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A estratégia de Javier Milei para consolidar a Argentina como aliada de Israel na América Latina

BeeNews 16/04/2026 | 22:14 | Brasília
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O presidente da Argentina, Javier Milei, realiza nesta sexta-feira (17) sua terceira visita oficial a Israel desde que assumiu a presidência em dezembro de 2023. As viagens anteriores ocorreram em fevereiro de 2024 e junho de 2025, evidenciando uma aproximação sem precedentes entre os dois países. Em um cenário de tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, a postura de Milei contrasta fortemente com a de outros líderes latino-americanos, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que gerou atrito com Israel ao criticar suas ações na Faixa de Gaza.

Milei tem se posicionado como o principal aliado do governo de Benjamin Netanyahu na América Latina, com uma série de ações e declarações que reforçam seu apoio incondicional ao Estado israelense. Essa aliança tem sido marcada por gestos diplomáticos significativos e um alinhamento ideológico que se reflete em diversas esferas da política externa argentina.

Visitas e Reconhecimento Internacional: A Proximidade de Milei com Israel

Durante sua atual visita a Israel, está prevista a concretização de uma das promessas de campanha de Milei: a transferência da embaixada argentina de Tel Aviv para Jerusalém. Este movimento, de grande simbolismo político, é visto como um endosso direto à soberania israelense sobre a cidade. Além disso, o presidente argentino será agraciado com a Medalha Presidencial de Honra, concedida por seu homólogo israelense, Isaac Herzog, durante as celebrações oficiais do Dia da Independência de Israel, em 21 e 22 de abril.

Em comunicado divulgado em 13 de abril, o presidente Herzog elogiou a liderança de Milei, afirmando que ele “representa uma liderança ousada e segue uma política clara e inequívoca de apoio ao Estado de Israel, como sionista fervoroso, nos bons e nos maus momentos”. Herzog destacou ainda o “profundo afeto pelo povo de Israel” demonstrado por Milei, justificando a homenagem por seus esforços em nome de Israel.

A série de reconhecimentos a Milei por seu apoio a Israel não se limita à Medalha Presidencial. Em abril de 2024, ele recebeu uma distinção da comunidade judaica em Miami. Em janeiro de 2025, foi honrado com o prestigioso Prêmio Genesis, conhecido como o “Nobel Judaico”, tornando-se o primeiro chefe de Estado a receber tal condecoração. O comitê do Genesis, sediado em Israel, citou a decisão de transferir a embaixada para Jerusalém e a reversão de “anos de votos anti-Israel da Argentina nas Nações Unidas” como razões para o prêmio.

Posicionamento Diplomático: Mudanças na Política Externa Argentina

A gestão de Milei no Ministério das Relações Exteriores tem promovido uma guinada na política externa argentina, especialmente no que tange às relações com o Oriente Médio. Uma das medidas mais notáveis foi o pedido de prisão internacional dos responsáveis pelo atentado à sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), ocorrido em Buenos Aires em 1994. A Argentina destacou a reivindicação de detenção do então ministro do Interior iraniano, Ahmad Vahidi, hoje comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

A Sala II do Tribunal Federal de Cassação Criminal da Argentina atribuiu ao Irã a responsabilidade pelos dois maiores ataques terroristas na história do país sul-americano: o atentado à Amia, que matou 85 pessoas em 1994, e o ataque à Embaixada de Israel dois anos antes, que deixou 29 mortos. Essa postura ativa na busca por justiça para os ataques reforça o compromisso de Milei com a segurança e os interesses israelenses.

Em seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, Milei criticou abertamente a organização por votar “sistematicamente contra o Estado de Israel, que é o único país do Oriente Médio que defende a democracia liberal”, e por demonstrar “uma incapacidade de responder ao flagelo do terrorismo”. Essa declaração sublinha a visão de Milei de Israel como um baluarte democrático na região e a necessidade de um posicionamento mais firme contra o terrorismo internacional.

Combate ao Terrorismo e Defesa de Israel: A Visão de Milei

O apoio de Milei a Israel se estende à condenação de ações que, segundo ele, minam o direito de autodefesa do Estado judeu. Quando o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa israelense Yoav Gallant, por acusações de crimes de guerra e contra a humanidade no conflito na Faixa de Gaza, Milei condenou a decisão em comunicado nas redes sociais.

O presidente argentino afirmou que a medida “ignora o direito legítimo de Israel de se defender contra ataques constantes por parte de organizações terroristas como o Hamas e o Hezbollah”. A nota presidencial enfatizou que “Israel enfrenta uma agressão brutal, uma tomada de reféns desumana e o lançamento indiscriminado de ataques contra sua população. Criminalizar a defesa legítima de uma nação enquanto são omitidas essas atrocidades é um ato que distorce o espírito da Justiça internacional”.

Em um discurso no Knesset, o parlamento israelense, durante sua segunda visita oficial ao país, Milei também criticou a ativista sueca Greta Thunberg. Ele a descreveu como uma “mercenária do ativismo”, que “fazendo tudo o que a esquerda internacional manda em troca de um pouco de imprensa e câmeras”, em referência à sua tentativa de atracar um navio com ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Milei contrastou a “performance de vitimização” de Thunberg com a situação dos reféns israelenses e de outras nacionalidades mantidos em Gaza.

Críticas e Alianças: O Cenário Geopolítico Regional

A Argentina, sob a liderança de Milei, tem buscado alinhar-se com potências ocidentais e com Israel em questões de segurança e política externa. Após a entrada em vigor de um cessar-fogo no enclave palestino, Milei aceitou o convite do ex-presidente americano Donald Trump para que a Argentina integrasse o Conselho da Paz, com os objetivos de manter a trégua e reconstruir Gaza.

Ainda no âmbito das relações internacionais, Javier Lanari, um dos porta-vozes da presidência argentina, revelou em entrevista ao jornal espanhol El Mundo que o governo da Argentina ofereceu enviar esforços militares aos Estados Unidos em um eventual conflito com o Irã. Essa oferta sublinha a disposição de Milei em apoiar aliados em cenários de alta complexidade militar e diplomática.

Em 31 de março, o governo argentino deu um passo significativo ao designar a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã como organização terrorista. O comunicado oficial citou os atentados à Amia e à Embaixada de Israel em Buenos Aires nos anos 1990, afirmando que “investigações judiciais e trabalhos de inteligência determinaram que ambos os atentados foram planejados, financiados e executados com a participação direta de altos funcionários do regime iraniano e agentes da Guarda Revolucionária”. Como consequência, o governo argentino declarou o representante iraniano no país, Mohsen Soltani Tehrani, como persona non grata, exigindo sua saída do território. Para mais informações sobre as relações internacionais da Argentina, visite o site oficial do governo argentino.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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