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Z.ro Bank encerra contas de pessoas físicas e acelera expansão internacional no setor B2B

BeeNews 27/04/2026 | 08:37 | Brasília
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O Z.ro Bank, fintech fundada em Recife no ano de 2019, anunciou uma mudança profunda em seu modelo de negócios para os próximos anos. A instituição está encerrando oficialmente as operações voltadas para contas de pessoas físicas para concentrar todos os seus esforços e recursos no segmento B2B. Essa movimentação estratégica posiciona a empresa como uma infratech financeira, oferecendo soluções robustas de pagamentos locais, transações cross-border e operações com criptomoedas para o mercado corporativo.

A liderança dessa nova fase de internacionalização está sob o comando de Rafael Lavezzo, que assumiu o cargo de CEO do Z.ro International no início de 2025. Com uma trajetória sólida em gigantes do setor de pagamentos como Cielo, Worldpay e Nuvei, o executivo traz a experiência necessária para consolidar a marca como um player global de relevância, priorizando inicialmente a expansão agressiva por toda a América Latina.

Transição estratégica para o modelo de infratech financeira

A decisão de abandonar o mercado B2C não foi um movimento isolado, mas sim o resultado de um planejamento que identificou a força da infraestrutura tecnológica da companhia. Segundo Rafael Lavezzo, a tecnologia desenvolvida internamente pela fintech era excessivamente sofisticada para as necessidades básicas do consumidor final. O foco em empresas permite uma customização maior e atende a demandas complexas de negócios que operam em escala global.

Os números corroboram essa mudança de rota. Em 2023, o segmento B2B já representava 90% do faturamento total da instituição, validando a tese de que o caminho corporativo era o mais rentável e escalável. Ao se consolidar como uma infratech, o Z.ro Bank busca otimizar seus processos internos e oferecer uma plataforma técnica superior para parceiros que necessitam de agilidade financeira e conformidade regulatória.

Expansão acelerada e foco no mercado da América Latina

O cronograma de internacionalização já apresenta resultados concretos e operacionais. Em menos de um ano sob a nova gestão, a fintech iniciou operações em mercados estratégicos como Argentina, Peru e México. A escolha desses países foi deliberada, visando testar a resiliência da operação em ambientes regulatórios e econômicos considerados propositalmente desafiadores pelo comando da empresa.

O potencial do mercado de pagamentos transfronteiriços na região é classificado como uma oportunidade gigantesca. Atualmente avaliado em US$ 400 bilhões, as projeções do setor indicam que o mercado pode atingir a marca de US$ 1 trilhão até o ano de 2030. O Brasil detém quase metade desse volume, mas a outra metade, distribuída pelos vizinhos latinos, é vista como a principal fronteira para a captura de novos fluxos financeiros.

Infraestrutura própria e simplificação de pagamentos globais

Um dos principais diferenciais competitivos defendidos pelo Z.ro Bank é a posse de uma infraestrutura proprietária para câmbio e criptoativos. Diferente de muitos concorrentes que dependem de serviços de terceiros, a fintech construiu sua tecnologia de forma nativa. Isso permite uma redução significativa de custos operacionais e oferece maior flexibilidade técnica para atender demandas específicas de grandes clientes.

O modelo de atendimento da companhia foca em três perfis principais de clientes:

  • Merchants digitais globais que buscam vender na região;
  • Provedores de Serviços de Pagamento (PSPs) internacionais;
  • Bancos tradicionais ou de câmbio que necessitam movimentar capital.

A proposta de valor central é a eliminação da fricção na entrada do mercado latino-americano. Através de uma única integração via API, as instituições podem operar em múltiplos países, reduzindo o tempo de onboarding que, em modelos tradicionais, pode levar meses para ser concluído.

Consolidação de mercado e planos para fusões e aquisições

Com a expectativa de encerrar o atual exercício com um crescimento de 50% na receita bruta em comparação ao ano anterior, o Z.ro Bank já começa a avaliar movimentos de consolidação. O apetite por fusões e aquisições (M&A) está no radar da diretoria, visando tanto a complementação de serviços tecnológicos quanto o aumento da participação de mercado em territórios estrangeiros.

Embora uma nova rodada de captação de recursos financeiros não seja descartada, o foco atual está na busca por parceiros estratégicos. De acordo com informações do portal Startups, a meta estabelecida por Rafael Lavezzo é ambiciosa: posicionar o Z.ro Bank entre os três principais players de pagamentos cross-border da América Latina em um horizonte de 18 a 24 meses.

Fonte: startups.com.br

Palavras-chave: bancos, câmbio, criptomoedas, economia, fintech, infraestrutura, internacionalização, investimentos, pagamentos, tecnologia, mercado, bank, modelo, operações, infratech, financeira, rafael, lavezzo
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