O ministro das Relação Exteriores, Mauro Vieira, e o presidente Lula. Itamaraty teria barrado expulsão de outro agente americano

Crise diplomática: Itamaraty barra tentativa de expulsão de segundo agente dos EUA pelo governo Lula

BeeNews 25/04/2026 | 18:25 | Brasília
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Uma recente revelação jornalística aponta para uma tentativa do governo brasileiro de intensificar a resposta diplomática aos Estados Unidos, propondo a expulsão de um segundo agente americano. A iniciativa, contudo, teria sido barrada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, que ponderou sobre os riscos de uma escalada na crise bilateral. A decisão do Itamaraty reflete uma cautela em relação ao princípio da reciprocidade, buscando evitar que a retaliação brasileira fosse interpretada como um movimento além do que foi defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O episódio ocorre em um contexto de tensão, após a saída do adido americano Michael William Myers do Brasil nesta sexta-feira (24), cujas credenciais foram retiradas em retaliação à expulsão de um delegado da Polícia Federal brasileira dos EUA. A informação sobre a tentativa de expulsão do segundo agente, cuja identidade não foi revelada, foi apurada pelo jornal Estadão, adicionando uma nova camada de complexidade às relações entre os dois países.

Crise diplomática: a tentativa de expulsão e a intervenção do Itamaraty

O governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula, manifestou a intenção de retirar as credenciais de um segundo agente dos Estados Unidos atuante no país. Essa medida se somaria à expulsão já efetivada de Michael William Myers, que deixou o território nacional. A Polícia Federal chegou a suspender temporariamente o acesso do funcionário americano à corporação e aos seus sistemas, aguardando uma decisão final.

No entanto, o Itamaraty interveio na situação, restituindo as credenciais do agente e barrando a expulsão. A chancelaria brasileira avaliou que a retirada de dois agentes americanos, em resposta à expulsão de um único delegado brasileiro pelos EUA, poderia ser vista como uma desproporcionalidade e uma escalada diplomática desnecessária, contrariando o princípio da reciprocidade.

O princípio da reciprocidade e o risco de escalada

A principal preocupação do Ministério das Relações Exteriores era que uma retaliação exacerbada pudesse ser interpretada por Washington como um movimento que ultrapassava a “reciprocidade defendida” pelo presidente Lula. Fontes ligadas ao MRE enfatizaram a importância de que a resposta brasileira à decisão dos EUA mantivesse a equivalência tanto na “forma” quanto no “conteúdo”.

A expulsão de dois agentes, em vez de um, como foi o caso do delegado brasileiro nos EUA, extrapolaria esse princípio, agravando a crise diplomática. O Itamaraty buscou, assim, gerenciar a situação para evitar um aprofundamento das tensões que pudesse ter implicações mais amplas nas relações bilaterais.

O caso Michael William Myers e o delegado Marcelo Ivo de Carvalho

A origem da atual tensão remonta à expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território americano. Ele foi acusado pelo governo dos EUA de tentar manipular o sistema migratório para acelerar a repatriação do ex-deputado Alexandre Ramagem, gerando um incidente diplomático significativo.

Em resposta, o Brasil retaliou com a retirada das credenciais de Michael William Myers, adido do departamento de imigração dos EUA (ICE) no Brasil, que atuava na área de segurança. Myers, que havia sido credenciado por meio da embaixada americana em Brasília desde setembro de 2024, deixou o país na sexta-feira (24). A medida brasileira foi divulgada em 22 de abril, dois dias após a expulsão de Marcelo Ivo.

A situação do segundo agente e o posicionamento da Polícia Federal

Em relação ao segundo agente americano, cuja expulsão foi barrada pelo Itamaraty, o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou ao jornal que houve um corte temporário de acesso do funcionário à corporação. Isso implicou na suspensão do acesso do agente à sede da PF e aos seus sistemas internos.

Apesar da ação inicial da Polícia Federal, a intervenção do Ministério das Relações Exteriores resultou na restituição das credenciais do agente. A identidade deste segundo funcionário americano não foi divulgada, mantendo o foco na dinâmica institucional e nos princípios diplomáticos envolvidos na gestão da crise. A decisão final do Itamaraty sublinha a complexidade de equilibrar a soberania nacional com a manutenção de relações internacionais estáveis.

Para mais detalhes sobre as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, consulte fontes confiáveis como o Estadão.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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