1 é “para agora”. Lula envia ao Congresso projeto de lei pelo fim da escala 6x1

Jornada de trabalho: Marinho esclarece tramitação de propostas para redução e proteção contra retrocessos

BeeNews 15/04/2026 | 13:06 | Brasília
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O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganhou novos contornos com as recentes declarações do Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Ele enfatizou que as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) em tramitação, que visam a redução da carga horária semanal, não entram em conflito com o projeto de lei (PL) enviado pelo governo. A iniciativa governamental busca acelerar a aprovação de medidas que garantam mais qualidade de vida aos trabalhadores.

Marinho ressaltou a importância de consolidar a redução da jornada em nível constitucional, como uma salvaguarda contra futuras tentativas de aumentar a carga horária laboral. Essa preocupação surge em um cenário onde outros países, como a Argentina, implementaram reformas que ampliaram a jornada diária de trabalho, gerando um alerta sobre a necessidade de proteção dos direitos trabalhistas.

Estratégia do governo para a redução da jornada

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou recentemente ao Congresso Nacional um projeto de lei com pedido de urgência constitucional, visando o fim da escala de 6 dias trabalhados para 1 de descanso (6×1). A proposta prevê a redução da jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais, sem qualquer diminuição salarial. O regime de urgência acelera a tramitação, estabelecendo prazos de até 45 dias para análise na Câmara e outros 45 dias no Senado.

Segundo o ministro, a aprovação do PL é crucial para que a redução da jornada entre em vigor rapidamente. Ele explicou que, embora as PECs sejam importantes para a consolidação constitucional, o rito de tramitação de um projeto de lei é mais célere. Caso uma PEC seja aprovada antes do PL, a necessidade do projeto de lei seria naturalmente prejudicada.

Atualmente, a Constituição Federal permite uma carga horária de até 8 horas diárias e 44 horas semanais. Com a nova proposta, a escala 6×1, que permite até 8 horas diárias, deverá ser substituída pela 5×2, mantendo as 8 horas de trabalho por dia. Marinho também mencionou a possibilidade de uma escala 4×3, com 10 horas diárias de trabalho, a ser negociada coletivamente entre funcionários e empregadores.

O papel das PECs e a proteção constitucional

Luiz Marinho destacou que a inclusão da redução da jornada na Constituição é fundamental para impedir que futuros governantes, por meio de projetos de lei ordinários, possam aumentar a carga horária. Ele afirmou que um PL tem restrições para aumentar a jornada, enquanto a Constituição oferece uma blindagem mais robusta. O ministro citou o exemplo da reforma trabalhista na Argentina, que ampliou a jornada diária para 12 horas, como um cenário a ser evitado no Brasil.

A defesa do governo é que o PL avance para garantir a aplicação imediata da redução, enquanto as PECs podem consolidar essa mudança em um patamar constitucional. Questões como regras de transição e tempo de implementação para as empresas serão pontos de negociação no Congresso Nacional, com o governo comprometido em defender seu projeto e sua aplicação imediata.

Propostas em debate no Congresso

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados está analisando duas PECs relevantes sobre o tema. Uma delas, apresentada pela deputada Érika Hilton, propõe a escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso) e limita a duração do trabalho normal a 8 horas diárias e 36 horas semanais. Esta proposta faculta a compensação de horas e a redução de jornada mediante acordo ou convenção coletiva, com entrada em vigor 360 dias após a publicação.

Outra proposta em discussão na CCJ, do deputado Reginaldo Lopes, também busca reduzir a jornada de trabalho para 8 horas diárias e 36 horas semanais, com as mesmas faculdades de compensação e redução. No entanto, essa matéria não aborda a escala de dias de trabalho e prevê que a nova jornada entre em vigor dez anos após a data de sua publicação, indicando um prazo de adaptação mais longo.

Benefícios da nova jornada para trabalhadores e economia

Para o governo, a redução da jornada de trabalho sem corte salarial é uma medida que visa diretamente a melhoria da qualidade de vida da população. Isso se traduz em mais tempo para lazer, educação e convívio familiar. O ministro Luiz Marinho enfatizou que a escala 6×1 é a mais prejudicial, especialmente para as mulheres, que frequentemente acumulam a maior parte das responsabilidades domésticas e familiares.

Marinho argumenta que a diminuição da carga horária deve resultar em um ambiente laboral mais saudável e, consequentemente, em um aumento da produtividade do trabalhador. Ele mencionou que diversas empresas que já adotaram a iniciativa notaram melhorias significativas. Um ambiente de trabalho equilibrado contribui para eliminar o absenteísmo, aumentar a concentração e o foco, e prevenir o adoecimento mental, que muitas vezes é agravado por jornadas excessivas e assédio moral.

O ministro concluiu que a economia brasileira necessita de maior produtividade, e a redução da jornada é uma forma de abordar a alta incidência de adoecimento e acidentes no mercado de trabalho, além da baixa produtividade. A medida, portanto, não é apenas um benefício aos trabalhadores, mas uma estratégia para impulsionar a economia de forma sustentável.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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