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Brasil e Senegal buscam voos mais curtos para impulsionar comércio e turismo

BeeNews 22/04/2026 | 09:40 | Brasília
6 min de leitura 1.028 palavras

O governo brasileiro intensifica esforços para reduzir o tempo de voo entre o Brasil e Dacar, capital do Senegal, na Costa Oeste da África. Esta iniciativa estratégica visa não apenas dinamizar o comércio e o turismo bilateral, mas também fortalecer as conexões com países vizinhos em ambas as regiões. A medida é vista como crucial para superar as atuais barreiras logísticas que dificultam o intercâmbio entre as duas nações.

Atualmente, a ausência de voos diretos obriga brasileiros e senegaleses a realizar longas e custosas viagens, muitas vezes com escalas em hubs distantes como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, ou em aeroportos europeus. Essas rotas prolongam significativamente o tempo de deslocamento, tornando a viagem menos acessível e atraente para fins comerciais e turísticos. A embaixadora do Brasil no Senegal, Daniella Xavier, ressaltou a incongruência dessa situação, dada a proximidade geográfica entre os dois países.

Desafios da Conectividade Aérea e a Proximidade Geográfica

Apesar da percepção de distância, a capital potiguar, Natal, no Rio Grande do Norte, está a apenas 2,9 mil quilômetros de Dacar em linha reta. Essa distância é quase a metade da que separa Natal de Lisboa e cerca de um quarto da rota para Dubai. A embaixadora Daniella Xavier enfatizou a urgência de resolver essa questão durante sua participação no Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança na África, realizado na cidade de quase 4 milhões de habitantes.

“Temos que continuar a trabalhar nesse sentido, pois não é lógico que tenhamos que ir à Europa para vencer menos de 3 mil km! Imaginem a redução dos tempos de voo e nos custos também em benefício dos demais países da África Ocidental, da América Latina e do Caribe”, declarou a diplomata. Para ela, é fundamental romper um “círculo vicioso” onde a falta de conexões aéreas limita o comércio e o turismo, e a ausência de escala impede o estabelecimento de novas rotas.

Em busca de soluções, Daniella Xavier informou ter se reunido com o ministro das Infraestruturas e dos Transportes de Senegal, Yankhoba Diémé, e com a direção da companhia aérea estatal Air Senegal. A proposta é fomentar entendimentos e parcerias de codeshare entre empresas brasileiras – que são todas privadas – e a Air Senegal, ou até mesmo companhias de outros países africanos, como Marrocos, Etiópia e Turquia, para viabilizar voos mais curtos e diretos.

Fortalecimento dos Laços Históricos e Diplomáticos

A relação entre Brasil e Senegal é marcada por laços históricos e diplomáticos profundos. O Senegal, que obteve sua independência da França no início da década de 1960, compartilha com o Brasil uma história intrinsecamente ligada ao tráfico de escravizados. A Ilha de Gorée, no Senegal, é um local de memória viva desse período sombrio, sendo um dos principais pontos de partida de africanos escravizados para as Américas.

A embaixada brasileira em Dacar foi inaugurada em 1961, e o Senegal retribuiu com a abertura de sua representação diplomática em Brasília dois anos depois. A embaixada senegalesa na capital brasileira é a única do país africano em toda a América do Sul, o que sublinha a importância estratégica e a centralidade dessa relação bilateral para o Senegal. Essa longa trajetória diplomática, de quase 65 anos, estabeleceu uma base sólida para a cooperação atual.

Expansão do Comércio e Investimentos Bilaterais

O comércio entre Brasil e Senegal, país com quase 19 milhões de habitantes, alcançou US$ 386,1 milhões em 2025, com um saldo de US$ 370,8 milhões favorável ao Brasil, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Esse desequilíbrio indica que o Brasil exporta significativamente mais para o Senegal do que importa.

A embaixadora Daniella Xavier sugere que o Senegal tem potencial para diversificar e aumentar suas exportações para o Brasil, citando produtos como amendoim e seus derivados, produtos gourmet das flores do nenúfar (lírios-d’água), tecidos e artesanato. A tendência de aumento do comércio bilateral é promissora, e o Brasil trabalha para expandir os investimentos. No ano passado, uma missão de 50 empresários brasileiros visitou o Senegal, explorando novas oportunidades.

Um exemplo concreto de investimento é o anúncio, em outubro do ano passado, da criação da primeira indústria de genética agrícola no Senegal. A iniciativa, fruto de uma parceria entre a empresa brasileira West Aves e parceiros africanos, prevê um investimento inicial de US$ 20 milhões. O projeto tem como objetivo produzir 30 milhões de ovos e 400 mil aves reprodutoras, com a estimativa de gerar 300 empregos diretos e 1 mil indiretos, além de promover a transferência de tecnologia. A expectativa é que, com o sucesso, o projeto possa levar à autossuficiência do Senegal na produção de aves e a uma redução de 20% nos custos para o consumidor final. Há também entendimentos para o Brasil compartilhar tecnologias nas áreas de agropecuária, programas de merenda escolar e defesa.

Alinhamento Multilateral e Visão de Paz

Além dos benefícios econômicos, a relação entre Brasil e Senegal tem ganhado dinamismo no cenário multilateral. Ambos os países compartilham posições convergentes em diversas questões internacionais, incluindo a defesa de reformas em organismos como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Este é um pleito antigo tanto do Brasil quanto de nações africanas, que buscam maior representatividade em um conselho onde apenas cinco países detêm assentos permanentes e poder de veto.

A embaixadora do Senegal no Brasil, Marie Gnama Bassene, destacou a importância do papel de seu país na construção da confiança, no fortalecimento da cooperação e na prevenção de conflitos por meio do diálogo. Ela observou muitas semelhanças com o Brasil, afirmando que “Nossos dois países compartilham o mesmo compromisso com o multilateralismo, a diplomacia, a paz e a segurança, bem como a prevenção e a resolução pacífica de conflitos por meio do diálogo e da consulta”.

O Senegal assumirá a presidência da Comissão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) de 2026 a 2030 e é um membro ativo da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), uma aliança de mais de 20 países, majoritariamente africanos, dedicada a manter o Atlântico Sul livre de conflitos. O Brasil recentemente assumiu a liderança desse grupo, reforçando a parceria estratégica com o Senegal em prol da paz e da segurança regionais. Essa colaboração é vista como “forte, estável e duradoura”, essencial para enfrentar o complexo cenário internacional atual.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Palavras-chave: áfrica, atlântico, brasil, comércio, desenvolvimento, Diplomacia, economia, governo, onu, relações, segurança, senegal, transporte, turismo, voos, países, milhões, dacar, embaixadora, daniella, xavier
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