Zoltan Mathe/EFE/EPA )

Colonialismo: líder da direita portuguesa defende legado e rejeita pedidos de desculpa

BeeNews 15/04/2026 | 10:57 | Brasília
3 min de leitura 575 palavras

O debate sobre o legado colonial de Portugal ganhou novos contornos com as recentes declarações de André Ventura, líder do partido de direita nacionalista Chega. Em um posicionamento firme, Ventura afirmou que Portugal não tem motivos para pedir desculpas pelo seu passado colonial, argumentando que o período foi marcado por contribuições significativas, como a disseminação da fé cristã e o desenvolvimento de infraestruturas em diversas regiões.

colonialismo: cenário e impactos

A controvérsia surge em um momento de crescente discussão global sobre reparações históricas e o papel das antigas potências coloniais. As falas de Ventura, proferidas durante um debate televisivo, reacendem a polarização em torno da interpretação da história portuguesa e suas implicações contemporâneas.

A defesa do legado colonial português

André Ventura expressou veementemente sua oposição a qualquer pedido de desculpas por parte de Portugal em relação aos séculos de presença em territórios como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Para o líder do Chega, a narrativa predominante da esquerda intelectual falha em reconhecer os aspectos positivos da colonização portuguesa.

Ele enfatizou as construções realizadas durante o período, citando igrejas, barragens, estradas, hospitais e escolas como exemplos do que Portugal edificou nas colônias. Ventura questionou a ideia de que essas contribuições deveriam ser desconsideradas ou que o país devesse se penitenciar por elas, argumentando que tais feitos representaram um avanço civilizatório para as regiões.

Contexto do debate e a Revolução dos Cravos

As declarações de Ventura ocorreram durante um debate transmitido pela CNN Portugal, onde ele confrontou o historiador José Pacheco Pereira. O tema central da discussão era o 52º aniversário da Revolução dos Cravos, evento que marcou a restauração da democracia em Portugal e, consequentemente, o fim da Guerra Colonial Portuguesa, culminando na independência de nações africanas como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

A Revolução dos Cravos é um marco fundamental na história contemporânea de Portugal, simbolizando o fim de um regime autoritário e o início de uma nova era democrática, que também redefiniu as relações do país com suas ex-colônias. A data serve como pano de fundo para reflexões sobre o passado e o presente colonial.

Críticas à esquerda e a visão de “civilização”

Ventura criticou abertamente o que chamou de “pouco patriotismo” da esquerda intelectual, que, segundo ele, não consegue compreender o contexto histórico da época. Ele argumentou que, embora o período colonial tenha tido seus erros, Portugal levou a fé cristã e a civilização a “sítios que não tinham civilização”, construindo onde “não havia nada para construir”.

O líder do Chega chegou a questionar se as ex-colônias deveriam indenizar Portugal pelas infraestruturas deixadas, como barragens ainda em uso em Moçambique, reforçando sua visão de que o legado português na África foi de desenvolvimento e não apenas de exploração. O Império Português, um dos mais longos da história, é objeto de constante reavaliação.

Rejeição a reparações e confronto com o Presidente

O partido Chega mantém uma postura intransigente contra o pagamento de compensações às ex-colônias portuguesas. Essa posição foi evidenciada em 2024, quando o então Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, sugeriu que o país tinha a “obrigação” de liderar um processo de reparação.

Na ocasião, André Ventura classificou as declarações do chefe de Estado como uma “profunda traição ao país” e uma “irresponsabilidade criminosa”. O Chega chegou a propor que o Presidente fosse levado à Justiça por “traição” em decorrência de suas falas, sublinhando a intensidade da oposição do partido à ideia de reparações coloniais.

Fonte: gazetadopovo.com.br

Palavras-chave: chega, colonialismo, direita, europa, história, legado, política, portugal, reparação, ventura, colonial, debate, colônias, país, declarações, líder
Compartilhe:

Menu