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Crise da hiperglobalização redefine cenário econômico global, alerta economista

BeeNews 26/04/2026 | 18:10 | Brasília
4 min de leitura 768 palavras

A ordem econômica mundial, impulsionada pela hiperglobalização, está chegando ao seu limite, conforme a análise do renomado escritor e economista Eduardo Giannetti. Eventos como a desestabilização de importantes rotas comerciais, a exemplo do Estreito de Ormuz, e a escalada de guerras tarifárias promovidas por nações como os Estados Unidos, são indicativos claros de uma transformação profunda no panorama global.

Em uma entrevista concedida à TV Brasil, o especialista detalhou os múltiplos fatores que compõem este cenário internacional, marcado por crises econômicas e conflitos geopolíticos. A discussão aprofundada sobre o tema foi ao ar em edições recentes do programa Repórter Brasil.

Vulnerabilidade e a Nova Lógica Comercial

A fragilidade das cadeias de produção globais é um dos pilares da crise da hiperglobalização. Consultorias internacionais revelam que, para cerca de 180 produtos considerados críticos, o mundo depende de apenas dois ou três fornecedores. Um exemplo notório é Taiwan, que domina aproximadamente 90% da produção dos chips mais avançados.

Essa dependência extrema impulsiona uma busca urgente por diversificação e segurança nas cadeias de suprimentos. A lógica anterior, focada exclusivamente no custo de produção mais baixo, na escala, na eficiência e na concentração em um único fornecedor, cede espaço a uma nova abordagem que prioriza a resiliência e a estabilidade.

Financeirização e o Impacto no Mercado de Trabalho

Eduardo Giannetti conecta o declínio da hiperglobalização a marcos históricos como a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19, sublinhando a crescente financeirização do período. Anteriormente, a proporção de ativos financeiros para o Produto Interno Bruto (PIB) era de aproximadamente um para um. Atualmente, essa relação saltou para algo entre nove e doze dólares de ativo financeiro para cada dólar de PIB.

A valorização das ações na bolsa americana, entre 2022 e 2026, exemplifica essa tendência, com um aumento estimado em dois trilhões de dólares. Metade desse valor está concentrada em apenas dez empresas, predominantemente ligadas à tecnologia da informação e inteligência artificial. Contudo, o economista aponta que a entrada de centenas de milhões de trabalhadores asiáticos no mercado global, vindos de áreas rurais de países como China, Índia, Vietnã e Indonésia, foi um dos fatores mais impactantes. Essa urbanização e inserção no mercado de trabalho, embora tenha tirado muitos da miséria, foi devastadora para a classe trabalhadora ocidental, que viu seu poder de negociação e a capacidade de afirmar direitos e interesses seriamente tolhidos pela facilidade de realocar a produção para regiões com custos mais baixos.

Ascensão da Extrema Direita e Instabilidade Social

A China, que hoje responde por um terço da produção industrial global, testemunhou uma melhoria significativa na qualidade de vida de sua população. Milhões de pessoas ascenderam social e economicamente. No entanto, essa transformação gerou uma instabilidade social e política considerável em outras partes do mundo.

A ascensão de movimentos de extrema direita é, em grande parte, atribuída ao ressentimento das classes trabalhadora e média ocidentais, que sentiram a perda de segurança e poder de barganha. Giannetti observa que este fenômeno não é isolado, mas global, assemelhando-se ao cenário político dos anos 1930, com a emergência de tendências populistas, nacionalistas e raivosas em diversos países simultaneamente.

Oportunidades para o Brasil em um Cenário Global Mutante

Diante do fim da hiperglobalização, o Brasil se encontra em uma posição estratégica para reavaliar e reposicionar sua economia. O mundo, agora em busca de segurança e diversificação, voltará seus olhos para países com vasta dotação de recursos naturais, amenidades ambientais, energia, matérias-primas e minerais, dos quais o Brasil é rico.

A biodiversidade do país é destacada como um trunfo fundamental, com grande potencial para atender à crescente demanda global por alimentos, minerais críticos e terras raras. É crucial que o Brasil capitalize essas vantagens comparativas, investindo na industrialização desses recursos para evitar a mera exportação de bens primários. A competição entre potências pelo acesso a esses ativos confere ao Brasil uma posição de negociação favorável, permitindo estabelecer termos mais vantajosos para seu desenvolvimento.

A Crise Civilizatória e o Desafio Climático

Além das transformações econômicas, Giannetti enfatiza que a humanidade enfrenta uma crise civilizatória, com as mudanças climáticas representando a maior ameaça à espécie humana no século XXI. Apesar da gravidade, o negacionismo persiste, tornando a questão ainda mais complexa.

O economista adverte que, embora governos possam ignorar a questão climática, a realidade dos eventos extremos é incontornável. A solução, segundo ele, pode vir por duas vias: a preventiva, que busca minimizar os custos inevitavelmente altos, ou a “via dolorosa”, onde o agravamento da situação forçará ações emergenciais, com custos significativamente maiores do que os necessários para a prevenção. Para mais informações sobre o cenário econômico global, consulte fontes confiáveis como a Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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