EFE )

Renúncia na Onpe do Peru: diretor deixa cargo após atrasos e fraude eleitoral

BeeNews 22/04/2026 | 08:42 | Brasília
4 min de leitura 709 palavras

O cenário político peruano foi abalado pela renúncia do diretor do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (Onpe), Piero Corvetto. A decisão, anunciada nesta terça-feira, ocorre em um momento de intensa controvérsia, marcada por atrasos significativos nas eleições gerais e por graves denúncias de fraude, que levantaram questionamentos sobre a integridade do processo democrático do país.

A saída de Corvetto é um desdobramento direto das falhas operacionais registradas durante o primeiro turno da eleição presidencial, que geraram insatisfação pública e acusações de manipulação por parte de candidatos. A busca por maior confiança cidadã no sistema eleitoral se tornou o principal argumento para sua decisão, em um esforço para garantir a lisura do próximo turno.

A saída de Piero Corvetto e o contexto da renúncia

Piero Corvetto, que ocupava a direção da Onpe desde 2020, formalizou sua renúncia através de uma carta enviada à presidente da Junta Nacional de Justiça (JNJ), María Teresa Cabrera. No documento, o ex-diretor expressou a necessidade de se afastar do cargo após os “problemas técnicos operacionais suscitados na mobilização do material eleitoral” na capital, Lima.

Em suas palavras, Corvetto enfatizou que sua decisão visava permitir que o segundo turno da eleição presidencial fosse organizado e executado em um “contexto de maior confiança cidadã” no órgão eleitoral. Ele afirmou que, como servidor público, não basta agir conforme a lei, mas é crucial “contribuir para a estabilidade democrática e para o melhor futuro” do Peru, algo que ele sentiu não poder oferecer na atual conjuntura. A JNJ aceitou a renúncia por unanimidade, comunicando a decisão às demais instituições do sistema eleitoral peruano.

Falhas logísticas e o impacto na votação

As eleições peruanas foram marcadas por sérios problemas logísticos que comprometeram o direito ao voto de milhares de cidadãos. A falta de urnas e seções eleitorais em diversos locais impediu que mais de 63 mil eleitores pudessem exercer seu direito no domingo inicial de votação. Diante da gravidade da situação, a votação foi estendida até a segunda-feira seguinte, na tentativa de mitigar os danos.

As consequências das falhas não se limitaram à prorrogação do pleito. José Samamé Blas, gerente de gestão eleitoral da Onpe, foi detido após assumir a responsabilidade pelos atrasos na entrega do material eleitoral. Sua prisão ocorreu logo após ele ter apresentado sua própria renúncia a Corvetto, evidenciando a cadeia de responsabilidades e as repercussões legais dos problemas operacionais.

Acusações de fraude e a resposta da justiça

Paralelamente aos problemas logísticos, o processo eleitoral foi abalado por denúncias de fraude. O procurador do Júri Nacional de Eleições (JNE), Ronald Angulo, apresentou uma queixa-crime contra Corvetto pelas falhas registradas. A denúncia também incluiu Juan Alvarado Pfuyo, representante legal da empresa terceirizada Galaga S.A.C., envolvida no processo, e outros três funcionários da Onpe, incluindo Samamé.

A gravidade das acusações foi intensificada pela revelação de que caixas contendo cerca de 1,2 mil cédulas de votação, já processadas, foram encontradas descartadas no lixo em uma rua de Lima. Essa descoberta gerou grande repercussão, especialmente porque as regras eleitorais exigem que tais materiais sejam guardados até a proclamação oficial dos resultados. O candidato conservador Rafael López Aliaga, que alega ter sido vítima de fraude para ser excluído do segundo turno, chegou a oferecer uma recompensa por informações comprováveis sobre possíveis irregularidades ou sabotagens.

O cenário eleitoral e a espera pelos resultados

A Justiça Eleitoral peruana enfrenta agora o desafio de analisar milhares de atas impugnadas que apresentam inconsistências ou irregularidades. A resolução dessas contestações é crucial para definir quem será o adversário de Keiko Fujimori no segundo turno, agendado para 7 de junho. Com 94,3% dos votos apurados, Fujimori lidera com 17%, seguida pelo esquerdista Roberto Sánchez com 12% e López Aliaga com 11,9%. A pequena diferença de apenas 17 mil votos entre o segundo e o terceiro colocados ressalta a importância de cada voto e a sensibilidade do processo.

A secretária-geral do JNE, Yessica Clavijo, estimou que o resultado definitivo do primeiro turno da eleição presidencial no Peru deve ser conhecido apenas na primeira quinzena de maio, cerca de um mês após a votação. Este longo período de espera, somado às denúncias e à renúncia do diretor da Onpe, contribui para um clima de incerteza e tensão no país. Para mais informações sobre o cenário político internacional, visite a agência EFE.

Fonte: gazetadopovo.com.br

Palavras-chave: atrasos, democracia, eleição, fraude, governo, justiça, logística, onpe, peru, política, renúncia, votação, eleitoral, corvetto, turno, decisão, processo, falhas, problemas
Compartilhe:

Menu