A tradicional Missa do Lava-Pés retornou à Basílica de São João de Latrão, em Roma, nesta quinta-feira (2), marcando um momento significativo para a Igreja Católica. A celebração, presidida pelo Papa Leão XIV, restaurou uma prática que estava ausente da catedral da capital italiana há 13 anos, reacendendo a conexão com um dos ritos mais simbólicos da Quinta-feira Santa.
A última vez que a Missa do Lava-Pés havia sido realizada na Basílica de São João de Latrão foi em 2012, sob o pontificado de Bento XVI. Nos anos subsequentes, o Papa Francisco, seu sucessor, optou por levar a cerimônia a locais que simbolizavam a periferia e a inclusão, como prisões e centros de acolhimento para idosos ou imigrantes, ampliando o alcance pastoral do gesto de humildade.
O retorno do Lava-Pés à Basílica de São João de Latrão
A decisão do Papa Leão XIV de trazer o rito de volta à catedral de Roma sublinha a importância da Basílica de São João de Latrão como a igreja-mãe de todas as igrejas e a catedral do Bispo de Roma. Este retorno após mais de uma década ressalta a continuidade das tradições e a centralidade dos ritos litúrgicos no coração da Igreja.
A celebração da Quinta-feira Santa é um dos momentos mais solenes do calendário litúrgico, comemorando a Última Ceia de Jesus Cristo com seus apóstolos. O gesto do Lava-Pés, em particular, é um lembrete vívido do serviço e da humildade que Cristo ensinou aos seus discípulos, um exemplo de amor e dedicação ao próximo.
O simbolismo do gesto e a homilia do pontífice
Durante a Missa do Lava-Pés, o pontífice lavou, secou e beijou os pés de 12 padres da Diocese de Roma, replicando o ato de Jesus. Este gesto, carregado de significado, transcende a mera formalidade, sendo uma representação tangível da vocação de serviço da Igreja e de seus líderes.
Em sua homilia, o Papa Leão XIV enfatizou que o gesto do Lava-Pés é muito mais do que um modelo moral. Ele explicou que o Senhor, ao pegar a água, a bacia e a toalha, transmite sua própria forma de vida. “Lavar os pés é um gesto que sintetiza a revelação de Deus, sinal exemplar do Verbo feito carne, a sua memória inconfundível. Ao assumir a condição de servo, o Filho revela a glória do Pai, derrubando os critérios mundanos que mancham a nossa consciência”, afirmou o Papa, destacando a verdadeira onipotência divina na humildade.
Papa Leão XIV: um novo capítulo para a Igreja
O Papa Leão XIV, o primeiro norte-americano a ocupar o trono de São Pedro, foi eleito líder da Igreja durante um conclave convocado após a morte de Francisco, em abril. Esta Missa do Lava-Pés marca sua primeira celebração de Páscoa como pontífice, inaugurando um novo período para a Igreja Católica sob sua liderança.
Sua participação ativa neste rito tradicional na catedral de Roma é vista como um sinal de seu compromisso com as raízes da fé e com a mensagem de serviço. A comunidade católica global observa com atenção os primeiros passos de seu pontificado, especialmente em celebrações tão emblemáticas como a Quinta-feira Santa.
A convocação à adoração e fraternidade
Ao concluir a celebração, o Papa Leão XIV convocou os fiéis à adoração eucarística, um momento de profunda comunhão e reflexão sobre o sacrifício de Cristo. Ele reiterou a importância da data, afirmando que “A Quinta-feira Santa é um dia de fervorosa gratidão e de autêntica fraternidade”.
Este chamado ressoa com a mensagem central do Lava-Pés, convidando todos os cristãos a viverem em espírito de serviço mútuo e amor fraterno, pilares fundamentais da fé cristã. A celebração na Basílica de São João de Latrão, portanto, não foi apenas um retorno à tradição, mas um reforço da mensagem perene de Cristo. Para mais informações sobre as atividades do Vaticano, visite o Vatican News.
Fonte: gazetadopovo.com.br
