O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, estuda medidas de retaliação contra nações aliadas da Otan que não ofereceram suporte logístico ou militar na recente guerra contra o Irã. Documentos internos do Pentágono, citados pela agência Reuters, revelam uma crescente frustração em Washington com a recusa de certos países em conceder direitos de acesso, base e sobrevoo para operações americanas no Oriente Médio.
Tensões diplomáticas e a possível suspensão da Espanha
Entre as estratégias em análise pelo governo americano está a suspensão da Espanha da aliança militar. Embora especialistas apontem que a medida teria um efeito prático limitado nas operações militares, o impacto simbólico seria significativo para a coesão do bloco. A tensão escalou após o premiê Pedro Sánchez ordenar o fechamento do espaço aéreo espanhol para voos americanos envolvidos no conflito e negar o uso das bases de Rota e Morón.
O presidente Donald Trump já havia manifestado descontentamento com Madri anteriormente, especialmente após a Espanha ser o único país da Otan a recusar o compromisso de investir 5% do PIB em defesa até 2035. Como resposta à postura atual, o líder americano chegou a ameaçar cortes no comércio bilateral com o país ibérico.
Revisão do apoio diplomático ao Reino Unido
Outra frente de pressão envolve o Reino Unido. O governo americano avalia reavaliar o apoio diplomático a territórios britânicos, incluindo as Ilhas Malvinas. A relação entre Londres e Washington enfrentou atritos desde que o premiê Keir Starmer hesitou inicialmente em permitir o uso de bases aéreas britânicas para ações ofensivas, autorizando o suporte apenas após um período de incertezas.
A retórica de Donald Trump contra o governo britânico tem sido contundente. Além de questionar a eficácia da Marinha do país, o presidente americano criticou a falta de colaboração europeia para a reabertura do Estreito de Ormuz, que permanece bloqueado pelo Irã desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro.
Resposta europeia e limites do tratado
Diante das ameaças, autoridades da Otan reforçaram que o tratado fundador da organização não prevê mecanismos para a suspensão ou expulsão de membros. Em declaração oficial, Pedro Sánchez buscou minimizar as especulações, afirmando que o governo espanhol mantém uma postura de lealdade aos aliados, sempre respeitando os limites da legalidade internacional.
O cenário expõe uma crise de confiança dentro da aliança transatlântica. Enquanto Washington exige um alinhamento estratégico mais agressivo, capitais europeias buscam equilibrar suas obrigações internacionais com as pressões internas e a necessidade de manter a estabilidade regional em meio ao conflito que ainda impacta o cenário geopolítico global.
Fonte: gazetadopovo.com.br
