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Operações dos EUA expõem fragilidade da defesa chinesa em cenários de conflito real

BeeNews 26/04/2026 | 23:54 | Brasília
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As recentes operações militares conduzidas pelos Estados Unidos na Venezuela e no Irã transcenderam seus objetivos imediatos, revelando uma série de fragilidades nos sistemas de defesa aérea fornecidos pela China a esses países. Os incidentes levantaram sérias dúvidas sobre a eficácia do aparato militar promovido por Pequim, gerando um debate global sobre a real capacidade de seus equipamentos em cenários de combate. Essas operações expuseram a distância entre a retórica da propaganda militar chinesa e o desempenho prático de suas tecnologias.

Essa exposição de vulnerabilidades não apenas abala a imagem da indústria bélica chinesa, mas também força nações clientes a reavaliar a segurança de seus próprios sistemas defensivos. A credibilidade da China como fornecedora de tecnologia militar avançada está agora sob intenso escrutínio, com implicações significativas para o mercado global de armas e para a geopolítica internacional.

A Exposição da Defesa Chinesa na Venezuela e a Ineficácia dos Radares

A Venezuela, sob o regime de Nicolás Maduro, havia investido em um robusto arsenal antiaéreo, resultado de décadas de aquisições de sistemas de defesa da Rússia e da China. Entre 2010 e 2020, a China foi o segundo maior fornecedor de armas para a Venezuela, respondendo por 16,4% das compras militares do país, superada apenas pela Rússia (59,6%). Nesse mesmo período, a Venezuela representou 85,8% de todas as exportações militares chinesas para a América Latina, consolidando a presença de Pequim na região.

Contudo, durante uma operação americana em janeiro na Venezuela, os sistemas chineses falharam. Radares como o JYL-1, JY-11 e JY-27A, identificados pela Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China (USCC), não funcionaram conforme o esperado. O JY-27A, especificamente, é comercializado como um radar “antifurtividade”, projetado para detectar aeronaves de quinta geração dos EUA, como os caças F-22 e F-35. No entanto, nenhum dos radares adquiridos por Caracas conseguiu detectar as incursões aéreas americanas.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, confirmou a participação de mais de 150 aeronaves americanas na operação, sem que nenhuma delas fosse detectada ou abatida pelas forças venezuelanas. Caine detalhou que os EUA empregaram efeitos de guerra cibernética e espacial para criar um corredor de acesso a Caracas, neutralizando completamente os sistemas de radar e defesa aérea venezuelanos, incluindo os de origem chinesa. Segundo o diplomata Arturo McFields, dissidente do regime da Nicarágua, o episódio “escancarou a distância entre a propaganda militar chinesa e o desempenho real de seus equipamentos em cenário de guerra”. Ele afirmou que os “radares JY-27A sempre impressionaram em desfiles militares, mas se revelaram cegos, surdos e mudos no combate real”.

A Projeção Global da Indústria Bélica Chinesa em Xeque

A China tem se estabelecido como uma potência no mercado global de armamentos. Dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) indicam que o país é o quinto maior exportador mundial de armas, com 4,79% do comércio global do setor entre 2000 e 2024. Essa posição coloca Pequim atrás de Estados Unidos, Rússia, França e Alemanha, mas demonstra sua crescente influência no cenário militar internacional.

A presença militar chinesa se estende por 48 nações na Ásia, África e América Latina, incluindo empresas de segurança privada que protegem projetos de infraestrutura, portos e minas. Essa expansão visa projetar o poder militar de Pequim e consolidar sua influência geopolítica. No entanto, a credibilidade desse instrumento de projeção foi severamente abalada pelas operações americanas contra a Venezuela e, posteriormente, contra o Irã e o Paquistão.

Após a operação na Venezuela, Pequim evitou responder diretamente a questionamentos sobre a eficácia de seus equipamentos militares. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, limitou-se a condenar a ação americana como uma violação da soberania venezuelana e das normas do direito internacional, sem abordar as falhas técnicas.

Falhas Críticas em Teerã e Islamabad Abalam a Defesa Chinesa

O Irã, um importante cliente da indústria bélica chinesa, também teve seus sistemas de defesa testados e, aparentemente, falhos. Sancionado por países ocidentais, Teerã recorreu à China para modernizar sua defesa aérea. Em julho de 2025, após ataques dos EUA e Israel, fontes da inteligência árabe, citadas pelo jornal Middle East Eye, relataram que o regime iraniano havia recebido baterias do míssil chinês HQ-9B. Essa transação, muitas vezes realizada via troca de petróleo por armamento, é um mecanismo comum para contornar sanções.

O sistema HQ-9B, desenvolvido pela estatal China Aerospace Science and Industry Corporation e inspirado no russo S-300, foi integrado a uma defesa em camadas que incluía também o S-300PMU-2 russo, o iraniano Bavar-373 e plataformas de médio e curto alcance. No papel, essa configuração representava um dos arsenais antiaéreos mais robustos do Oriente Médio. Contudo, em 28 de fevereiro, o sistema chinês, juntamente com os demais, não conseguiu detectar ou impedir ataques coordenados dos EUA e Israel. Esses ataques atingiram mais de 20 províncias iranianas, destruíram instalações militares estratégicas e resultaram na morte de grande parte da alta cúpula política e militar, incluindo o aiatolá Ali Khamenei e comandantes da Guarda Revolucionária. A imprensa americana noticiou que os sistemas HQ-9B implantados ao redor de Teerã não impediram nenhum dos bombardeios.

A situação se repetiu em maio de 2025, quando equipamentos de defesa fornecidos pela China ao Paquistão foram testados durante a chamada Operação Sindoor, lançada pela Índia. O Paquistão, que importa cerca de 80% de seu material militar da China, conforme relatório de 2025 do Sipri, dependia dos radares YLC-8E e das baterias antiaéreas HQ-9 para proteger instalações estratégicas. A Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China do Congresso americano apontou que o confronto de quatro dias com a Índia, em maio de 2025, marcou a primeira utilização em combate das baterias chinesas HQ-9. No entanto, veículos da imprensa indiana relataram que o aparato não conseguiu impedir a ofensiva de Nova Delhi, com mísseis de cruzeiro BrahMos atingindo bases protegidas pelos equipamentos chineses sem resistência efetiva.

Implicações Globais e o Futuro da Credibilidade Militar Chinesa

As repetidas falhas dos sistemas de defesa chineses em cenários de combate real geraram um impacto significativo na credibilidade militar de Pequim. A percepção de que seus equipamentos não entregam o desempenho prometido em situações críticas pode ter amplas repercussões no mercado global de armas, onde a China busca expandir sua influência. A confiança dos clientes internacionais na tecnologia militar chinesa está agora sob intenso escrutínio.

Michael Sobolik, pesquisador sênior do Hudson Institute, resumiu a situação em entrevista à agência Reuters: “Qualquer país do mundo que possua equipamentos de defesa chineses está agora revisando suas defesas aéreas e se perguntando quão seguro realmente está”. Essa declaração sublinha a preocupação generalizada e a necessidade de reavaliação por parte das nações que investiram em armamento chinês. O futuro das exportações militares de Pequim e sua ambição de se consolidar como uma superpotência bélica podem depender de como a indústria chinesa responderá a essas exposições de vulnerabilidade.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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