Domínio Público

Eleições na Colômbia: esquerda lidera disputa presidencial rumo ao pleito de domingo

BeeNews 29/05/2026 | 12:01 | Brasília
4 min de leitura 659 palavras

Cerca de 41 milhões de colombianos estão convocados às urnas no próximo domingo (31) para definir o futuro político do país no ciclo 2026-2030. Com 14 candidaturas registradas, o cenário eleitoral aponta para uma definição concentrada em três nomes principais, com o segundo turno já agendado para 21 de junho. O resultado das urnas determinará se a nação manterá o alinhamento regional estabelecido pelo atual governo ou se buscará uma reorientação diplomática voltada aos Estados Unidos.

Trajetória e favoritismo de Ivan Cepeda

O senador Ivan Cepeda, representante da esquerda e aliado do atual presidente Gustavo Petro, lidera as intenções de voto e é considerado o nome mais provável para avançar à etapa final. Filho do também senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994, o candidato construiu uma carreira marcada pela defesa dos direitos humanos e pela atuação legislativa, tendo passado anos no exílio devido a ameaças políticas. Sua chapa conta com a liderança indígena Aida Quilcue como vice-presidente.

Cepeda foi um dos articuladores dos acordos de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) em 2016 e figura central na política de Paz Total de Petro. Especialistas apontam que sua força eleitoral deriva tanto da popularidade do atual mandatário quanto de uma trajetória própria, consolidada pelo enfrentamento direto a figuras históricas da direita colombiana, como o ex-presidente Álvaro Uribe.

Geopolítica e o papel da Colômbia nas Américas

A posição estratégica da Colômbia, com saídas para o Pacífico e o Caribe, torna o pleito um evento de relevância continental. Enquanto o governo de Gustavo Petro buscou uma aproximação com pautas sociais e ambientais alinhadas ao governo brasileiro, a oposição defende um retorno ao modelo de cooperação estreita com Washington. A manutenção ou ruptura desse eixo diplomático é um dos pontos de maior tensão entre os candidatos.

O pesquisador Matheus Petrelli, do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), destaca que o impacto da eleição transcende as fronteiras nacionais. A vitória da esquerda representaria a continuidade do projeto de integração regional, enquanto o triunfo da direita tradicional ou da extrema-direita sinalizaria um retorno ao alinhamento histórico com a política externa norte-americana, que predominou até 2022.

O embate entre o novo e o tradicional na direita

Além de Cepeda, a disputa pelas vagas no segundo turno envolve o advogado Abelardo de La Espriella e a senadora Paloma Valência. Espriella, que se posiciona como um outsider, utiliza um discurso de extrema-direita inspirado em figuras como Donald Trump e Javier Milei, focando sua plataforma no endurecimento das políticas de segurança pública. Sua trajetória como advogado de figuras controversas, contudo, é alvo de críticas constantes.

Em contraste, Paloma Valência representa a direita tradicional vinculada ao Centro Democrático. Fiel seguidora de Álvaro Uribe, a senadora defende o combate rígido às guerrilhas e a revisão das políticas de diálogo implementadas na última década. Embora o cenário das pesquisas apresente oscilações, a disputa reflete a profunda polarização que ainda define a estrutura do Senado e a opinião pública colombiana.

Legado e reformas do governo Petro

O governo de Gustavo Petro chega ao fim do mandato com uma recuperação expressiva nos índices de aprovação, que saltaram de 23% em 2023 para 49,1% em fevereiro deste ano. Esse crescimento é atribuído, em grande parte, à implementação de reformas sociais nas áreas trabalhista, agrária e previdenciária, além de uma política de valorização do salário mínimo que superou a inflação. O Pacto Histórico, bloco governista, consolidou-se como a maior força política no Senado, superando os partidos tradicionais.

Apesar dos números favoráveis, a incerteza permanece como tônica do pleito. Cenários de segundo turno projetados por institutos de pesquisa mostram resultados divergentes, impedindo um prognóstico definitivo. A decisão final caberá ao eleitorado, em um país onde o voto não é obrigatório, tornando a mobilização nas urnas o fator decisivo para o futuro da nação. Para mais informações sobre o contexto regional, consulte a Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Palavras-chave: américas, colômbia, democracia, direita, eleição, esquerda, governo, petro, política, votação, cepeda, urnas, turno, regional, atual, trajetória
Compartilhe:

Menu