Diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso celebra indicação ao Oscar e elogia trabalho com Spielberg e Shyamalan

BeeNews 29/01/2026 | 09:30 | Brasília
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Diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso celebra indicação ao Oscar e elogia trabalho com Spielberg e Shyamalan

A indicação ao Oscar de melhor diretor de fotografia pelo filme independente ‘Sonhos de Trem’ colocou o brasileiro Adolpho Veloso, 37 anos, em destaque na temporada de premiações. O longa, que nasceu de forma independente e ganhou projeção após o Festival de Sundance, chamou a atenção da Netflix, que agora impulsiona o reconhecimento da obra e de seu diretor de fotografia.

Veloso, natural de São Paulo, pode se tornar o primeiro brasileiro a conquistar a estatueta de melhor fotografia, além de ser o primeiro profissional técnico do país a receber um Oscar por uma produção internacional. A indicação já lhe rendeu elogios de renomados diretores como Steven Spielberg e abriu portas para novos projetos de grande porte no exterior.

Em entrevista, Veloso descreveu a campanha para as premiações como uma “loucura”, comparando-a a uma campanha política, com uma rotina exaustiva de entrevistas, sessões especiais e eventos. Ele expressou gratidão pela repercussão de seu trabalho, algo que não imaginava ao realizar o filme. A VEJA, ele falou sobre sua trajetória e esse momento da carreira.

A campanha e a pressão do Oscar

A rotina de Veloso tem sido intensa, com uma agenda repleta de compromissos de divulgação do filme. Ele confessa que a campanha se assemelha a uma “caravana política”, exigindo muita energia e confiança na equipe da Netflix. “É exaustivo. São entrevistas, sessões especiais, jantares e eventos para conhecer pessoas. É um misto de cansaço com uma gratidão imensa”, relatou.

Sobre a ansiedade em relação ao Oscar, Veloso busca controlar as expectativas, ciente da forte concorrência na categoria de fotografia. “O ano está particularmente difícil, com filmes enormes e nomes muito fortes na categoria de fotografia. Além disso, estou aprendendo agora sobre o lado político da coisa, a importância dos contatos”, admitiu.

Trajetória e raízes brasileiras

Nascido em São Paulo e com família de Minas Gerais, Adolpho Veloso reside em Lisboa há seis anos. A mudança para Portugal facilitou a logística de seus trabalhos frequentes na Europa e nos Estados Unidos, servindo como uma base “casa” pela proximidade e familiaridade cultural.

O interesse pelo audiovisual surgiu aos 12 anos, impulsionado pela magia do cinema. Após se formar em cinema na FAAP, em São Paulo, Veloso iniciou sua carreira em diversas funções no set, focando gradualmente em câmera e luz. Sua trajetória profissional passou por curtas, clipes, publicidade e documentários no Brasil, antes de expandir para produções internacionais.

Veloso atribui seu rápido crescimento internacional a uma combinação de “muito esforço, noites sem dormir, sorte e privilégios”, incluindo o apoio familiar e uma boa formação acadêmica, mas também reconhece o sacrifício pessoal envolvido.

Reconhecimento e próximos passos

O cineasta revelou que, ao assistir ao primeiro corte de ‘Sonhos de Trem’, achou o resultado “horrível”, uma autocobrança comum no processo criativo, especialmente quando se perde a perspectiva de espectador. A estreia no festival, com problemas de projeção e som, quase o fez “desaparecer na cadeira”, mas as críticas positivas subsequentemente o tranquilizaram.

Um dos momentos marcantes foi o contato de Steven Spielberg com o diretor do filme para elogiar a obra e questionar detalhes dos bastidores. Veloso também recebeu mensagens de fotógrafos que admira, como Robbie Ryan e Lachlan Milne, considerando “surreal” ver seu nome ao lado dessas referências em listas de premiações.

A parceria com o diretor Clint Bentley, iniciada no filme ‘Jockey’, foi fundamental para ‘Sonhos de Trem’. Bentley o convidou para o projeto após ver um documentário de Veloso, buscando a fusão de ficção com linguagem documental.

Sobre futuros projetos, Veloso confirmou a participação no próximo filme de M. Night Shyamalan, filmado no ano passado e ainda sem muitos detalhes divulgados por questões de segurança. “Filmamos no ano passado e terminamos em agosto. Não posso dizer muito e nem eu assisti ao corte final ainda, por questões de segurança. É um filme com o Josh Hartnett e a Saleka Shyamalan. Estou ansioso para ver o resultado”, declarou.

Veloso aponta que a principal diferença entre filmar no Brasil e no sistema de Hollywood reside na criatividade impulsionada pela necessidade no Brasil, em contraste com o sistema mais industrial e engessado dos EUA e Inglaterra. Ele valoriza a busca por caminhos alternativos em vez de aceitar um “não dá para fazer” imediato.

Na lista de diretores com quem gostaria de colaborar estão, no Brasil, Kleber Mendonça Filho, Karim Aïnouz, Walter Salles e Anna Muylaert. Internacionalmente, ele cita Ruben Östlund, Eliza Hittman e Sofia Coppola.

A visibilidade proporcionada pelas premiações já resultou em um volume significativamente maior de roteiros recebidos, embora Veloso ressalte a necessidade de cautela para discernir o que é concreto diante do “frenesi” do momento. “O importante é que a visibilidade desperta a curiosidade das pessoas para assistirem ao filme e se conectarem com o meu trabalho”, concluiu.

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