O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) aprovou, na terça-feira, 12, um acordo que viabiliza a realização de mega shows gratuitos na Avenida Paulista. A decisão, tomada após quatro horas de deliberações, permite que a capital paulista integre o circuito internacional de grandes eventos musicais, seguindo um modelo de sucesso já consolidado em outras metrópoles brasileiras.
Mega show na Paulista e o novo calendário cultural
A autorização prevê a realização de um evento de grande porte já no segundo semestre deste ano. A administração municipal projeta atrair nomes de peso do cenário global, citando bandas como U2, Coldplay, Foo Fighters e Rolling Stones como potenciais atrações. A iniciativa busca replicar o impacto positivo observado em projetos como o realizado na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
A gestão municipal classificou a decisão como uma conquista histórica. Segundo a prefeitura, a medida amplia o calendário oficial da Avenida Paulista, que desde 2007 restringia grandes eventos a apenas três datas anuais: a Parada LGBT, a Corrida de São Silvestre e o Réveillon. O novo entendimento abre precedente para que, além do show previsto para setembro, outros dois megaeventos possam ocorrer anualmente na via.
Desafios logísticos e segurança pública
A aprovação do acordo ocorreu por um placar apertado, com 6 votos a 5, refletindo a complexidade do debate. Promotores contrários à medida manifestaram preocupações sobre a viabilidade de controlar multidões, o impacto na mobilidade urbana e a garantia de acesso aos hospitais localizados na região. O histórico de eventos anteriores, como o megabloco de Carnaval na Rua da Consolação, serviu de alerta para a necessidade de um planejamento rigoroso.
Para mitigar riscos, a Prefeitura deverá cumprir uma série de exigências técnicas estabelecidas pelo Ministério Público. Entre as obrigações estão a apresentação de estudos detalhados de impacto viário pela CET e SPTrans, além da criação de um plano de evacuação de emergência. A segurança será reforçada com revistas rigorosas nos acessos para impedir a entrada de armas e objetos perigosos.
Impacto econômico e responsabilidade privada
O modelo de gestão financeira para esses eventos busca proteger o erário. Cada organizador deverá firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) individual, garantindo que os custos com cachês, montagem de estrutura e segurança privada sejam custeados por patrocínios, e não por recursos públicos. Além disso, os organizadores serão responsáveis por ressarcir eventuais danos causados à infraestrutura urbana.
A expectativa da prefeitura é que o projeto impulsione significativamente a economia local. Dados da Fundação Getulio Vargas sobre o último Réveillon na Paulista indicam que eventos dessa magnitude podem reunir milhões de pessoas e movimentar bilhões de reais, beneficiando diretamente os setores de hotelaria, gastronomia e turismo. A medida visa fortalecer a posição de São Paulo como um polo central de entretenimento no cenário global.
Fonte: noticiasaominuto.com.br
