado.

Apesar dos desafios, a indústria de chocolates mantém uma expectativa positiva para esta Páscoa, impulsionada pela estabilidade econômica e pela menor taxa histórica de desemprego. A Abicab estima a criação de 14,6 mil empregos temporários, um aumento de 50% em relação ao ano anterior, com cerca de 20% dessas contratações se tornando fixas. Uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva ainda indica que a grande maioria dos consumidores, cerca de 90%, planeja adquirir produtos relacionados à Páscoa este ano.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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