A menos de três anos da Copa do Mundo de 2026, que o México sediará em conjunto com Estados Unidos e Canadá, o país latino-americano se vê imerso em um cenário de profundas incertezas. A escalada da violência, marcada por conflitos entre cartéis e ataques em áreas antes consideradas seguras, soma-se a atrasos significativos em obras de infraestrutura essenciais e à ameaça de protestos sociais generalizados. Este complexo panorama desafia a capacidade do governo mexicano de garantir a segurança e a fluidez necessárias para um evento de magnitude global.
As preocupações se intensificam à medida que o país se aproxima do megaevento. A organização da Copa do Mundo, um dos maiores espetáculos esportivos do planeta, exige não apenas estádios modernos, mas também uma infraestrutura robusta e um ambiente de segurança que inspire confiança em turistas e participantes. No entanto, os desafios atuais colocam em xeque a imagem e a estabilidade do México no cenário internacional.
A escalada da violência e a segurança pública no México
A situação de segurança no México é alarmante e reflete uma violência estrutural que tem se expandido. Recentemente, um ataque a tiros em Teotihuacán, um dos mais importantes complexos de pirâmides do país, resultou em mortos e feridos. Este incidente rompeu a percepção de que a criminalidade estaria restrita a regiões de disputa entre cartéis, evidenciando a capilaridade da violência.
Além disso, a morte de líderes do narcotráfico tem desencadeado ondas de bloqueios e confrontos em diversos estados, gerando um ceticismo crescente sobre a capacidade do governo de proteger turistas e as delegações das seleções. A imprevisibilidade desses eventos cria um clima de instabilidade que pode impactar diretamente a experiência dos visitantes durante a Copa do Mundo.
A corrida contra o tempo nas obras de infraestrutura
O México também enfrenta uma corrida contra o tempo para entregar infraestruturas básicas e modernizar seus estádios. A passarela que deveria ligar o Estádio Azteca ao terminal de Huipulco, por exemplo, sofreu atrasos consideráveis e teve seu orçamento mais que dobrado. Esta obra é crucial para o fluxo de torcedores e para a logística do transporte público.
O próprio Estádio Azteca, um dos palcos históricos do futebol mundial e que receberá partidas da Copa, ainda apresenta tribunas inacabadas e obras externas em andamento. O estádio ficou fechado por quase dois anos para reformas que foram alvo de questionamentos pela organização, levantando dúvidas sobre a conclusão em tempo hábil e a qualidade final das intervenções.
Ameaças de protestos e instabilidade social
A preparação para a Copa do Mundo é ainda mais complicada pelas ameaças de paralisação de vias estratégicas por diferentes grupos sociais. Profissionais do sexo, que foram deslocados devido às obras na capital, prometem bloquear avenidas importantes e o sistema de metrô, buscando visibilidade para suas reivindicações.
Paralelamente, o sindicato nacional dos trabalhadores da educação ameaça fechar rodovias e cercar estádios caso suas demandas trabalhistas não sejam atendidas. Essas mobilizações sociais podem criar um ambiente de instabilidade significativo, dificultando o deslocamento de pessoas e a logística do evento nas cidades-sede.
Limites do ‘sportswashing’ e implicações geopolíticas
Especialistas avaliam que a estratégia do ‘sportswashing’ — o uso de grandes eventos esportivos para melhorar a imagem de um país — terá eficácia limitada no México. Diferente de regimes mais fechados, como Catar ou China, o México é uma democracia plural com a presença de grupos armados não estatais. Essa característica impede que o governo controle totalmente a narrativa e a percepção pública.
Os problemas reais de criminalidade e desordem tendem a ser expostos globalmente, dissipando quaisquer ganhos reputacionais rápidos que o evento poderia trazer. Há também uma preocupação geopolítica relevante, pois a demonstração de força dos cartéis e a perturbação da ordem pública podem enfraquecer a posição do governo mexicano aos olhos da comunidade internacional. Os Estados Unidos, por exemplo, têm sinalizado esforços para aumentar sua influência no continente, inclusive classificando grupos do crime organizado como terroristas, o que poderia servir de pretexto para pressões ou intervenções em nome da segurança regional. Para mais informações sobre a Copa do Mundo, visite o site oficial da FIFA.
Fonte: gazetadopovo.com.br
