Defesa Civil do Líbano " title="Defesa Civil do Líbano ">

Líbano: ofensiva israelense devasta saúde e infraestrutura civil em 45 dias

BeeNews 17/04/2026 | 14:22 | Brasília
4 min de leitura 675 palavras

A escalada do conflito na região tem gerado um cenário de profunda destruição e crise humanitária no Líbano. Em um período de 45 dias de intensos bombardeios, as ações militares israelenses resultaram em danos significativos à infraestrutura civil e de saúde do país, levantando sérias preocupações sobre violações do direito internacional humanitário e o impacto devastador na população libanesa.

Os ataques não apenas comprometeram o acesso a serviços essenciais, mas também provocaram um alto número de vítimas e o deslocamento de milhões de pessoas, conforme dados divulgados por autoridades libanesas e organizações internacionais.

Líbano em Crise: A Devastação da Infraestrutura de Saúde

Os bombardeios israelenses contra o Líbano causaram danos a 129 unidades de saúde, um número alarmante que reflete a gravidade da situação. O Ministério da Saúde libanês informou que 100 profissionais de saúde foram mortos e outros 233 ficaram feridos durante os ataques. Além disso, 116 ambulâncias foram atingidas e seis hospitais precisaram ser fechados, comprometendo severamente a capacidade de resposta médica no país.

O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no Líbano emitiu um comunicado, destacando que “esses incidentes constituem uma grave violação do direito internacional humanitário e comprometem seriamente o acesso da população aos serviços de saúde”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também manifestou preocupação com avisos de evacuação de hospitais em Beirute, ressaltando a urgência da situação.

Cenário de Destruição e Deslocamento Forçado de Civis

A ofensiva israelense não se limitou às unidades de saúde, estendendo-se a outras infraestruturas civis. Cálculos provisórios do Ministério da Saúde libanês indicam que, nos 45 dias de conflito, 2.294 pessoas perderam a vida e 7.500 ficaram feridas, incluindo 177 crianças mortas e 704 feridas. Estima-se ainda que pelo menos sete jornalistas foram alvos de ataques.

O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) calculou que 37.800 unidades habitacionais foram destruídas até o dia 12 de abril, com a maior parte dos danos concentrada nos subúrbios da capital, Beirute. O CNRS observou uma “rápida intensificação da destruição”, com uma proporção significativa dos danos cumulativos da guerra ocorrendo em um período muito curto. O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi afirmou à Agência Brasil que as áreas bombardeadas em Beirute são “100% civis”, e que os ataques visam forçar o deslocamento de moradores e criar pressão sobre a sociedade libanesa.

Acusações de Crimes de Guerra e a Estratégia de Tel Aviv

O ataque contra infraestruturas civis e de saúde é considerado crime de guerra pelo direito internacional. Israel alega que as unidades de saúde e outras infraestruturas civis são utilizadas pelo Hezbollah para fins militares, acusações que são negadas pela organização xiita e questionadas por organizações de direitos humanos. O Ocha reporta que mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas em decorrência de ordens de deslocamento em massa, abrangendo cerca de 15% do país.

Para o especialista Anwar Assi, o objetivo de Tel Aviv é criar milhares de deslocados que se voltem contra o Hezbollah. No entanto, ele observa que “a maioria apoia a resistência. Mesmo os críticos do Hezbollah têm rejeitado uma guerra civil contra o grupo”. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, reafirmou que a unidade nacional e a paz civil são “uma linha vermelha” que não deve ser cruzada, alertando que miná-las serve aos objetivos de Israel.

O Sul do Líbano sob Pressão e o Futuro Incerto

O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu busca criar uma zona despovoada até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira entre os dois países. Em uma ação que intensifica essa estratégia, Israel bombardeou a última ponte que restava sobre o Rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, isolando a região ao sul do resto do país e impedindo a conexão entre as cidades de Tiro e Sidon.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou em março que não permitiria o retorno das milhares de pessoas que fugiram do sul do Líbano para suas casas ao sul do Rio Litani. O deslocamento forçado de população civil é também considerado um crime de guerra, adicionando mais uma camada de complexidade e condenação às ações militares na região.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Palavras-chave: ambulância, ataque, conflito, destruição, direito, hospital, humanitário, médio, oriente, vítimas, saúde, líbano, deslocamento, guerra, israel, danos, civil, país, ataques, pessoas
Compartilhe:

Menu