A Justiça eleitoral do Peru anunciou que a divulgação do resultado definitivo do primeiro turno da eleição presidencial, ocorrido nos dias 12 e 13, está prevista para a primeira quinzena de maio. Este atraso, de aproximadamente um mês após a votação, ocorre em um cenário de intensas denúncias de irregularidades e falhas logísticas que marcaram o pleito.
A secretária-geral do Júri Nacional de Eleições (JNE), Yessica Clavijo, confirmou o prazo, destacando a necessidade de um escrutínio cuidadoso para definir os candidatos que avançarão para o segundo turno. A situação gerou incerteza política e repercussões no cenário econômico do país andino.
Processo eleitoral sob escrutínio: análise de atas impugnadas
O principal fator para o adiamento da proclamação dos resultados é a análise de um volume significativo de atas eleitorais impugnadas. Mais de 5,2 mil documentos apresentam inconsistências ou irregularidades e estão sob revisão da Justiça Eleitoral peruana. A resolução dessas impugnações é crucial para determinar quem enfrentará Keiko Fujimori no segundo turno, agendado para 7 de junho.
Com 93,5% dos votos apurados, Fujimori lidera com 17,1%. A disputa pela segunda vaga é acirrada entre o esquerdista Roberto Sánchez, com 12%, e o conservador Rafael López Aliaga, que registra 11,9%. A diferença entre eles é de apenas 13 mil votos, o que torna cada ata impugnada um elemento decisivo para o desfecho da corrida presidencial.
Irregularidades e denúncias de fraude marcam o pleito
Desde o início, a eleição presidencial no Peru foi permeada por falhas operacionais e acusações de fraude. No dia da votação, a falta de urnas em diversos locais impediu que mais de 63 mil eleitores exercessem seu direito, forçando a prorrogação do pleito para o dia seguinte.
As consequências dessas falhas foram imediatas. José Samamé Blas, gerente de gestão eleitoral do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), foi detido após assumir a responsabilidade pelos atrasos e apresentar sua renúncia. Além disso, o procurador do JNE, Ronald Angulo, apresentou uma queixa-crime contra Piero Corvetto, diretor do Onpe, e outros funcionários e representantes de empresas terceirizadas envolvidas no processo, incluindo Juan Alvarado Pfuyo, da Galaga S.A.C.
Um incidente que intensificou as suspeitas foi a descoberta de três caixas contendo aproximadamente 1,2 mil cédulas de votação já processadas, descartadas em uma rua de Lima. As normas eleitorais exigem que esses materiais sejam guardados sob custódia até a proclamação oficial dos resultados, levantando sérias questões sobre a integridade do processo.
Repercussões e busca por estabilidade política
As denúncias e a demora nos resultados geraram um clima de instabilidade no país. Rafael López Aliaga, um dos candidatos, alegou ter sido vítima de fraude para ser excluído do segundo turno e chegou a oferecer uma recompensa de 20 mil sóis (equivalente a cerca de R$ 29 mil) por informações verificáveis sobre possíveis irregularidades ou sabotagens eleitorais. A Bolsa de Lima registrou uma forte queda, refletindo a preocupação do mercado com a possibilidade de um candidato de esquerda avançar para o segundo turno.
O Peru, que tem enfrentado um período de grande turbulência política, com oito presidentes em uma década, busca desesperadamente estabilidade. A transparência e a celeridade na resolução das questões eleitorais são fundamentais para restaurar a confiança pública e garantir a legitimidade do próximo governo.
Fonte: gazetadopovo.com.br
