A Bolívia vive um período de intensa agitação social, marcado por uma crescente onda de protestos e bloqueios de estradas que têm gerado caos e preocupação em todo o país. A mobilização é impulsionada principalmente por apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que enfrenta processos judiciais e três ordens de detenção, incluindo acusações graves de abuso sexual e tráfico de pessoas relacionadas a denúncias de 2015 envolvendo uma adolescente. Essa situação escalou para um cenário de confrontos e desabastecimento, colocando o governo sob pressão e gerando alertas internacionais.
Os chamados “evistas” têm se unido a movimentos de protesto já existentes, ampliando a interrupção de vias estratégicas e aeroportos. A crise reflete a polarização política persistente no país desde a saída de Morales do poder em 2019, em meio a denúncias de fraude eleitoral, e a eleição do atual presidente de centro-direita, Rodrigo Paz.
Apoiadores de Evo Morales intensificam bloqueios e geram caos na Bolívia
Neste sábado, apoiadores de Evo Morales bloquearam o aeroporto de Chimoré, no departamento de Cochabamba, um reduto político e sindical do ex-presidente. A ação visava impedir uma possível operação de prisão contra o ex-mandatário. Os manifestantes espalharam pedras, galhos e outros objetos na pista, dificultando pousos e decolagens e a chegada de forças de segurança.
Um dos líderes dos atos, Teófilo Sánchez, declarou a determinação dos manifestantes em defender Morales “mesmo que custem vidas”, sublinhando a gravidade da situação. O aeroporto de Chimoré já havia sido ocupado em outras ocasiões desde a crise política de 2019, evidenciando a recorrência de tensões na região.
Crise humanitária: desabastecimento atinge cidades bolivianas
A intensificação dos bloqueios de rodovias estratégicas tem provocado um severo desabastecimento em diversas regiões, com impactos críticos em La Paz e na cidade vizinha de El Alto. Moradores enfrentam a falta de alimentos, combustíveis, medicamentos e, crucialmente, oxigênio hospitalar. A interrupção das vias, que já durava dias, deixou caminhões, ônibus e veículos particulares parados, agravando a situação humanitária.
Autoridades bolivianas reportaram que ao menos três mulheres faleceram por não conseguirem acesso a atendimento médico a tempo, devido às estradas bloqueadas. A situação de emergência ressalta as consequências diretas dos protestos na vida da população.
Confrontos marcam operação governamental para liberar vias
Em resposta à crise, o governo Paz lançou a operação “Corredor humanitário”, mobilizando cerca de 2.500 policiais e 1.000 militares do Exército. O objetivo era liberar as estradas e garantir a passagem de suprimentos essenciais para as áreas afetadas. Contudo, a ação resultou em confrontos violentos em diversos pontos do país.
Manifestantes reagiram com pedras, explosivos improvisados e dinamites contra agentes de segurança e jornalistas, enquanto a polícia utilizou gases lacrimogêneos para dispersar os bloqueios. A Defensoria do Povo da Bolívia informou que pelo menos 57 pessoas foram presas durante a operação. Apesar dos esforços, militares e policiais recuaram parcialmente de uma das principais rodovias para evitar um confronto direto com uma marcha de centenas de seguidores de Morales que se dirigia a La Paz.
Comunidade internacional se manifesta em meio a acusações políticas
A situação na Bolívia gerou preocupação na comunidade internacional. Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru divulgaram uma declaração conjunta, manifestando apreensão com a crise humanitária e condenando ações que buscam “desestabilizar a ordem democrática”. Os países reafirmaram seu apoio ao governo constitucional de Rodrigo Paz e defenderam o diálogo, o respeito às instituições e a preservação da paz social, conforme reportado por veículos de imprensa internacional como a Reuters.
O governo boliviano acusa Evo Morales de orquestrar um plano para provocar uma ruptura institucional através dos bloqueios e protestos, alegando que o plano seria financiado pelo narcotráfico e articulado a partir de Cochabamba. Por sua vez, Morales nega veementemente as acusações, classificando-as como perseguição política e afirmando que a DEA, agência antidrogas dos Estados Unidos, e o Exército boliviano estariam preparando uma operação para prendê-lo.
Fonte: gazetadopovo.com.br
