A Petrobras comunicou a destituição de seu diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser, em uma decisão anunciada na noite de segunda-feira (6). A medida foi tomada após uma reunião do Conselho de Administração da estatal de petróleo, em um contexto de intensa repercussão sobre um leilão recente de gás.
A saída de Schlosser está diretamente ligada à sua responsabilidade pela área que conduziu, na última terça-feira (31), um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha. Este certame gerou controvérsia significativa ao registrar um ágio superior a 100%, resultando na venda do combustível para distribuidoras por mais que o dobro do preço de tabela.
O leilão controverso e a reação governamental
O leilão de GLP, realizado pela área então sob a gestão de Claudio Schlosser, rapidamente se tornou alvo de críticas. Dois dias após o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou publicamente seu descontentamento, indicando que a operação teria sido realizada em desacordo com as diretrizes da própria empresa. O presidente chegou a classificar o leilão como “cretinice, bandidagem”, manifestando o desejo de anular a venda.
Lula enfatizou que havia uma clara orientação do governo e da Petrobras para não elevar o preço do GLP, e que o leilão teria contrariado essa diretriz. Em resposta às declarações presidenciais, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), iniciou uma fiscalização nas refinarias da Petrobras. O objetivo era apurar “suspeitas de prática de preços com ágios elevados” no leilão do gás de cozinha, demonstrando a seriedade da situação e a rápida mobilização das autoridades. Para mais detalhes sobre a posição do governo, clique aqui.
Contexto de mercado e medidas governamentais
A controvérsia em torno do leilão de GLP ocorre em um período de volatilidade no mercado global de energia. O preço do petróleo e seus derivados tem experimentado uma escalada internacional, impulsionada por conflitos no Irã que geraram distúrbios na cadeia produtiva da matéria-prima e ameaças de escassez. Embora conhecido como gás de cozinha, o GLP também é um insumo crucial para diversas indústrias.
Paralelamente a esses desafios de mercado, o governo brasileiro tem buscado ativamente maneiras de mitigar os impactos da alta dos combustíveis para a população e a economia. A destituição do diretor da Petrobras coincidiu com o anúncio de um pacote de medidas governamentais. Este pacote inclui a zeragem de impostos e a concessão de subsídios específicos para o diesel e o gás de cozinha, visando conter a elevação dos preços e proteger o poder de compra dos consumidores.
Mudanças na diretoria da Petrobras
A diretoria de Logística, Comercialização e Mercados, anteriormente ocupada por Schlosser, é uma das oito diretorias que reportam diretamente à presidente da estatal, Magda Chambriard. Essa área possui atribuições estratégicas, incluindo a decisão sobre para quem e por qual valor a Petrobras comercializa seus produtos. A importância da função ressalta a gravidade da destituição.
Para preencher a lacuna, a Petrobras informou que Angélica Laureano, que atuava como diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade, assumirá a diretoria de Logística, Comercialização e Mercados. De forma temporária, William França, diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, acumulará as funções que eram de Laureano. Claudio Schlosser, engenheiro químico e advogado, ingressou na Petrobras em 1987 e estava na diretoria desde março de 2023, durante a gestão do presidente anterior, Jean Paul Prates.
Renovação no conselho de administração da Petrobras
Além das mudanças na diretoria, a Petrobras também anunciou uma alteração na presidência de seu Conselho de Administração. Marcelo Weick Pogliese foi eleito para presidir o colegiado até a próxima assembleia-geral, prevista para ocorrer nos próximos dez dias. Ele substitui Bruno Moretti, que renunciou para assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento.
O Conselho de Administração é o órgão de direção superior da Petrobras, responsável por definir as estratégias da companhia. Composto por sete a onze membros eleitos pelos acionistas, o conselho conta com a presidente Magda Chambriard entre seus integrantes. O governo, como acionista controlador da empresa, detém a prerrogativa de indicar o presidente do conselho.
A Petrobras informou que recebeu a indicação de Guilherme Santos Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, para o posto de presidente do conselho. A indicação será submetida à análise dos requisitos legais de gestão e integridade. Mello possui doutorado em ciência econômica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestrado em economia política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduações em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e Ciências Econômicas pela PUC-SP. Ele é professor licenciado do Instituto de Economia da Unicamp e coordenador de seu programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico, além de integrar conselhos de administração de outras empresas públicas, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. – Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
