Pela primeira vez desde 2007, a Rússia realizará a tradicional Parada da Vitória de 9 de maio sem a exibição de armamentos militares. A decisão, anunciada pelo Ministério da Defesa russo, é justificada pelo que o Kremlin descreve como uma “ameaça terrorista” vinda da Ucrânia e a “atual situação operacional” do conflito.
O desfile, que anualmente celebra o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa em 1945, é um dos eventos mais importantes do calendário russo, tradicionalmente marcado por uma grandiosa demonstração de poderio militar. A ausência de tanques, peças de artilharia e mísseis neste ano sinaliza uma mudança notável na forma como o país aborda a celebração em meio à guerra em curso.
Mudança na tradição da Parada da Vitória
A Parada da Vitória é um evento de profundo significado histórico e político para a Rússia, simbolizando a força e a resiliência do país. Desde 2007, o desfile na Praça Vermelha de Moscou tem sido um palco para a exibição dos mais recentes e poderosos equipamentos militares russos, servindo como uma demonstração de capacidade e dissuasão.
A ausência de armamentos pesados neste ano representa uma quebra com essa tradição recente. Embora a pasta da Defesa tenha confirmado a participação de representantes de todos os ramos das Forças Armadas, a mudança no formato reflete a preocupação com a segurança e o contexto atual do conflito com a Ucrânia, que o Kremlin denomina “operação militar especial”.
Justificativa do Kremlin e cenário de segurança
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reiterou que a decisão de não exibir armamentos visa minimizar riscos diante da “ameaça terrorista”. Ele afirmou que o “regime de Kiev, que a cada dia perde terreno no campo de batalha, agora se envolveu plenamente na atividade terrorista”, conforme reportado pela agência EFE.
Apesar da ausência de equipamentos terrestres, o desfile incluirá vídeos mostrando militares “executando tarefas na zona da operação militar especial” e uma demonstração aérea. Esta abordagem busca manter o espírito da celebração, ao mesmo tempo em que se adapta às preocupações de segurança levantadas pelas autoridades russas.
Impacto dos ataques ucranianos e baixas russas
A justificativa russa para a alteração na Parada da Vitória ocorre em um período de intensificação dos ataques ucranianos, especialmente com o uso de drones. Relatos da agência Reuters em março indicaram que 40% da capacidade de exportação de petróleo russo foi paralisada devido a ataques à infraestrutura do setor e à apreensão de petroleiros.
Além disso, o conflito tem gerado um número significativo de baixas para as forças russas. Um relatório do think tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) apontou que, até o final de janeiro, a Rússia havia sofrido aproximadamente 1,2 milhão de baixas, incluindo 325 mil mortes. O CSIS destacou que “nenhuma grande potência militar chegou perto de sofrer um número tão grande de baixas ou mortes em qualquer conflito desde a Segunda Guerra Mundial”. O secretário da Defesa do Reino Unido, John Healey, citando dados ucranianos, mencionou que 96% das baixas russas na linha de frente são causadas por drones ucranianos. Acesse mais informações sobre o conflito.
Fonte: gazetadopovo.com.br
