meio do porto de Chancay, no Peru, tem cada vez mais conectado o país andino com

Peru enfrenta eleição presidencial com 35 candidatos em meio a crise política

BeeNews 12/04/2026 | 14:16 | Brasília
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O Peru se prepara para um novo capítulo em sua conturbada história política, com a realização de eleições gerais neste domingo (12). O pleito é marcado por uma fragmentação sem precedentes, com 35 candidatos disputando a presidência, refletindo a profunda instabilidade que levou o país a ter dez chefes de Estado em apenas dez anos, resultado de uma sucessão de renúncias e processos de impeachment. A expectativa é que os primeiros resultados comecem a ser divulgados à meia-noite, horário local, mantendo o país em suspense.

Além da escolha do presidente e vice-presidente, os 27 milhões de eleitores peruanos também elegerão 130 deputados e 60 senadores para um mandato de cinco anos. Esta eleição marca a reabertura do Senado peruano, que esteve fechado por 33 anos. A retomada do sistema bicameral pelo Congresso em 2024 ocorreu apesar da rejeição popular à medida em um plebiscito realizado em 2018, adicionando mais uma camada de complexidade ao cenário político.

A Complexa Disputa Eleitoral no Peru

Com um número tão elevado de postulantes ao cargo máximo do executivo – originalmente 36, um dos quais faleceu em um acidente de carro durante a campanha –, o resultado da eleição é considerado imprevisível. As pesquisas de intenção de voto indicam que Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, lidera com aproximadamente 15% dos votos, sendo a candidata mais provável a avançar para o segundo turno, agendado para o dia 7 de junho.

Apesar de sua liderança nas pesquisas, Keiko Fujimori enfrenta um histórico de derrotas no segundo turno nas últimas três eleições (2011, 2016 e 2021). A alta rejeição ao seu nome sugere um teto de votos que ela tem encontrado dificuldade em superar. A identidade do seu adversário no segundo turno permanece uma grande incógnita, uma vez que os demais candidatos se encontram em um empate técnico, sem um claro favorito.

Influências Geopolíticas e a Disputa Comercial

A eleição peruana transcende as fronteiras nacionais e ganha relevância no contexto da disputa comercial global entre China e Estados Unidos na América Latina. O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, avalia que este pleito é crucial para as correntes políticas de direita que buscam conter o avanço chinês no fluxo comercial com diversos países sul-americanos.

Menon destaca que o comércio chinês, impulsionado pelo porto de Chancay, no Peru, tem fortalecido as conexões do país andino com as rotas comerciais da Ásia e do Pacífico. Ao mesmo tempo, ele aponta para as sinalizações de Fujimori em prol de uma maior aproximação com os EUA, alinhando-se à política de Washington de reafirmar sua histórica influência na região. Essa dinâmica se insere em um cenário onde acordos militares têm sido firmados com países latino-americanos alinhados aos EUA, na tentativa de mitigar as relações comerciais entre a China e a região.

Panorama dos Principais Candidatos e a Fragmentação Política

No espectro da direita, além de Keiko Fujimori, destacam-se nomes como Rafael López Aliaga, conhecido como “Porky”. Ex-prefeito de Lima, Aliaga é frequentemente comparado a figuras como Donald Trump e Javier Milei, devido ao seu discurso ultraconservador e à defesa radical do livre mercado. Outro candidato de direita que figura entre os mais bem posicionados nas pesquisas é o humorista Carlos Álvarez.

O campo da esquerda apresenta um cenário ainda mais pulverizado, com os candidatos pontuando em torno de 5% das intenções de voto. Entre eles, sobressai o deputado Roberto Sánchez, que conta com o apoio do ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi ministro do Comércio Exterior e Turismo. O partido que elegeu Castillo, o Peru Livre, lançou Vladimir Cerrón, que rompeu com o ex-presidente logo no início de seu mandato. Outros nomes relevantes incluem Ricardo Belmont, ex-prefeito de Lima, e o economista Alfonso López-Chau, ex-diretor do Banco Central. A proximidade dos resultados entre esses candidatos, dentro da margem de erro, reforça a imprevisibilidade do pleito, segundo o professor Gustavo Menon.

Uma Década de Instabilidade: A Recente Crise Política Peruana

A eleição de 2021, que levou Pedro Castillo, um professor rural de centro-esquerda, à presidência, foi uma surpresa eleitoral. Contudo, seu mandato foi abruptamente interrompido quando ele foi afastado e preso após tentar dissolver o Parlamento, sendo condenado em novembro de 2025 a mais de 11 anos de prisão por “rebelião”.

Sua vice, Dina Boluarte, assumiu o cargo, mas sua gestão foi marcada pela repressão violenta às manifestações contra a destituição de Castillo, resultando em 49 mortes, conforme a Anistia Internacional. Com baixíssima aprovação popular, Boluarte foi destituída pelo Congresso em 10 de outubro de 2025. Em seu lugar, assumiu o então presidente do Parlamento, José Jerí, cuja gestão também foi breve, sendo destituído pelo Congresso em 17 de fevereiro de 2026. O cargo foi então ocupado interinamente por José María Balcázar Zelada, eleito indiretamente pelo poderoso Parlamento peruano, frequentemente apontado como o verdadeiro poder de fato no país andino. Essa sucessão de eventos sublinha a fragilidade institucional e a constante busca por estabilidade que o Peru enfrenta.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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